Membros do Ministério Público tratam políticos como ladrões, é o recado da coluna de Lauro Jardim; Instituição está corrompida

Lauro Jardim, do Jornal O Globo, comenta sobre atitude de membros do Ministério Público.

Lauro Jardim, do Jornal O Globo, comenta sobre atitude de membros do Ministério Público.

A nota publicada pelo jornalista Lauro Jardim no Jornal O Globo deste domingo (17/05/2020) — com título ‘Procuradores põem faca entre os dentes e dão recado a Augusto Aras’, procurador-geral da República — evidencia como os agentes políticos do Ministério Público federal e estadual perderam a noção de compostura e usam a imprensa para atacar o poder político da sociedade, que se manifesta através da soberania do voto popular concedida aos mandatários.

Observa-se que os membros do Ministério Público da União (MPU) agem como falsas vestais, propagam que combatem a corrupção quando, de fato, no interior da instituição pululam as mil formas de subtração de recursos públicos, através de salários iniciais acima de R$ 20 mil, somadas a corruptas formas de verbas indenizatórias que projetam remuneração em valores que superam R$ 50, 70 e 100 mil, em um festival de esbornia com o dinheiro público que corrompe a Magna Carta do Brasil, cujo enunciado é vocalizado para edificação de uma sociedade baseada no princípio da equidade de direitos.

Uma das formas com as quais os “ínclitos honestos” servidores da União e dos Estados atuam é multiplicando o vencimento com acúmulo de funções. Para simplificar, é como se a população pagasse várias vezes pelas mesmas 40 horas trabalhadas semanalmente e, observa-se que muitos não cumprem essa jornada, e quando o fazem, é de forma ineficiente.

Exemplo desta ineficiência é percebida em diversas cidades do Brasil, quando membros do MP deixam de fiscalizar o meio ambiente, permitindo que todo tipo de ocupação irregular do solo se consolide, ou quando não acompanham as denúncias da impressa e os investimentos públicos em saúde, educação, infraestrutura e serviços.

Existe uma forma com o qual os colegas do MP se reconhecem, TQQ, ou seja, pessoas que trabalham entre terça e quinta-feira. A corrompida administração do MP é de tal ordem que quando um cidadão leva uma representação ao procurador da República ou promotor de Justiça é recebida com desrespeito e uma expressão “lá vem este desocupado me trazer trabalho”.

Quando solicitada a presença de um dos membros do MP à comparecer em audiências públicas requisitadas por parlamentares federais, estaduais e vereadores, eles não comparecem, revelando mais uma atitude de desrespeito à sociedade, que paga à estes “milionários” servidores.

A lista de ineficiência, péssima prestação de serviços e elevada remuneração somam-se outras tantas formas de corrupção de princípios que seria enfadonho apresentar. Mas, curioso é o caso em que os membros do MP assinam documentos e se apresentam como doutores, mas quando questionados onde defenderam tese, respondem que nunca o fizeram, revelando atitude típica de criminoso que pratica falsidade ideológica, conjugada com mais uma atitude de arrogância para com as pessoas com as quais se relacionam.

Outro aspecto que deve ser notado é que os membros do MP se comparam em poder político com os membros da magistratura, o que é uma falácia, observando que procuradores e promotores não são detentores de poder decisório final. Cabe aos juízes decidir sobre liberdade e patrimônio, competências que os diferenciam dos membros do Ministério Público e que os equipara aos políticos mandatários.

É necessário repensar o marco legal do MP, porque a autonomia financeira dada a instituição não a tornou mais eficiente, mas posicionou os membros com alguns dos mais elevados salários da República, ao mesmo tempo em que os distanciou do diálogo permanente com a sociedade, conjuntura incompatível com interesse público manifesto na Constituição Federal.

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About the Author

Carlos Augusto
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (SINJORBA), Associação Brasileira de Imprensa (ABI Nacional, Matrícula nº E-002907) e Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).