Vocês vão cair do cavalo, diz presidente Jair Bolsonaro sobre vídeo citado pelo ex-ministro Sérgio Moro

Jair Bolsonaro, presidente da República.
Jair Bolsonaro, presidente da República.
Jair Bolsonaro, presidente da República.
Jair Bolsonaro, presidente da República.

O presidente Jair Bolsonaro minimizou nesta quinta-feira (14,/05/2020) em transmissão online no Facebook, eventuais impactos políticos que causaria a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, citada em depoimento do ex-ministro Sérgio Moro em inquérito que apura se houve ou não interferência do presidente na Polícia Federal. Segundo Bolsonaro, quem espera um “xeque-mate” contra seu governo vai “cair do cavalo”.

“São dois trechos de 30 segundos que interessam ao processo. Da minha parte eu autorizo mostrar todos os 20 minutos”, disse Bolsonaro, que voltou a se mostrar contrário à divulgação completa do vídeo, que tem mais de duas horas de duração. “Espero que o ministro Celso de Mello libere os 20 minutos, não permita liberar o restante, pra evitar problemas com outros países que nós citamos ali”, completou o presidente, em referência ao magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) que comanda o inquérito.

Bolsonaro também reafirmou que não citou durante a reunião as expressões “Polícia Federal” nem “superintendência” e que não interferiu na PF. O presidente disse que nos trechos em que se refere a seus familiares, estaria demonstrando preocupação com a segurança de seus filhos, fonte de ansiedade para ele ainda maior do que o próprio bem-estar. De acordo com Bolsonaro, ele nunca tratou “de nada” sobre a PF e que “não tem como interferir” na instituição.

Na live, Bolsonaro também exibiu trechos de conversas entre a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e Sérgio Moro, então ministro da Justiça, no dia em que o ex-juiz da Lava Jato anunciou sua demissão do cargo no governo.

“Deixa eu entrar só 5 minutos. O Planalto que pediu, mas estou vindo não como parlamentar, mas como sua admiradora. Pelo NasRuas. Há 6 anos te defendo. Me ouve só um pouco. Tudo o que os criminosos querem é sua saída. Não dê esse gosto a eles, por favor. O Brasil precisa de vc”, teria escrito Zambelli a Moro, a que ele teria respondido “Se o PR anular o decreto de exoneração, ok”. “PR” é a sigla para “presidente da República”, usada entre apoiadores de Bolsonaro.

“Vamos supor que eu tivesse exonerado a exoneração do sr. Valeixo. Ele [Sérgio Moro] dá a entender que cancelaria a coletiva dele, voltaria ao seu trabalho normal e não se falaria mais em interferência. Isso daqui mata de vez a história de interferir na Polícia Federal. Ponto final. Pá de cal nesse negócio aí”, disse Bolsonaro, interpretando a troca de mensagens entre a deputada e o ex-ministro da Justiça.

*Com informações de Gregory Prudenciano e Pedro Caramuru, do Broadcast do Estadão.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9293 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).