Negacionismo de líderes pode ter levado à disseminação de Covid-19 no Brasil, diz chefe de direitos humanos da ONU

Banner do JGB: Campanha ‘Siga a página do Jornal Grande Bahia no Google Notícias’.
Michelle Bachelet, comissária de Direitos Humanos da ONU.
Michelle Bachelet, comissária de Direitos Humanos da ONU.
Michelle Bachelet, comissária de Direitos Humanos da ONU.
Michelle Bachelet, comissária de Direitos Humanos da ONU.

O negacionismo de importantes líderes políticos no Brasil provavelmente levou à disseminação no país da Covid-19, doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, disse nesta quinta-feira (14/05/2020) a alta comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, que se declarou “realmente preocupada” com o Brasil e a situação local da pandemia.

“É claro que estamos realmente preocupados com o Brasil e a Covid-19, porque é um dos países com grande número de pessoas com Covid-19 e também um alto índice de mortes”, disse Bachelet ao ser indagada sobre a postura do presidente Jair Bolsonaro, que minimizou o coronavírus e participou de protestos que pedem o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de uma intervenção militar.

“Acreditamos que a negação no início de importantes líderes políticos provavelmente levou à disseminação da infecção, que se outras medidas tivessem sido tomadas desde o início, talvez isso pudesse ter sido revertido”, afirmou ela

Bachelet também foi diretamente indagada se a democracia brasileira está em risco por causa da postura de Bolsonaro. Sem citar diretamente o presidente, a chefe de direitos humanos da ONU, que presidiu o Chile por dois mandatos, reconheceu que os pedidos de uma intervenção militar por determinados grupos ameaçam a democracia brasileira.

“Nós também soubemos que certos grupos pedem que os militares participem”, disse ela, acrescentando que isso significa uma ameaça à democracia.

Bolsonaro discursou em atos realizados em Brasília —um em frente ao quartel-general do Exército e outro em frente ao Palácio do Planalto— que pediram o fechamento do Congresso, do Supremo e a reedição de um Ato Institucional número 5 (AI-5), instrumento que marcou o endurecimento da repressão durante o regime militar.

O presidente também já classificou a Covid-19 de “gripezinha” e, ao ser questionado recentemente por jornalistas sobre o alto número de mortes provocada pela doença no Brasil respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?” Também tem sido um duro crítico de medidas de isolamento social, como o fechamento do comércio não essencial, adotadas por governadores e prefeitos para frear a propagação do vírus.

De acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados na quarta-feira, o Brasil tem 188.974 casos confirmados de Covid-19 e a doença já matou 13.149 pessoas no país.

Esses números fazem do Brasil o sexto país do mundo com maior número de casos e mortos pela Covid-19, embora a pandemia no país tenha começado depois de países que atualmente estão atrás neste ranking, como China, Alemanha e Bélgica.

*Com informações de Stepghanie Nebehay e Eduardo Simões, da Agência Reuters.

Sobre Redação do Jornal Grande Bahia 113594 Artigos
O Jornal Grande Bahia (JGB) é um portal de notícias com sede em Feira de Santana e abrange as Regiões Metropolitanas de Feira de Santana e Salvador. Para enviar informações, fazer denúncias ou comunicar erros do jornal mantenha contato através do e-mail: [email protected]