Oposição na Câmara dos deputados critica churrasco do Jair Bolsonaro e marcha ao STF; Presidente ironiza críticas à aglomeração e promete churrasco para 3 mil

O presidente Jair Bolsonaro levou na quinta-feira (07/05/2020) empresários ao Supremo Tribunal Federal para cobrar o relaxamento do isolamento social.
O presidente Jair Bolsonaro levou na quinta-feira (07/05/2020) empresários ao Supremo Tribunal Federal para cobrar o relaxamento do isolamento social.

A oposição voltou a criticar a conduta do presidente da República, Jair Bolsonaro, diante da pandemia de Covid-19, especialmente a notícia de que ele pretende organizar um churrasco neste sábado para 30 convidados.

Bolsonaro anunciou o encontro em entrevista em frente ao Palácio da Alvorada. Para o líder da Oposição, deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), o presidente agiu com “escárnio”. “Este não é o momento de se fazer churrasco. Ele está querendo comemorar o número de vítimas no Brasil? O que ele está pensando em fazer? Quem ele pensa que é para agir desse jeito?”, condenou Molon. Ele lembrou que o PSB é autor de um dos pedidos de impeachment apresentados à Câmara.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) ressaltou que o Brasil é o novo epicentro do coronavírus e, portanto, o isolamento social deveria ser reforçado. “Nós estamos hoje com mais de 9 mil mortos. Mais de 30 pessoas, de onde venho, é festa. Não é momento de festa, é momento de salvar vidas”, afirmou.

STF

A ida de Bolsonaro e ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cobrar o relaxamento do isolamento social também foi alvo de críticas da oposição. A deputada Joenia Wapichana (Rede-RR) afirmou que é preciso frear as atitudes do presidente que vão na contramão do combate ao vírus. “Ele é irresponsável por fazer uma pressão que não caberia ao Supremo Tribunal Federal”.

Para o deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), já não se pode mais falar em economia versus saúde. “Nessa hora, tem que ajudar a saúde e salvar a vida, para depois a vida salvar a economia. Só que o Bolsonaro não entende disso. Ele quer salvar primeiro a economia para depois ver o que faz com a vida. É uma equação que não fecha”, afirmou.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) lembrou que o governo tem mecanismos para incentivar a manutenção dos empregos. “Não é hora de marchar ao STF, mas é necessário que se articulem políticas públicas, que se garanta a sobrevivência das empresas e que se garantam as condições sanitárias para que a quarentena se encerre mais rapidamente. É isso que nós temos que fazer!”, disse.

Pânico

O deputado Giovani Cherini (PL-RS) defendeu Bolsonaro. Para ele, é necessário reabrir a economia de forma inteligente. “Criou um pânico social e vamos ter mais gente morrendo de ansiedade e depressão do que de coronavírus”, afirmou. Ele criticou ainda as políticas de lockdown aplicadas por algumas cidades. “O presidente Bolsonaro tem muita razão na sua ansiedade: a economia também faz parte da saúde, não pode estar desconectada”, afirmou.

Jair Bolsonaro ironiza críticas à aglomeração e promete churrasco para 3 mil no Alvorada

O presidente Jair Bolsonaro ironizou nesta sexta-feira (08/05/2020) — dia em que o Brasil bateu recorde em registro diário de mortes pelo novo coronavírus, com 751 óbitos— as críticas que havia recebido desde a véspera quando disse que iria organizar um churrasco no Palácio da Alvorada no sábado, contrariando mais uma vez recomendações de distanciamento social.

No fim da tarde desta sexta, Bolsonaro disse que pretende receber cerca de 3 mil pessoas na confraternização na residência oficial.

“Quem estiver aqui amanhã a gente bota para dentro. Três mil pessoas no churrasco amanhã”, disse ele, aos risos e sob aplausos de apoiadores.

Desde a noite de quinta, Bolsonaro vem falando sobre o assunto. Primeiro ele tinha anunciado que iria receber cerca de 30 convidados para o churrasco e que cobraria 70 reais de cada um deles. Depois, em tom de pilhéria, vinha aumentando o número dos convidados.

A fala do presidente ocorre num momento em que ele volta a defender medidas de flexibilização do isolamento social.

O Brasil registrou mais 751 mortes em decorrência do coronavírus nesta sexta, atingindo a marca total de 9.897, enquanto o número de casos da doença no país teve alta diária de 10.222, chegando a 145.328, informou o ministério.

*Com informações da Agência Câmara e Reuters.

Redação do Jornal Grande Bahia
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