120 anos de Anísio Teixeira: educação e democracia caminham juntas | Por Jerônimo Rodrigues Souza

Jerônimo Rodrigues Souza, secretário estadual da Educação da Bahia.Jerônimo Rodrigues Souza, secretário estadual da Educação da Bahia.

Em 12 de julho de 1900, em Caetité, Bahia, nascia Anísio Teixeira. Diplomado em Direito, em 1922, assume o cargo de Inspetor Geral de Ensino da Bahia, no governo Góes Calmon, em 1924. Neste ofício, vivencia a fragilidade do sistema público escolar baiano e, com isso, decide romper com a inspeção vedeta do poder imperial sobre o funcionamento das precárias escolas provinciais e, assim, projeta novas ideias sobre a qualidade dos seus prédios e incentiva a formação profissional dos professores.

O sucesso das suas ações o credencia a assumir a Secretaria da Educação do Distrito Federal, quando o Rio de Janeiro ainda era a capital federal, entre os anos de 1931 a 1935. Nesta função, concebeu a reforma educacional que o projeta nacionalmente, remodelando os antigos ensinos Primário e Secundário e o Ensino Superior, criando a Universidade do Distrito Federal. Nesse período, ao lado de outros brasileiros ilustres, como Cecília Meireles, envolveu-se com o celebrado Manifesto dos Pioneiros (1932), que apontava para a reconstrução nacional do sistema educativo como um fato incontroverso.

Recolheu-se da vida pública entre 1937 a 1945, por decorrência das perseguições do Estado Novo, permanecendo na Bahia. Em 1947, retorna à gestão da Secretaria da Educação na Bahia, permanecendo até 1951. Nesse tempo, inaugura a Escola Parque (1950), continuamente referenciada como uma instituição propícia à formação da juventude, em que os espaços do currículo formal se unem aos da sociabilização para a vida cidadã, consagrando o consórcio entre educação e sociedade.

Em 1951, vai para o MEC gerir a CAPES, órgão responsável pela organização da pós-graduação no Ensino Superior. Em 1952, dirige o INEP, instituição diligente na construção do Sistema Nacional de Educação à época. Em 1960, junto com Darcy Ribeiro, cria a UNB, que logo se tornou o foco das ofensivas da ditadura militar, com ultrajes e vilipêndios. Em 1961, na querela inconfessada em desfavor da escola pública implícita aos debates da LDB, é Anísio Teixeira que desmonta a farsa e reitera a proteção à escola pública mais uma vez. Fora do Brasil, atua em algumas das universidades americanas, entre 1964 e 1966, e, no começo de 1971, aqui no Brasil, sua história é interrompida pela morte trágica, em episódio até hoje sob suspeição.

Importa reviver seu pensamento, Anísio, nestes tempos em que o país assiste ao “apagão educacional”, notabilizado pelo descaso do Governo Federal com a Educação, por sua imperícia na gestão do MEC e pelos desamparos inquietantes postos aos sistemas de Educação. Em 2020, o Governo da Bahia reverencia sua memória, celebra sua obra e se inspira no seu exemplo. Bravo, Anísio! Viva a Anísio! Anísio, presente!

*Jerônimo Rodrigues Souza, secretário estadual da Educação da Bahia.

Jerônimo Rodrigues Souza, secretário estadual da Educação da Bahia.

Jerônimo Rodrigues Souza, secretário estadual da Educação da Bahia.

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