Abraham Weintraub anuncia saída do Ministério da Educação; Em vídeo, presidente Jair Bolsonaro e aliado confirmam mudança

Abraham Weintraub atacou ministros do STF e é investigado no inquérito das Fake News.
Abraham Weintraub atacou ministros do STF e é investigado no inquérito das Fake News.

Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira (18/06/2020), o economista Abraham Weintraub anunciou sua saída do cargo de ministro da Educação, que ocupava desde abril de 2019. Na gravação, ele aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

Os rumores da saída do ministro se intensificaram ao longo dessa semana, especialmente após a participação dele em manifestações de apoiadores do governo no domingo. Weintraub é investigado em inquérito sobre fake news, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), e também responde uma apuração na Corte por racismo por ter publicado um comentário depreciativo sobre a China.

“Sim, dessa vez é verdade. Eu tô saindo do MEC [Ministério da Educação], vou começar a transição agora e, nos próximos dias, passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou defnitivo”, afirmou Weintraub. Ele anunciou, na sequência, que assumirá um cargo de diretor no Banco Mundial, que tem sede em Washington, nos Estados Unidos.

“Não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe. O importante é dizer que recebi o convite para ser diretor de um banco, eu já fui diretor de um banco no passado, volto ao mesmo cargo, porém, no Banco Mundial. O presidente já referendou. Com isso, eu, a minha esposa, os nossos filhos, e até a nossa cachorrinha, Capitu, a gente vai ter a segurança que hoje me está deixando preocupado”, acrescentou.

O agora ex-ministro disse que seguirá apoiando o presidente da República e que compartilha dos mesmos valores, citando família, liberdade, franqueza e patriotismo. Após o anúncio de Weintraub, Jair Bolsonaro declarou que o “momento é difícil”, mas que mantém os mesmos compromissos assumidos durante a campanha.

“É um momento difícil. Todos os meus compromissos de campanha continuam em pé, e busco implementá-los da melhor maneira possível. Todos que estão nos ouvindo agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando, e o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade”, afirmou.

O governo ainda não confirmou quem assumirá o MEC no lugar de Abraham Weintraub.

Espero que Ministério da Educação possa ficar melhor; estava muito ruim, diz deputado Rodrigo Maia

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quinta-feira (18) que espera que o Ministério da Educação (MEC) possa ficar melhor com a saída do ministro Abraham Weintraub. “Estava muito ruim”, afirmou. “Todo mundo sabe minha posição. Não adianta ficar aqui reafirmando; acho que não é isso que vai melhorar diálogo com o MEC. Espero que possamos ter alguém comprometido no Ministério da Educação com futuro das nossas crianças”, disse.

Perguntado sobre nota do MEC que fala sobre a Câmara não ter aprovado Medida Provisória (MP) que previa a criação da carteira de identificação estudantil digital, Maia afirmou que não responderá a Weintraub. “Vou responder ao próximo.”

Ex-ministros do Governo Bolsonaro

Abraham Weintraub é o 10º ministro a deixar o governo Bolsonaro; média de 2020 é de uma saída por mês

Nelson Teich

Último a sair, em 15 de maio, Teich deixou a pasta pouco antes de completar um mês. Ele teve divergências com o presidente Bolsonaro por opiniões sobre o combate ao coronavírus no Brasil. Teich era a favor do distanciamento social, enquanto Bolsonaro defende que apenas pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento. Além disso, o ex-ministro da Saúde disse que a cloroquina deveria ser utilizada com restrições. O presidente, por sua vez, é um dos principais defensores do medicamento.

Sergio Moro

Sergio Moro pediu demissão do cargo no dia 24 de abril após a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da Polícia Federal. Ele acusa Bolsonaro de ter interferido nos trabalhos da Polícia Federal, o que fez com que uma investigação fosse aberta contra o presidente. O ex-AGU André Luiz Mendonça assumiu a pasta.

Luiz Henrique Mandetta

Luiz Henrique Mandetta deixou o Ministério da Saúde no dia 16 de abril. O médico gaúcho foi demitido do cargo após conflitos com o presidente durante a condução da crise causada pelo novo coronavírus. Enquanto Bolsonaro queria que o País voltasse a funcionar e as pessoas continuassem trabalhando, o ministro defendia o isolamento social e pedia para que os brasileiros ouvissem os governadores estaduais, que, em maioria, assumiram posição contrária à do presidente.

Osmar Terra

Osmar Terra deixou o Ministério da Cidadania no dia 13 de março, sendo substituído por Onyx Lorenzoni, até então ministro da Casa Civil. O desgaste entre Terra e Bolsonaro começou quando o presidente decidiu transferir a Secretaria Especial da Cultura para o Ministério do Turismo em meio a uma crise na pasta.

Gustavo Canuto

O ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, pediu demissão do cargo em 6 de fevereiro. Quem assumiu a pasta foi o então secretário especial da Previdência e Trabalho, Rogério Marinho. Canuto foi nomeado presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev).

Floriano Peixoto

O general Floriano Peixoto Vieira Neto saiu da Secretaria-Geral da Presidência em 21 de junho do ano passado e foi nomeado presidente dos Correios. Jorge Antônio de Oliveira Francisco, advogado, major da reserva da PM e subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, assumiu o cargo.

Santos Cruz

O general Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou o cargo de ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República por decisão do presidente Jair Bolsonaro em 13 de junho de 2019, primeira baixa militar. Ele foi substituído pelo general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste.

Ricardo Vélez

Ministro da Educação, Ricardo Veléz Rodriguez foi demitido em 8 de abril, após conflitos no Ministério da Educação provocados por desentendimentos entre assessores. Ele foi substituído por Abraham Weintraub.

Gustavo Bebianno

Gustavo Bebianno, que era ministro da Secretaria-Geral da Presidência, foi demitido em 18 de fevereiro de 2019 após desentendimentos com o presidente e seu filho Carlos Bolsonaro.

*Com informações da Agência Brasil, da Jovem Pan e de Marlla Sabino e Gustavo Porto, do Broadcast de Política do Estadão.

Abraham Weintraub atacou ministros do STF e é investigado no inquérito das Fake News.
Abraham Weintraub atacou ministros do STF e é investigado no inquérito das Fake News.
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