Governo Bolsonaro piora projeção do PIB a um recuo de 4,7% em 2020

Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial de Fazenda do Governo Bolsonaro,
Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial de Fazenda do Governo Bolsonaro,
Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial de Fazenda do Governo Bolsonaro,
Waldery Rodrigues Júnior, secretário especial de Fazenda do Governo Bolsonaro,

O Ministério da Economia reviu nesta quarta-feira (13/05/2020) projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 a uma contração de 4,7%, contra alta de 0,02% vista em março de 2020, num reflexo do profundo impacto da paralisação das atividades no país por conta dos esforços para desacelerar a disseminação do coronavírus.

“Provavelmente, a retração do PIB neste ano será a maior de nossa história”, disse a Secretaria de Política Econômica (SPE), em nota, na qual indicou que a recomposição para valores pré-crise virá somente em 2022.

A SPE ressaltou que o novo número para este ano, embora obtido a partir de informações detalhadas da produção e faturamento dos diversos setores da economia, ainda é envolto em incertezas, já que há dúvidas sobre o prolongamento do isolamento e velocidade de retomada.

Em uma segunda nota divulgada nesta quarta, a secretaria diz que a projeção de contração de 4,7% leva em conta que as políticas de distanciamento social durem até o final de maio.

“Caso as políticas de distanciamento social se prolonguem o efeito econômico direto (perda de produção e queda mais acentuada no PIB de 2020) e o efeito indireto (maior número de empresas decretando falência, maior endividamento público e privado, aumento na taxa natural de desemprego, etc., gerando uma recuperação mais lenta e queda mais acentuada no PIB de longo prazo) serão acentuados”, diz o texto.

A revisão para um tombo superior a 4% havia sido antecipada na véspera pela Reuters.

Para a inflação medida pelo IPCA, a perspectiva agora é de alta de 1,77% em 2020, ante expectativa anterior de 3,05%. Nesse caso, os principais responsáveis pelo recuo na estimativa deverão ser os bens industriais e os serviços, diante do resultado direto dos impactos da pandemia na atividade econômica.

“O recuo para a projeção anual não será maior devido à aceleração recente apresentada pelo grupo Alimentação no Domicílio, que engloba, genericamente, alimentos vendidos por mercados e estabelecimentos similares”, ressaltou a SPE.

Os novos dados fazem parte da grade de parâmetros que irá fundamentar a revisão para o comportamento das contas públicas no próximo relatório bimestral de receitas e despesas, a ser publicado até o dia 22.

No boletim Focus mais recente, economistas ouvidos pelo Banco Central pioraram sua expectativa para o PIB neste ano a uma contração de 4,11%, contra queda de 3,76% antes. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) previu, em abril, uma retração de 5,3% para o Brasil em 2020, enquanto o Banco Mundial estimou um recuo de 5%.

Mais cedo, a SPE estimou que cada semanal adicional de isolamento produz uma perda para a economia de 20 bilhões de reais.

Para o primeiro trimestre deste ano, período ainda não inteiramente afetado pela crise do coronavírus, a projeção da Secretaria de Política Econômica (SPE) é de recuo de 1,3% do PIB sobre o trimestre anterior e de um resultado zero sobre igual etapa de 2019.

A SPE vê o PIB anual com expansão de 3,20% em 2021, com o desempenho desacelerando em 2022 a uma alta de 2,60%, seguida por crescimento de 2,5% tanto em 2023 como em 2024.

“Dessa forma, o crescimento para o próximo ano recompõe parcialmente a recessão deste ano … porém, ainda assim, espera-se que o PIB só alcance o seu valor pré crise em 2022”, disse a SPE.

Recuperação tende a ser em formato de U, diz Waldery

A recuperação da economia brasileira no pós-pandemia tende a ser em formato de U, afirmou nesta quarta-feira o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, indicando que ela não será tão rápida como chegou a aventar o ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Nossa recuperação tende a não ser em V. Recuperação tende a ser mais no formato em U”, afirmou ele, em coletiva virtual de imprensa.

Também presente na coletiva, o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, afirmou que isso não significa que o governo está abrindo mão da ideia de recuperação em V, mas que está colocando a situação econômica como ela é vista no momento.

Pelos cálculos da Secretaria de Política Econômica (SPE), a economia só voltará ao nível atingido no fim de 2019 em 2022.

Após a SPE ter revisado seu cálculo para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano a uma queda de 4,7% —patamar que considera o fim das medidas de isolamento social em maio—, o subsecretário de Política Macroeconômica, Vladimir Kuhl Teles, afirmou que, se esses esforços para frear a disseminação do coronavírus forem mantidos até o final de junho, “certamente haverá queda maior do que 6% do PIB”.

Sobre as medidas de socorro durante a crise, em especial a duração do auxílio emergencial de 600 reais, os membros da equipe econômica ressaltaram na coletiva que as ações do governo são transitórias, e que foram desenhadas para ter começo, meio e fim.

“Isso no tempo devido será analisado”, afirmou Waldery, sobre eventual extensão ou reformatação do auxílio.

*Com informações de Marcela Ayres, da Agência Reuters.

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