Covid-19: profissionais de saúde a luta pela vida | Por Ângelo Augusto Araújo

Artigo debate as questões relacionadas com o discurso governamental que enfatiza a proteção econômica, e desconsidera a magnitude das consequências pandêmicas pela Covid-19 para a população, especialmente, para os profissionais de saúde. Destaca que a política mal planejada de mitigação, transferirá a responsabilidade institucional para o profissional de saúde, que sob estresse, carga excessiva de trabalho e falta de leitos hospitalares, terá que decidir entre a vida e a morte, necropolítica.Artigo debate as questões relacionadas com o discurso governamental que enfatiza a proteção econômica, e desconsidera a magnitude das consequências pandêmicas pela Covid-19 para a população, especialmente, para os profissionais de saúde. Destaca que a política mal planejada de mitigação, transferirá a responsabilidade institucional para o profissional de saúde, que sob estresse, carga excessiva de trabalho e falta de leitos hospitalares, terá que decidir entre a vida e a morte, necropolítica.

Desde o começo da pandemia, os relatos de contágios e perdas dos profissionais da saúde somam-se a cada dia (1),(2),(3),(4),(5). Envolvidos com o manuseio dos pacientes com a Covid-19, os trabalhadores da saúde vive em meio de grandes responsabilidades (6), sob atividades estafantes, entre troca de plantões, salários atrasados, medo de contaminação, e pressionados a tomar decisões de quem irá viver e de quem irá morrer pela falta de recursos, assim como,  inseguros pela sua própria vida (7),(8),(9). O setor de saúde e seus profissionais encontram-se nesse cenário devastador, sofrendo diretamente o impacto de uma doença sem predileções de classe, que desrespeita os estamentos e atinge a todos, absorvendo as consequências das más decisões das gestões públicas que não priorizaram a saúde coletiva e as questões humanas, a necropolítica:

A necropolítica é um conceito desenvolvido pelo pesquisador camaronês da teoria Pós-colonial Achille Mbembe (10), doutor em filosofia pela Universidade de Sorbonne, em Paris. Segundo o pesquisador, essa forma de política contemporânea abrange as várias maneiras pelas quais o exercício da necropolítica é utilizada para definir o direito de quem vive, ou quando as pessoas devem morrer.

A gestão pública brasileira com planejamentos deficientes (11), passando por cima dos conceitos fundamentais constitucionais, transferindo as responsabilidades do Estado-nação de encontrar soluções coletivas para o cidadão como indivíduo, movendo-se na direção da necropolítica (10), deixa de observar os princípios constitucionais prescritos nos seguintes artigos (12):

Art. 5º – todo e qualquer cidadão deve ser tratado sem distinção e sem a violabilidade dos direitos a liberdade, igualdade e segurança

Art.196 – afirma que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediantes políticas SOCIAIS e ECONÔMICAS que objetivem a redução dos riscos de doenças e seus agravos, assim como, o acesso universal e igualitário às ações e serviços que garantam a PROMOÇÃO, PROTEÇÃO e RECUPERAÇÃO

Os processos decisórios são fundamentados nas bases éticas e constitucionais de cada ato que se propõem as diversas profissões. As ocupações relacionadas aos cargos de liderança, qualquer que seja, setores públicos e privados, no caso, o próprio profissional de saúde e a relação com o seu público alvo, os pacientes, terão obrigações éticas e legais a cumprirem.

Nos processos decisórios dos gestores públicos para enfrentamento da pandemia pela Covid-19, o que se percebe, entre alguns deles, é que existe uma transferência gradual de responsabilidades, ou seja, do Estado-Nação para a população e, especificamente observado nesse artigo, para os profissionais de saúde, que, pela falta de recursos de proteção (EPI – Equipamento de Proteção Individual), adequado para o nível de risco de contágio, somado as deficiências do planejamento de contingenciamento, terão que decidirem pela vida dos seus pacientes, de si próprio e de seus familiares.

O uso do necropoder, ou seja, poder de vida e morte sobre os cidadãos, é colocado em curso através da necropolítica governamental, cujos atos são contrários aos interesses da população e dos profissionais de saúde em manterem as próprias vidas. Como exemplo, observa-se no mercado hiperinflacionado de EPI (13), a transferência de obrigação da gestão coletiva para o individuo na busca de equipamentos de proteção. O que demonstra isso é o aumento da procura individual por EPIs pelos profissionais de saúde (14), objetivando garantir os mecanismos de defesas e assegurar o exercício ideológico da profissão, salvar vidas. Assim como, manter a possibilidade de auto sustentação financeira e continuar a sua rotina.

Objetivo e proposta de análise

Baseando nas argumentações anteriormente expostas, o artigo propõe uma análise conceitual da afirmação, que fundamentam os direcionamentos e as atitudes que caracterizam o discurso da necropolítica (10), que transfere e empurra os processos decisórios para os profissionais de saúde, assim como, oculta a deficiência de atitudes proativas relacionadas com a proteção de um trabalhador fundamentalmente importante no curso dessa guerra contra o novo coronavírus (15),(16):

“Vai morrer muito mais gente por uma economia que não anda do que por coronavírus”, presidente do Brasil Jair Bolsonaro (17)

O necropoder desconsidera a magnitude da pandemia e, consequentemente, desrespeita a constituição, sendo que na sua lógica, entende que a prioridade é a força de trabalho, a saúde do trabalhador em segundo plano, distorce a percepção de produtividade e desconsidera a necessidade do achatamento da curva de contaminação, que tem como finalidade a diminuição da demanda para o setor de saúde, que por sinal, está em vias de colapso (18),(19),(11),(20),(21), como por exemplo, o estado de São Paulo que está com 70,2%,  e a região metropolitana com 80,1% dos leitos de UTI ocupados, respectivamente (22).

Debate: Brasil, realidade, necropolítica e a análise da afirmação

Essa afirmação tem certa lógica, quando se argumentam os riscos de descontrole social e violência junto com a fome e a miséria, contudo, não exclui ser um ponto de vista reducionista, mas válido (23),(24). Entretanto, na óptica de liderança e responsabilidade constitucional de um país (25), existe o que pode se argumentar como a transferência de responsabilidade, inconstitucionalidade, por parte dos governantes que adotam essa premissa, necropolítica.

No caso do Brasil, o artigo 196 da Constituição (12), deixa claro que é obrigação do estado adotar POLÍTICAS SOCIAIS e ECONÔMICAS que visem a redução dos riscos de doença e seus agravos.

Os governos de muitos países vêm adotando medidas econômicas volumosas para os cuidados dos cidadãos (26),(27),(28), com o intuito de tranquilizá-los dos transtornos financeiros e manter o isolamento social, objetivando a diminuição das demandas nas unidades de saúde, preocupados com a escassez de equipamentos de proteção para os profissionais e pacientes (29),(30),(31),(32), e da quantidade de leitos ofertados, tentando evitar com isso, a perda de profissionais de saúde e a transferência da decisão de quem irá viver e quem irá morrer (9). Até que se tenha certeza das medidas de segurança que serão adotadas para os retornos das atividades, de um modo geral, os países têm como valor maior a vida (33), honrando, com isso, os preceitos constitucionais de cidadania.

Logicamente, que os discursos que enfatizam o desemprego que, consequentemente, gerará a fome e irá aumentar a vulnerabilidade do individuo, não deixa de ser válido (34),(24). Entretanto, trata-se de um problema recorrente observados nas outras endo-epidemias cíclicas que existem, o que agravará ainda mais o embate contra o coronavírus. Contudo, é a relação da razão entre política econômica e saúde dos indivíduos, igual as consequências que devem pesar nesse momento. E nesse momento, é responsabilidade do Estado-nação adotar medidas que protejam os cidadãos e seus direitos constitucionais (12),(25), (23),(24).

O que se vê são nações e blocos econômicos pesadamente aumentando o influxo de dinheiro na economia, como citado (26),(27),(28), evidentemente pensando minuciosamente na retomada da economia e, principalmente, na proteção da vida do cidadão, objetivando as medidas de segurança com a permanência do isolamento social, não transferindo a responsabilidade do Estado-nação para o indivíduo.  No Brasil, nesse momento de crise pandêmica que ameaça a integridade física, mental e social de um país, destruição de parte da sua população e dos aspectos conjunturais de identidade como nação, é obrigação do Estado-nação procurar meios para manter o individuo seguro, em casa, transferindo o sentimento de coletividade e não de individualismo (23),(12). As atitudes adotadas para conter a expansão da epidemia (24), até então, têm demonstradas ser ineficazes, podendo ser observadas pela aumento crescente do número de novos casos e óbitos, assim como, a baixa aderência populacional ao isolamento social (35).

O problema é de todos e todos são representados pelo estado, e o estado tem por obrigação constitucional preservar a vida, a saúde mental, física, econômica e social dos indivíduos que o constituem (12). Caso contrário, a não observação dos direitos constitucionais do indivíduo, que ofereça proteção socioeconômica, as políticas de mitigação não atingirão os objetivos.

As políticas de mitigação não atingindo os objetivos de achatamento da curva pandêmica, como comentado anteriormente, aumentará a demanda por atenção hospitalar (18),(19),(11),(20),(21). Consequentemente, resultará em maior sobrecarga de trabalho e exposição aos riscos de contágio pelos profissionais de saúde (25)(32),(36). Que poderá resultar em um ciclo vicioso, causado por aumento de afastamento profissional e sobrecarga de trabalho, resultando em estresse (37),(8) e transferência da responsabilidade para os profissionais ativos da decisão de quem irá viver e quem morrerá (9).

Portanto, tratando da importância da proteção do trabalhador da saúde nesse momento de pandemia, no entendimento que compõe a relação de produtividade e força de trabalho, está embutido a obrigação institucional de proteção da saúde do trabalhador (12). O desrespeito dessa relação por instituições de qualquer natureza, seja pública ou privada, é considerado um ato inconstitucional, que poderá ser questionado juridicamente. É obrigação das instituições adquirirem instrumentos que assegure a proteção individual do trabalhador no exercício da profissão. Focar na força produtiva do trabalho é desconsiderar a relação que existe entre a força produtiva do individuo e a sua saúde, transforma-o em uma máquina de produzir e desconsidera a humanidade do ser.

Conclusão

Nesse momento crítico, o que se observa no Brasil é uma transferência da responsabilidade do Estado para os cidadãos, deixando claro a ideia de que todos têm, individualmente, que buscar suas soluções, mesmo em momentos de guerra, crise pandêmica, em um estado mínimo.

Observando que isso está acontecendo de forma contrária em outros países, os quais tem os princípios éticos fundamentados na valorização da vida, igualdade e fraternidade, assim como na identidade de cidadania e constituição de um Estado-nação. No contexto, destaca-se que os países vêm aumentando bruscamente a oferta de recursos para a saúde, e adotando atitudes econômicas para que a população mantenha as políticas de mitigação.

No Brasil devido a anergia e ao desrespeito aos princípios constitucionais da nação, a população começa a raciocinar com a barriga e procura as soluções que o estado não oferece; os profissionais de saúde são expostos como soldados rasos, como se existisse um grande contingente de reserva, sem as mínimas condições de trabalho; recursos públicos são desperdiçados em ações mal planejadas e desviados dos objetivos. Tudo isso, conduzindo a transferência da responsabilidade do Estado-nação com o individuo, ao individuo, pela sua própria sobrevivência durante a pandemia.

As condições que estão sendo estruturadas, demonstradas pelos números crescentes de novos casos e óbitos,  destacado por artigo que sugere que o Brasil tem a maior taxa de contágio do mundo (38), são certificadas pelas afirmações analisadas que refletem os caminhos para necropolíticas, sendo o poder de decisão e enfrentamento da pandemia, transferida para a população e, especialmente, para os profissionais da saúde que terão de tratar, sem os devidos recursos, diariamente as pessoas infectadas.

Os trabalhadores da saúde, soldados rasos, são pessoas, seres humanos, que têm sentimentos e família, que poderão ir para guerra e não mais voltar, lutando na linha de frente, e sem as condições mínimas de trabalho, terão que decidir pela VIDA e pela MORTE, de si própria e dos outros, necropolítica.

*Ângelo Augusto Araújo ([email protected]), médico, pesquisador, doutor em saúde pública e doutorando em Bioética pela Universidade do Porto.

Referências

1.           Zhan M, Qin Y, Xue X, Zhu S. Death from Covid-19 of 23 Health Care Workers in China. N Engl J Med. 2020 Apr 15;

2.           Corsini I. Pesquisa mostra quais profissões estão mais expostas ao novo coronavírus | CNN Brasil [Internet]. CNN Brasil. 2020 [cited 2020 May 2]. Available from: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/04/07/profissoes-mais-expostas-a-covid-19

3.           G1. Profissionais de saúde representam quase 20% dos casos confirmados de Covid-19 na PB | Paraíba | G1 [Internet]. G1. 2020 [cited 2020 May 2]. Available from: https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2020/04/14/profissionais-de-saude-representam-quase-20percent-dos-casos-confirmados-de-covid-19-na-pb.ghtml

4.           Uol. Coronavírus: Brasil supera 10 mil enfermeiros afastados e 88 mortos, o dobro da Itália [Internet]. Uol. 2020 [cited 2020 May 6]. Available from: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/05/06/covid-19-atinge-mais-de-10-mil-enfermeiros-com-88-mortes-dobro-da-italia.htm

5.           Nagesh S, Chakraborty S. Saving the frontline health workforce amidst the COVID-19 crisis: Challenges and recommendations. J Glob Health. 2020 Jun 1;10(1):1–4.

6.           Albuquerque AL, Barbon J. Médicos do Rio trabalham com salário atrasado e sintomas de coronavírus – 30/04/2020 – Equilíbrio e Saúde – Folha [Internet]. Folha de São Paulo. 2020 [cited 2020 May 1]. Available from: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/04/medicos-do-rio-trabalham-com-salario-atrasado-e-sintomas-de-coronavirus.shtml

7.           Shanafelt T, Ripp J, Trockel M. Understanding and Addressing Sources of Anxiety among Health Care Professionals during the COVID-19 Pandemic. Vol. 323, JAMA – Journal of the American Medical Association. American Medical Association; 2020. p. 2133–4.

8.           Simons G, Baldwin DS. Covid-19: Doctors must take control of their wellbeing. Vol. 369, The BMJ. Southampton – UK: BMJ Publishing Group; 2020.

9.           Greenberg N, Docherty M, Gnanapragasam S, Wessely S. Managing mental health challenges faced by healthcare workers during covid-19 pandemic. Vol. 368, The BMJ. BMJ Publishing Group; 2020.

10.         Mbembé J-A, Meintjes L. Necropolitics. Public Cult. 2003;15(1):11–40.

11.         The Lancet. COVID-19 in Brazil: “So what?” [Internet]. Vol. 395, The Lancet. Elsevier Ltd; 2020. p. 1461. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(20)31095-3

12.         Governo do Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 [Internet]. Brasil 1988. Available from: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

13.         Cremepe. PREÇOS DOS PRODUTOS DISPARAM – Cremepe [Internet]. Conselho Regional de Medicina do Pernambuco. 2020 [cited 2020 Jun 7]. Available from: http://www.cremepe.org.br/2020/04/24/precos-dos-produtos-disparam/

14.         Rebello A. Profissionais da saúde compram EPI por conta própria para se proteger em SP [Internet]. 2020 [cited 2020 Jun 7]. Available from: https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/04/06/com-falta-de-epi-para-coronavirus-profissionais-compram-mascaras-covid-19.htm

15.         Chersich MF, Gray G, Fairlie L, Eichbaum Q, Mayhew S, Allwood B, et al. COVID-19 in Africa: care and protection for frontline healthcare workers. Global Health. 2020 Dec;16(1).

16.         Lopez FG, Koga PLDMPSCTBNM. MAPEAMENTO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE NO BRASIL: ALGUNS APONTAMENTOS EM VISTA DA CRISE SANITÁRIA DA COVID-19. http://www.ipea.gov.br. 2020;

17.         Murakawa F. Bolsonaro: Vai morrer muito mais gente por uma economia que não anda do que por coronavírus | Política | Valor Econômico [Internet]. Valor. 2020 [cited 2020 Jun 7]. Available from: https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/03/17/bolsonaro-vai-morrer-muito-mais-gente-por-uma-economia-que-no-anda-do-que-por-coronavrus.ghtml

18.         Sudré L. Mais de 80% dos leitos de UTI estão ocupados nos 5 estados com | Saúde [Internet]. Brasil de Fato. 2020 [cited 2020 Jun 7]. Available from: https://www.brasildefato.com.br/2020/05/06/mais-de-80-dos-leitos-de-uti-estao-ocupados-nos-5-estados-com-mais-casos-da-covid-19

19.         Ainslie KEC, Walters C, Fu H, Bhatia S, Wang H, Baguelin M, et al. Report 11 : Evidence of initial success for China exiting COVID-19 social distancing policy after achieving containment. 2020;(March):1–8.

20.         Mellan TA, Hoeltgebaum HH, Mishra S, Whittaker C, Schnekenberg RP, Gandy A, et al. Report 21: Estimating COVID-19 cases and reproduction number in Brazil. [cited 2020 Jun 5]; Available from: https://doi.org/10.25561/78872

21.         Bastos SB, Cajueiro DO. Modeling and forecasting the early evolution of the Covid-19 pandemic in Brazil. 2020 [cited 2020 May 26]; Available from: http://arxiv.org/abs/2003.14288

22.         Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo. Coronavírus – dados completos [Internet]. São Paulo – SP: Governo do Estado de São Paulo; 2020 [cited 2020 Jun 8]. Available from: https://www.seade.gov.br/coronavirus/

23.         Borges, Luna; Palácios, Marisa; Rego S et al. O aparente dilema implicado pela pandemia da COVID-19 : salvar vidas ou a economia ? Obs Covid-19, [Internet]. 2020 [cited 2020 Jun 8];1–4. Available from: http://www.quotidianosanita.it/studi-e-analisi/articolo.php?articolo_id=83114.

24.         Rego S. O direito à renda básica no Brasil em tempos de Covid-19. Obs Covid-19 [Internet]. 2020 [cited 2020 Jun 8];1–3. Available from: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2020/Lei/L13982.htm

25.         Ramos de Souza E, Njaine K, Peixoto Ribeiro A, Legay L, de Souza R, Cardoso Meira K. Violência Estrutural e Covid-19 [Internet]. ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva); 2020 [cited 2020 Jun 7]. Available from: https://www.abrasco.org.br/site/gtviolenciaesaude/2020/05/19/violencia-estrutural-e-covid-19/?fbclid=IwAR3cTlfzT4nLQ7iltceUuOdRLCIVze3tMz…1/7

26.         Reuters. Europe needs at least 500 billion euros from EU institutions for recovery: ESM – Reuters [Internet]. REUTERS. 2020 [cited 2020 May 1]. Available from: https://www.reuters.com/article/us-health-coronavirus-eurozone-recovery/europe-needs-at-least-500-billion-euros-from-eu-institutions-for-recovery-esm-idUSKBN22104U

27.         Gov.UK. £2.9 billion funding to strengthen care for the vulnerable – GOV.UK [Internet]. GOV.UK. 2020 [cited 2020 May 1]. Available from: https://www.gov.uk/government/news/2-9-billion-funding-to-strengthen-care-for-the-vulnerable

28.         RFI. US agrees $2 trillion Covid-19 rescue plan, the largest in American history [Internet]. rfi. 2020 [cited 2020 May 1]. Available from: http://www.rfi.fr/en/economy/20200325-us-agrees-2-trillion-covid-19-rescue-plan-the-largest-in-american-history

29.         The Lancet. COVID-19: protecting health-care workers. Vol. 395, The Lancet. Lancet Publishing Group; 2020. p. 922.

30.         WHO. Protocol for assessment of potential risk factors for coronavirus disease 2019 (COVID-19) among health workers in a health care setting [Internet]. 2020 [cited 2020 Jun 7]. Available from: https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019/technical-guidance/early-

31.         Gallasch CH, Cunha ML da, Pereira LA de S, Silva-Junior JS. Prevenção relacionada à exposição ocupacional do profissional de saúde no cenário de COVID-19 [Prevention related to the occupational exposure of health professionals workers in the COVID-19 scenario] [Prevención relacionada cone la exposición ocupacional. Rev Enferm UERJ. 2020 Apr 2;28(0):e49596.

32.         Miranda FMD, Almeida, Santana L de L, Pizzolato AC, Saquis LMM. Condições de trabalho e o impacto na saúde dos profissionais de enfermagem frente a Covid-19. Cogitare enferm [Internet]. 2020 May 7 [cited 2020 Jun 7];25(PG-e72702-e72702):e72702–e72702. Available from: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/72702/pdfhttp://fi-admin.bvsalud.org/document/view/9gvgj NS  –

33.         UNESCO. Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos [Internet]. Lisboa – PT; 2006 [cited 2017 Jul 4]. p. 12p. Available from: http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001461/146180por.pdf

34.         Lemos P, Almeida-Filho N, Firmo J. COVID-19, desastre do sistema de saúde no presente e tragédia da economia em um futuro bem próximo. Brazilian J Implantol Heal Sci. 2020 Apr 27;2(4):39–50.

35.         Univ. F. Pelotas. Coordenação de Comunicação Social » COVID-19 no Brasil: várias epidemias num só país [Internet]. Pelotas – RS; 2020 [cited 2020 May 26]. Available from: http://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2020/05/25/covid-19-no-brasil-varias-epidemias-num-so-pais/

36.         Somsen GA, van Rijn C, Kooij S, Bem RA, Bonn D. Small droplet aerosols in poorly ventilated spaces and SARS-CoV-2 transmission. Lancet Respir Med [Internet]. 2020 May 27 [cited 2020 Jun 5];0(0). Available from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/32473123

37.         Adams JG, Walls RM. Supporting the Health Care Workforce during the COVID-19 Global Epidemic. Vol. 323, JAMA – Journal of the American Medical Association. American Medical Association; 2020. p. 1439–40.

38.         Agrela L. Estudo mostra que Brasil tem maior taxa de contágio de covid-19 no mundo | EXAME [Internet]. Exame. 2020 [cited 2020 May 1]. Available from: https://exame.abril.com.br/ciencia/estudo-mostra-que-brasil-tem-maior-taxa-de-contagio-de-covid-19-no-mundo/

Artigo debate as questões relacionadas com o discurso governamental que enfatiza a proteção econômica, e desconsidera a magnitude das consequências pandêmicas pela Covid-19 para a população, especialmente, para os profissionais de saúde. Destaca que a política mal planejada de mitigação, transferirá a responsabilidade institucional para o profissional de saúde, que sob estresse, carga excessiva de trabalho e falta de leitos hospitalares, terá que decidir entre a vida e a morte, necropolítica.

Artigo debate as questões relacionadas com o discurso governamental que enfatiza a proteção econômica, e desconsidera a magnitude das consequências pandêmicas pela Covid-19 para a população, especialmente, para os profissionais de saúde. Destaca que a política mal planejada de mitigação, transferirá a responsabilidade institucional para o profissional de saúde, que sob estresse, carga excessiva de trabalho e falta de leitos hospitalares, terá que decidir entre a vida e a morte, necropolítica.

Compartilhe e Comente

Redes sociais do JGB

Faça uma doação ao JGB

About the Author

Ângelo Augusto Araújo
Dr. Ângelo Augusto Araujo (e-mail de contato: [email protected]), médico, MBA, PhD, ex-professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em oftalmologia clínica e cirúrgica, retina e vítreo, Tese de Doutorado feita e não defendida na Lousiana State University, EUA, nos seguintes temas: angiography, fluorescent dyes, microspheres, lipossomes e epidemiologia. Doutor em Saúde Pública: Economia da Saúde (UCES); Doutorando em Bioética pela Universidade do Porto; Master Business Administration (MBA) pela Fundação Getúlio Vargas; graduado em Ciências Econômicas e Filosofia; membro do Research fellow do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Sergipe; membro da Academia Americana de Oftalmologia; da Sociedade Europeia de Retina e Vítreo e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia; e diretor-médico da Clínica de Retina e Vítreo de Sergipe (CLIREVIS), em Aracaju, Sergipe.