Ministro do STF Gilmar Mendes acusa Sérgio Moro de ter vazado delação de Palocci para beneficiar Bolsonaro

Ministro do STF Gilmar Mendes critica atuação de Sérgio Moro, no período em que foi juiz do Caso Lava Jato.

Em entrevista, ministro do Gilmar Mendes revelou bastidores de conversa com Paulo Guedes sobre ida de Moro para o Governo Bolsonaro.

Reportagem de Guilherme Amado, publicada neste sábado (02/05/2020) na Revista Época, revela que Gilmar Mendes deu uma dura entrevista hoje de manhã a Kelly Mattos, David Coimbra e Luciano Potter, em que acusou Sergio Moro de vazar propositalmente a delação do ex-ministro do PT Antonio Palocci no segundo turno de 2018 com o propósito de favorecer Jair Bolsonaro.

“Ele (Moro) estava muito próximo desse movimento político, tanto que no segundo turno ele faz aquele vazamento da delação do Palocci. A quem interessava isso? Ao adversário do PT. Depois, ele aceita o convite, que é muito criticado, para ser ministro deste governo Bolsonaro, cujo adversário ele tinha prendido. Ficou uma situação muito delicada, se discute a correição ética desse gesto”.

Perguntado se houve uma intenção política premeditada por parte de Moro ao publicar a delação, respondeu Mendes:

“A mim me bastam os fatos. O vazamento desta delação naquele momento tinha o intuito que se pode atribuir”.

Gilmar revelou ainda uma conversa com Paulo Guedes em que o ministro contou ter pedido autorização a Bolsonaro para convidar Moro para ser ministro da Justiça “quando ele se tornou o responsável pela economia” — o que ocorreu ainda no primeiro semestre de 2018, portanto bem antes de quando publicamente se ficou sabendo do convite.

“Quando ele se tornou o responsável pela economia, da equipe de Bolsonaro, não sei em que momento, ele (Guedes) pediu autorização para convidar Moro para ser o ministro da Justiça. Disse ao Guedes que ele deve colocar isso em sua biografia. Deu uma grande contribuição ao Brasil, ao tirar Moro de Curitiba”, afirmou o ministro, arrancando risadas dos entrevistadores.

Segundo Gilmar, a origem dos ataques ao STF estão na forma como o Lava Jato se contrapunha ao tribunal.

“Se o STF decidia alguma coisa que afetava a Lava Jato, era o STF que estava errado e a Lava Jato estava certa. Nesse contexto, se desenvolve esse repúdio ao STF, e a Lava Jato foi parceira. A Lava Jato de certa forma é a mãe ou o pai do bolsonarismo”, afirmou.

O ministro disse ter ouvido que não percebe clima entre os políticos com quem conversa para que haja impeachment de Bolsonaro.

“Se houver a denúncia, o STF vai pedir a licença ao Congresso se delibera se concede ou não a autorização com dois terços, o que seria na prática o mesmo que o impeachment. O que sinto em Brasília conversando com políticos importantes é que não há vocação (para impeachment)”.

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Redação do Jornal Grande Bahia
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