Donald Trump pediu ajuda à China para vencer eleição e ofereceu favores a ditadores, diz John Bolton

John Robert Bolton assuou como assessor do presidente Donald Trump.
John Robert Bolton assuou como assessor do presidente Donald Trump.

Em um retrato fulminante dos bastidores da política dos Estados Unidos, o ex-assessor de segurança nacional do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, John Bolton, acusou-o de irregularidades que incluem procurar explicitamente a ajuda do presidente chinês, Xi Jinping, para vencer a reeleição.

Bolton, antigo homem forte de política externa demitido por Trump em setembro devido a diferenças políticas, também disse que o presidente dos EUA mostrou disposição de interromper investigações criminais para dar “favores pessoais a ditadores que ele gosta”, diz trecho do livro publicado no New York Times.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre trechos de “The Room Where It Happened: A White House Memoir” publicados na quarta-feira no Wall Street Journal, no New York Times e no Washington Post.

As acusações fazem parte de um livro que o governo dos EUA entrou com processo na terça-feira para impedir Bolton de publicar, argumentando que continha informações sigilosas e comprometeria a segurança nacional.

A publicação retrata um presidente dos EUA zombado por seus principais assessores e que ficou exposto a acusações de improbidade muito mais extensas do que aquelas que levaram a Câmara dos Deputados, liderada pelos democratas, a aprovar processo de impeachment de Trump em 2019. O Senado, liderado pelos republicanos, absolveu Trump no início de fevereiro.

Segundo outro trecho do livro, invadir a Venezuela seria “genial”, porque “na realidade é parte dos EUA”.

O governo dos EUA divulgou que não é a favor do uso da força para derrotar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Assessor da Casa Branca diz que “nunca ouviu” Trump pedir ajuda a Xi para reeleição

O assessor comercial da Casa Branca Peter Navarro disse no domingo (21/06/2020) que estava na sala com o presidente Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping quando se reuniram, mas nunca ouviu o presidente dos EUA pedir a ajuda da China para conquistar a reeleição.

Navarro disse ao “State of the Union” da CNN que a alegação explosiva feita em um livro do ex-assessor de segurança nacional John Bolton era “apenas boba”, dado o quão duro Trump havia sido com a China e suas práticas comerciais desleais.

“Eu nunca ouvi isso. Eu estava na sala”, disse Navarro, ecoando as observações do representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, na semana passada.

Bolton deve enfrentar consequências —incluindo potencialmente um tempo na prisão— pelo uso de informações altamente sigilosas ao longo do livro, disse Navarro.

Navarro, um feroz crítico da China, também reviveu uma disputa de longa data sobre a origem do novo coronavírus que inflama as tensões entre os Estados Unidos e a China nos últimos meses, mesmo depois que as duas maiores economias do mundo assinaram um acordo comercial de Fase 1 em janeiro.

Ele disse que o vírus era “um produto do Partido Comunista Chinês” e continuava sendo “uma questão em aberto” se foi criado propositalmente.

“Esse vírus saiu da China”, disse ele. “O Partido Comunista Chinês é responsável por isso. Eles criaram o vírus na China, esconderam por dois meses e mataram mais de 100.000 americanos.”

A China rejeita firmemente qualquer alegação de que tenha deliberadamente desencadeado o vírus.

Na semana passada, Trump renovou sua ameaça de cortar os laços com a China, tuitando que “uma dissociação completa da China” continuava sendo uma opção para os Estados Unidos.

*Com informações de Phil Stewart, Andrea Shalal e Nick Zieminski da Agência Reuters.

John Robert Bolton assuou como assessor do presidente Donald Trump.
John Robert Bolton assuou como assessor do presidente Donald Trump.
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