OMS, a doença de um sistema | Por Ângelo Augusto Araújo

OMS tem destacada atuação em campanhas internacionais de vacinação.OMS tem destacada atuação em campanhas internacionais de vacinação.

A origem da Organização mundial de Saúde (OMS) tem sua antecedência datada em 1851, quando diversas nações se reuniram para promover as Conferências Sanitárias Internacionais. Os objetivos dessas conferências eram conter doenças que ameaçavam a segurança e a sobrevivência humana no planeta, como a febre amarela e a cólera. Refletindo a história das devastações pandêmicas, tendo como exemplo a Varíola que assolou a humanidade por milhares de anos, assim como, a Peste Bubônica (relacionada com a Peste Negra) que dizimou grande parte da população europeia no século VI e XIV, assim como, da Índia e da China no século XIX, as instituições de saúde propuseram a criação de um instrumento internacional que vigiasse a saúde e os interesses humanos, independentemente das fronteiras (transfronteiras).

Em 1945, após as atrocidades humanas da segunda grande guerra, delegados provenientes da China, Noruega e Brasil, criaram uma Organização Internacional de Saúde ligado as Nações Unidas.  Em 1946, com o nome de Organização Mundial de Saúde, 61 países, assinaram a recomendação da criação dessa instituição para as Nações Unidas. Somente em 1948, a OMS foi formalmente estabelecida.

Desde que foi criada, a OMS tem sido um importante instrumento de proteção humana e da relação do homem com o planeta. Inúmeras ações são criadas anualmente, em diversas frontes, que objetivam estabelecer essa relação harmônica do homem com o homem e do homem com o planeta.  As desarmonias dessas relações são refletidas como patologias agudas e crônicas para os envolvidos.  As ações voltadas as questões de proteção e combate das diversas doenças, quando ocorrem conflitos com os interesses ideológicos e políticos de determinadas nações, de imediato, a OMS é patologicizada, acusada de ineficácia e ameaçada a sua existência.

Recentemente, a OMS vem sendo vítima de acusações desleais por governos extremistas[1],[2] que, sem instrumentos que ocultem os seus propósitos desumanos, individualistas e excludentes, voltados as questões econômicas, ignoraram os sinais de alerta emitidos, desde dezembro de 2019, sobre os riscos da Covid-19, acusaram a OMS de omissão. Esses governos desconsiderando os sinais de alerta, preocupados com as questões econômicas refletidos pelos interesses políticos, vêm demonstrando ser um total desastre no controle da pandemia, a exemplo dos Estados Unidos da América (EUA) e Brasil, ranqueados em 1º e 2º lugar, respectivamente, quanto aos números de contaminados e óbitos[3].  Os países que se atentaram para as recomendações da OMS, não aparecem com discursos persuasivos, apresentando controles pandêmicos menos desastrosos.

As semelhanças políticas ideológicas dos dois países citados são muito parecidas em diversos discursos, não foram diferentes nas desconsiderações com um órgão de extrema importância da defesa humana no mundo. Apesar da igualdade dos discursos, existem abismos colossais entre o desenvolvimento econômico e social dos dois países, todavia, o ritmo de crescimento da desigualdade social nos EUA nunca teve em patamares tão elevados, assim como, o ranking da desigualdade do Brasil é um dos piores do planeta.

Com o propósito de defender os interesses transfronteiras da humanidade, atualmente a OMS está patologicizada, sendo discutida por populares que apontam a instituição como duvidosa, não refletindo a complexidade da comunicação, que sob ameaça da retirada de recursos, poderá ficar enfraquecida e não ter forças para defender os interesses de todos os seres humanos.

No site da OMS[4] existem diversos instrumentos de comunicação, documentos com as respectivas datas, emitidos para todos os governos que a compõem. Estão evidentes as antecedências dos comunicados, as estratégias de preparação para o enfrentamento do Sars-CoV-2, instruções de montagem da retaguarda, mecanismos de aquisições dos insumos, entre outros. Existem no site, diversos assuntos de interesse humano.

Portanto, a OMS que representa um dos maiores instrumentos de defesa dos interesses humanos, tem como objetivo estabelecer a relação saudável do homem com o homem e do homem com o planeta, criada a partir de diversas lutas ideológicas que tem como base os princípios da dignidade humana, fundamentados no direito da igualdade e fraternidade, está sendo enfraquecida, ameaçada, um sistema de proteção humana adoecido por discursos persuasivos políticos, embutindo na mente da população a desconsideração e a destruição de um dos maiores instrumentos de proteção da humanidade.

Recomenda-se, antes de debates vulgares a respeito da OMS, visitar o site da instituição e verificar todos as frontes de ações realizadas, que estão sendo feitas e que se farão. Observar todos os documentos que foram enviados e estão disponíveis para os governos e para a população a respeito do combate a Covid-19 (4).

*Ângelo Augusto Araújo ([email protected]), médico, pesquisador, doutor em saúde pública e doutorando em Bioética pela Universidade do Porto.

[1] Trump ameaçando cortar as relações com a OMS. https://www.washingtonpost.com/nation/2020/05/19/who-funding-trump/, acessado dia 13/06/2020
[2] Bolsonaro ameaça sair da OMS. https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-ameaca-deixar-oms-caso-orgao-mantenha-atuacao-partidaria/
[3] Dados consultados no site: https://www.worldometers.info/coronavirus/, acessado dia 13/06/2020.

[4] Os dados com informações gerais da OMS, as frontes diversas, instrumentos de pesquisa, orientações para população, etc. No site contêm todas as recomendações para os governos e para população relacionados com a forma de enfrentamento da Covid-19. https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019, acessado dia 13/06/20.

OMS tem destacada atuação em campanhas internacionais de vacinação.

OMS tem destacada atuação em campanhas internacionais de vacinação.

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About the Author

Ângelo Augusto Araújo
Dr. Ângelo Augusto Araujo (e-mail de contato: [email protected]), médico, MBA, PhD, ex-professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em oftalmologia clínica e cirúrgica, retina e vítreo, Tese de Doutorado feita e não defendida na Lousiana State University, EUA, nos seguintes temas: angiography, fluorescent dyes, microspheres, lipossomes e epidemiologia. Doutor em Saúde Pública: Economia da Saúde (UCES); Doutorando em Bioética pela Universidade do Porto; Master Business Administration (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas; graduado em Ciências Econômicas e Filosofia; membro do Research fellow do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Sergipe; membro da Academia Americana de Oftalmologia; da Sociedade Europeia de Retina e Vítreo e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia; e diretor-médico da Clínica de Retina e Vítreo de Sergipe (CLIREVIS), em Aracaju, Sergipe.