Vendas no varejo do Brasil têm em abril de 2020 maior queda em 20 anos por medidas contra coronavírus

Dados da economia do Brasil apresentam sinais de desaceleração da atividade.
Dados da economia do Brasil apresentam sinais de desaceleração da atividade.

O varejo brasileiro iniciou o segundo trimestre com as maiores perdas em 20 anos, uma vez que as vendas despencaram em abril de 2020 como consequência das medidas de isolamento adotadas no país para conter a pandemia de coronavírus.

As vendas tiveram queda de 16,8% em abril na comparação com o mês anterior diante do fechamento do comércio, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse foi o recuo mais acentuado desde o início da série histórica em 2000, e representou uma queda bem mais forte do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de contração das vendas em 12,0%

Essa foi também a segunda queda consecutiva, acumulando perdas de 18,6% no período.

“É o segundo mês do impacto da pandemia. Essa influência começa em março, com fechamento de lojas nas grandes cidades, e o quadro se sustenta e aumenta em abril”, disse o gerente da pesquisa, Cristiano Santos.

Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as vendas também tiveram perdas de 16,8%, contra expectativa de recuo de 13,6%.]

O consumo vem sendo contido no país tanto pelo fechamento de lojas físicas e outros estabelecimentos como também pelas incertezas em torno dos impactos da pandemia sobre a economia e o mercado de trabalho.

Abril foi a primeira vez em que a pesquisa trouxe os resultados de um mês inteiro com o país sob isolamento social. Isso fez com que todas as atividades analisadas sofressem perdas, o que aconteceu segundo o IBGE apenas pela terceira vez desde o início do levantamento.

A queda mais acentuada foi em Tecidos, vestuário e calçados (-60,6%), seguido de Livros, jornais, revistas e papelaria (-43,4%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-29,5%).

Setores considerados essenciais na pandemia também tiveram recuo em abril, depois de subirem no mês anterior — as vendas de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo caíram 11,8%, enquanto as de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos tombaram 17%.

“Tivemos também uma redução da massa salarial que, entre o trimestre encerrado em março para o encerrado em abril, caiu 3,3%, algo em torno de 7 bilhões de reais. Isso também refletiu nessas atividades consideradas essenciais”, explicou Santos.

No varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, as vendas despencaram 17,5% em abril, sendo que a atividade de veículos, motos, partes e peças apresentou perdas de 36,2% e a de material de construção recuou 1,9%.

“A queda foi generalizada e em quase todas ela foi recorde, com exceção de veículos, móveis e material de construção, que tiveram quedas maiores no mês anterior. São 7 recordes negativos em abril”, completou Santos.

O IBGE informou ainda que, do total de empresas consultadas, 28,1% relataram impacto em suas receitas em abril das medidas de isolamento social, contra 14,5% no mês de março.

*Com informações de Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier, da Agência Reuters.

Dados da economia do Brasil apresentam sinais de desaceleração da atividade.
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