Feira de Santana em história: A cidade em 15 de julho de 1972 | Por Adilson Simas

Feira de Santana em 15 de julho de 1972.
Feira de Santana em 15 de julho de 1972.

Vamos voltar a Feira de Santana dos dias 14 e 15 de julho de 1972 e assim ficar sabendo o que andava acontecendo na cidade princesa 48 anos atrás, praticamente há quase meio século. A fonte é o jornal Feira Hoje.

Na manchete da primeira página o jornal fala da candidatura de João Durval para prefeito da cidade. João era ex-prefeito, eleito em 1966, estava como diretor geral do antigo Cedin e sonhava voltar a prefeitura para comandar as comemorações que marcariam o centenário da emancipação política da cidade, em 1973.

No texto que originou a manchete, o jornal relata o encontro de João Durval, que acompanhado dos deputados Augusto Mathias e Áureo Filho, esteve visitando ACM governador biônico da Bahia. Foi pedir apoio para a execução do seu plano de governo e logo recebeu o sinal verde de ACM que já o havia indicado para o Cedin, assim que deixou a Prefeitura.

Vale frisar que naquele ano aconteceria a primeira divisão da Arena, pois além da candidatura natural de João, surgiu e foi homologado o nome de Beto Oliveira, presidente do Fluminense, que adotou como marca da campanha a figura da zebra que fazia sucesso nos sorteios da Loteria Esportiva.

Além da zebrinha, Beto amedrontou os aliados de João espalhando sua foto ao lado do popular Tonhão do Acarajé que fazia sucesso na porta do Colégio Santanópolis, quando o dia começava escurecer. Na reta final voltou a causar reboliço entre os durvalistas, pois a última peça publicitária exibia Beto abraçado com o Rei Pelé.

Urnas abertas o desportista obteve poucos votos, praticamente apenas a fração da votação do outro arenista. A zebra da campanha eleitoral, na verdade, foi a vitória de José Falcão, pelo MDB, cuja votação superou a soma de Beto e Durval. Como registro, vale frisar que alguns jogadores do Fluminense, entre eles Mario Braga, apareceram na chapa de candidatos a vereador pela legenda de Beto.

Ainda na primeira página destaque para o anuncio da inauguração das reformas das praças Padre Ovídio e da Matriz. Na Praça Padre Ovídio, além da construção de uma fonte luminosa, a estátua do santo Padre foi transferida para outra área, a praça também ganhou um conjunto de sanitários para atender moças e rapazes que passariam a curtir a fonte luminosa.

Aquela foi a primeira grande reforma desde que o intendente Agostinho Fróes da Motta ainda no começo do século XX pavimentou a Rua Direita e deu vida a praça da igreja. Depois de Newton houve a obra de Colbert Martins com várias desapropriações para criar em pista dupla o acesso-sul.

Vários atos, todos ligados a área financeira, foram assinados pelo prefeito Newton Falcão e pelo secretário de Finanças, Antonio Manuel de Araújo. Entre eles, a Lei 733 reajustando os vencimentos dos funcionários da Câmara Municipal. Já pelo Decreto 3629 o alcaide majorou os salários dos professores do Ginásio Municipal.

O prédio já demolido da antiga Estação da Leste voltou a ocupar o noticiário. Em entrevista coletiva o prefeito Newton Falcão disse que estava aguardando uma resposta da Viação Férrea Leste Brasileira sobre o pedido da Prefeitura para que o imóvel ficasse sob sua responsabilidade. A idéia não vingou e o imóvel continuou desativado, exceto um curto período em que serviu de sede para o Funrural.

Através do jornal os meios artístico-culturais da cidade ficaram sabendo que o artista plástico Carlo Barbosa havia inaugurado no dia 13, uma exposição de pinturas na Real Galeria de Arte, no Rio de Janeiro. Um dos grandes nomes das artes nesta cidade, o saudoso Carlo Barbosa empresta seu nome a Galeria de Arte do Cuca.

Quem esteve em Feira foi o chefe do escritório regional da Sudene na Bahia, Francisco Liberato, convidado pelo superintendente do CIS, o arquiteto Raimundo Torres, para conhecer a realidade industrial da cidade. Torres, vale frisar, dirigiu o órgão na gestão de vários prefeitos.

Formado por estudantes da universidade de São Paulo, o Madrigal Revivis fez duas exibições nesta cidade. Primeiro, às 19 horas, no Seminário de Música de Feira e em seguida no Clube de Campo Cajueiro. Com direito a chamada na primeira página do jornal, a promoção cultural foi uma iniciativa do Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação e do Departamento de Turismo da Prefeitura.

Destaco, sem esconder a alegria, que na última página do jornal de 15 de julho de 1972, há quase meio século, aparece, ocupando um terço da página, a coluna “Tiro Indireto” que este cronista cansado de guerra assinava semanalmente tratando de futebol. Aliás, como editor de esporte, era o responsável por toda o noticiário esportivo do semanário.

Ainda no noticiário político, a coluna “Etc&Tal, comentando sobre a reunião dos líderes arenistas já arregimentando nomes para a chapa de candidatos a vereador. Na lista são especulados o engenheiro Jair Santos Silva, o educador José Maria Nunes Marques e o pecuarista Gil Marques Porto. No dia da convenção não vingou nenhum dos três nomes.

*Adilson Simas, jornalista, atua em Feira de Santana.

Feira de Santana em 15 de julho de 1972.
Feira de Santana em 15 de julho de 1972.
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