Em maio de 2020, pandemia dificultou acesso de 2,9 milhões de pessoas ao mercado de trabalho na Bahia

Tabela do IBGE informa números da população desempregada por estado da federação. Dados são de maio de 2020.
Tabela do IBGE informa números da população desempregada por estado da federação. Dados são de maio de 2020.

Em maio de 2020, 851 mil pessoas de 14 anos ou mais de idade estavam desocupadas na Bahia, ou seja, procuraram trabalho, mas não encontraram. Além delas, outras 2,041 milhões não estavam trabalhando, queriam trabalhar, mas nem chegaram a procurar emprego por causa da Covid-19 ou por falta de oportunidades na região onde viviam.

Somando-se os dois grupos, chegava-se a 2,893 milhões de pessoas que tiveram dificuldade de conseguir trabalho em maio, na Bahia, impactadas de alguma forma pela pandemia.

Esse era o segundo maior contingente dentre os estados, abaixo apenas do verificado em São Paulo (5,988 milhões de pessoas), estado mais populoso do Brasil.

Na Bahia, esse grupo representava 24,2% de toda a população de 14 anos ou mais na Bahia, ou seja, quase 1 em cada 5 pessoas no estado viram a pandemia de alguma forma interferir na busca por trabalho.

No Brasil como um todo, em maio, havia 10,129 milhões de desocupados, e outras 26,294 milhões de pessoas não estavam trabalhando, queriam trabalhar, mas não procuraram emprego em razão da pandemia ou por não haver vagas. No total 36,423 milhões de pessoas foram de alguma forma impactadas na sua busca por trabalho.

Na Bahia, a taxa de desocupação em maio foi de 14,2% (percentual de pessoas desocupadas em relação às que estavam na força de trabalho, fossem ocupadas ou procurando trabalho). Apesar de ter ficado num patamar inferior ao verificado no 1o trimestre pela PNAD Contínua Trimestral (18,7%), foi a 2a taxa mais alta entre os 27 estados e bem acima do indicador nacional (10,7%). Apenas o Amapá (15,8%) teve taxa de desocupação maior que a baiana

1 em cada 5 trabalhadores baianos foi afastado pela necessidade de isolamento social (22,7%); 280 mil entraram em home office

Além de ter dificultado a busca por trabalho para um grupo significativo de pessoas, a pandemia da Covid-19 também afetou aquelas que já estavam trabalhando.

Em maio, 5,125 milhões pessoas trabalhavam na Bahia (estavam ocupadas), o que representava 42,9% do total da população de 14 anos ou mais de idade (nível de ocupação). Esse indicador (42,9%) ficou abaixo do menor nível da ocupação verificado para a Bahia na série histórica da PNAD Contínua Trimestral, iniciada em 2012, que foi de 47,3%, no 1o trimestre de 2020.

Das pessoas que estavam trabalhando em maio no estado, 48,0% (2,461 milhões) estavam na informalidade, ou seja, eram empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos sem carteira assinada; empregadores ou trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; ou trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio ou parente.

Na Bahia, do total de trabalhadores, fossem formais ou informais, 22,7% (1,165 milhão de pessoas) estavam temporariamente afastados do trabalho em maio em virtude da necessidade de isolamento social.

O percentual de afastados na Bahia (22,7%) era maior que o do país como um todo (18,6%), mas apenas o 11o entre as 27 unidades da Federação. Amapá (35,2%), Ceará (32,2%) e Maranhão (30,2%) tinham as maiores proporções, enquanto Rondônia (8,0%), Santa Catarina (8,0%) e Mato Grosso do Sul (8,2%) tinham as menores.

Dentre as pessoas ocupadas na Bahia, em maio, um outro grupo de 280 mil (5,5% da população ocupada) estava trabalhando em regime remoto, de home office/teletrabalho, em consequência da necessidade de isolamento social. O percentual baiano estava abaixo do verificado no país como um todo (10,3% ou 8,7 milhões de pessoas trabalhando de forma remota) e era o quinto mais baixo entre os estados.

Pará (3,8%), Mato Grosso (3,9%) e Maranhão (4,4%) tinham os menores percentuais de trabalhadores em home office, enquanto Distrito Federal (19,4%), Rio de Janeiro (17,3%) e São Paulo (15,5%) tinham os maiores.

Somando quem foi afastado do trabalho com os que entraram em home office, a pandemia da Covid-19 interferiu de alguma forma no de 1,445 milhão pessoas na Bahia, ou 28,2% da população ocupada no estado.

Na Bahia, em maio, 4 de cada 10 trabalhadores (42,4%) tiveram redução de rendimento, que ficou em média 21,7% menor que o habitual

A pandemia também teve impacto no rendimento médio mensal dos que estavam trabalhando em maio.

Na Bahia, 4 em cada 10 pessoas ocupadas (42,4% ou 2,127 milhões de trabalhadores) tiveram redução no que de fato receberam no mês (rendimento efetivo), comparando com o que costumavam receber (rendimento habitual).

O percentual de trabalhadores com redução salarial na Bahia (42,4%) foi o terceiro maior entre os estados. Ficou abaixo apenas dos verificados em Sergipe (43,0% dos ocupados tiveram rendimento efetivo menor do que o habitual em maio) e Amapá (42,6%).

No Brasil como um todo, 36,4% das pessoas que estavam trabalhando em maio tiveram rendimento efetivamente recebido no mês menor que o habitualmente recebido.

A redução média no rendimento de trabalho na Bahia foi de 21,7%. Habitualmente, os trabalhadores no estado recebiam um rendimento médio mensal de R$ 1.555 e, em maior, receberam efetivamente R$ 1.218 (menos R$ 338).

Todas as 27 unidades da Federação registraram rendimento médio de trabalho efetivo em maio menor que o habitual. A taxa de redução na Bahia (-21,7%) foi a quarta mais intensa. Pernambuco (-22,4%), Sergipe (-22,2%) e Rio de Janeiro (-21,8%) tiveram as maiores reduções, enquanto Mato Grosso (-9,8%), Rondônia (-9,9%) e Roraima (-10,1%) tiveram as reduções menos intensas.

No Brasil como um todo, a diferença foi de -18,6% entre o o habitualmente recebido (R$ 2.320) e efetivamente recebido em maio (R$ 1.899).

1,5 milhão de pessoas tiveram ao menos um sintoma de síndrome gripal em maio, na Bahia; dessas 14,4% procuraram estabelecimento de saúde

Em maio, na Bahia, 1,461 milhão de pessoas, ou 9,8% da população, apresentaram pelo menos 1 dos 12 sintomas associados à síndrome gripal investigados pela PNAD COVID19: febre, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar, dor de cabeça, dor no peito, náusea, nariz entupido ou escorrendo, fadiga, dor nos olhos, perda de olfato ou paladar e dor muscular.

Apesar de o estado ter tido o 6o maior número absoluto de pessoas relatando ao menos um sintoma, percentualmente (9,8%), a Bahia ficou em 17o lugar entre as 27 unidades da Federação.

No Brasil, em maio, 24 milhões de pessoas apresentaram ao menos um sintoma de gripe, o que representou 11,4% da população. Os maiores percentuais de pessoas com ao menos um sintoma ocorreram no Amapá (26,6%), Pará (21,3%) e Amazonas (18,9%); os menores em Mato Grosso (5,4%), Piauí (5,6%) e Mato Grosso do Sul (5,9%).

Em números absolutos, São Paulo (5,2 milhões de pessoas com ao menos um sintoma), Minas Gerais (2,4 milhões) e Pará (1,8 milhão) lideraram, enquanto Roraima (75 mil), Acre (113 mil) e Tocantins (148 mil) tiveram os menores contingentes.

Dentre as cerca de 1,5 milhão de pessoas na Bahia que, em maio, tiveram ao menos um sintoma que pode estar associado à Covid-19, 221 mil (14,4%) procuraram atendimento médico em algum estabelecimento de saúde, fosse na rede pública ou privada.

Ou seja, pouco mais de 8 em cada 10 pessoas com algum sintoma (85,6%) não procuraram atendimento médico. Esse foi o quinto percentual mais elevado de não procura por atendimento entre os estados.

No Brasil como um todo, 15,7% dos que apresentaram ao menos um sintoma (ou 3,8 milhões de pessoas) procuraram atendimento em estabelecimento de saúde. O percentual dos que procuraram foi maior no Amapá (28,0% dos que tiveram ao menos um sintoma), Pará (22,0%) e Roraima (21,4%). Os menores, por sua vez, ficaram com Minas Gerais (12,2%), Rio Grande do Sul (12,7%) e Santa Catarina (13,1%).

Tabela do IBGE informa números da população desempregada por estado da federação. Dados são de maio de 2020.
Tabela do IBGE informa números da população desempregada por estado da federação. Dados são de maio de 2020.
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