Carlos Alberto Decotelli diz que carta da FGV negando que ele seja professor da instituição motivou demissão; Presidente da Câmara dos Deputados diz que ele perdeu condições para ser ministro da Educação

Em entrevista à CNN, Carlos Alberto Decotelli tenta justificar indícios de fraude no currículo acadêmico.
Em entrevista à CNN, Carlos Alberto Decotelli tenta justificar indícios de fraude no currículo acadêmico.

Em entrevista à CNN Brasil, o agora ex-ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli disse que o que motivou sua demissão do cargo foi a nota publicada nesta terça-feira (30/06/2020) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na qual a instituição de ensino nega que ele tenha sido professor efetivo da instituição.

“Essa informação divulgada pela FGV fez com que o presidente me chamasse e dissesse que ‘se até a FGV, onde o senhor trabalha há 40 anos, está negando que você trabalha na FGV, aí é impossível o governo ficar sendo questionado’. O que tornou inviável foi a carta formal da FGV de que eu nunca fui da FGV” disse Decotelli em trecho de entrevista exibido na TV.

A nota da FGV divulgada hoje afirma que Decotelli “atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da Fundação; da mesma forma, não foi pesquisador da FGV, tampouco teve pesquisa financiada pela instituição.” A afirmação da FGV veio na sequência de diversas suspeitas envolvendo o currículo acadêmico de Decotelli, inclusive sua dissertação de mestrado concluído na FGV, sobre o qual há denúncias de plágio. O ex-ministro também foi refutado pelas universidades Nacional de Rosário (Argentina) e de Wuppertal (Alemanha), onde dizia ter se tornado, respectivamente, doutor e pós doutor.

Sob pressão, Decotelli entregou hoje sua carta de demissão ao Planalto, cinco dias depois de ter sido nomeado para chefiar o MEC e antes de tomar posse oficialmente como ministro.

Deputado Rodrigo Maia diz que Decotelli perdeu condições para ser ministro da Educação

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pelas informações que circularam essa semana, o professor Carlos Alberto Decotelli perdeu as condições para ser ministro da Educação. “Eu estive com ele uma vez quando ele era presidente do FNDE, tive uma boa impressão, infelizmente acredito que ele tenha perdido as condições, pelas informações que tenho, vamos esperar que o novo ministro venha em uma linha de defesa da educação, diferente do ex-ministro (Abraham Weintraub) que saiu anteriormente”, disse.

Decotelli cancelou uma reunião agendada para esta tarde com Maia. A desistência do encontro foi avisada menos de duas horas antes da reunião e o motivo não foi informado.

Fundeb

Para Maia, a troca de ministro não atrapalha e nem acelera a votação da prorrogação do fundo da educação básica (Fundeb) pela Câmara. “Estamos no nosso ritmo”, disse. Ele e a relatora da proposta, deputada Dorinha Seabra (DEM-TO) têm se reunido com as equipes de economia e educação do governo para tentar finalizar um texto que possa ser aprovado. “Vamos encaminhar a votação nas duas próximas semanas no máximo, já está atrasado ao que eu tinha combinado”, disse.

Para ele, é importante que essa proposta seja promulgada pelo presidente Jair Bolsonaro até o mês de agosto.

*Com informações de Gregory Prudenciano e de Camila Turtelli, do Broadcast do Estadão.

Carlos Alberto Decotelli.
Carlos Alberto Decotelli informou que atuou apenas nos cursos de educação continuada, nos programas de formação de executivos e não como professor de qualquer das escolas da Fundação,
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