Extremista Jair Bolsonaro é denunciado na Corte Interamericana de Direitos Humanos por homenagem a Sebastião Curió

Sebastião Curió Rodrigues de Moura (Major Curió) e Jair Bolsonaro, presidente da República, em ato de apologia à Ditadura Civil-Militar do Brasil, ocorrida no Palácio do Planalto, em 5 de março de 2020.
Sebastião Curió Rodrigues de Moura (Major Curió) e Jair Bolsonaro, presidente da República, em ato de apologia à Ditadura Civil-Militar do Brasil, ocorrida no Palácio do Planalto, em 5 de março de 2020.
Sebastião Curió Rodrigues de Moura (Major Curió) e Jair Bolsonaro, presidente da República, em ato de apologia à Ditadura Civil-Militar do Brasil, ocorrida no Palácio do Planalto, em 5 de março de 2020.
Sebastião Curió Rodrigues de Moura (Major Curió) e Jair Bolsonaro, presidente da República, em ato de apologia à Ditadura Civil-Militar do Brasil, ocorrida no Palácio do Planalto, em 5 de março de 2020.

O Instituto Vladimir Herzog, o Núcleo de Preservação da Memória Política e o PSOL denunciaram o governo Jair Bolsonaro à Corte Interamericana de Direitos Humanos após o Planalto receber na terça-feira (05/08/2020) o tenente-coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o ‘Major Curió’, de 85 anos. Ele foi um dos agentes de repressão da ditadura militar que atuou no combate à Guerrilha do Araguaia, no sudoeste paraense, nos anos 1970.

O governo foi denunciado por descumprir sentença unânime da Corte que condenou o Brasil pelo desaparecimento forçado e morte de dezenas de pessoas durante o período da ditadura. Segundo as entidades e o partido, o Planalto tem ‘promovido novas violações ao direito à verdade ao difundir informações falsas sobre o ocorrido nas operações contra a ‘Guerrilha do Araguaia’ e a ditadura em geral’.

Após a visita, o perfil oficial da Secretaria Especial de Comunicação (Secom) saudou Curió como um ‘herói’. O Ministério Público Federal emitiu representação afirmando que a publicação ‘é uma ofensa direta e objetiva ao princípio constitucional da moralidade administrativa, por representar uma apologia à prática, por autoridades brasileiras, de crimes contra a humanidade e graves violações aos direitos humanos’.

Relatório final da Comissão Nacional da Verdade, de 2014, listou Curió como um dos 377 agentes do Estado brasileiro que praticaram crimes contra os direitos humanos. O militar ‘esteve no comando de operações em que guerrilheiros do Araguaia foram capturados, conduzidos a centros clandestinos de tortura, executados e desapareceram’.

Curió revelou detalhes ao Estadão, incluindo documentos e depoimentos, sobre as torturas e assassinatos praticados contra dezenas de pessoas na região do Araguaia. As vítimas foram tanto militantes do partido comunista quanto simpatizantes locais.

O major Curió foi um dos primeiros agentes a serem denunciados no Brasil por crimes cometidos durante a ditadura, ainda em 2012. De lá para cá, foram outras cinco denúncias. Todas por crimes como sequestro, assassinato e ocultação de cadáver. As últimas três foram apresentadas contra ele em dezembro de 2019, quando o MPF fez um balanço sobre as ações relacionadas à guerrilha.

Ele e os outros militares tentam enquadrar as acusações na Lei da Anistia, que garante o arquivamento deste tipo de denúncia.

*Com informações de Paulo Roberto Netto, do Broadcast do Estadão.

Redação do Jornal Grande Bahia
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