Exportações da Bahia crescem 2,1% no primeiro quadrimestre de 2020

As exportações da Bahia vêm conseguindo manter crescimento em 2020.
As exportações da Bahia vêm conseguindo manter crescimento em 2020.
As exportações da Bahia vêm conseguindo manter crescimento em 2020.
As exportações da Bahia vêm conseguindo manter crescimento em 2020.

Mesmo com queda da demanda global, as exportações baianas vêm conseguindo manter, no ano, crescimento frente ao mesmo período do ano passado. Embora tenham recuado 18,5% em abril de 2020 (US$ 502,7 milhões) basicamente por conta da contração de 16,2% nos preços dos bens vendidos, as vendas externas no quadrimestre acumularam US$ 2,44 bilhões surpreendendo positivamente, e superando em 2,1% as receitas de igual período de 2019.

“Os volumes embarcados de derivados de petróleo, celulose, soja e algodão no ano registraram crescimento, mais do que compensando a queda de preços decorrente do cenário global atual”, ressalta o secretário estadual do Planejamento, Walter Pinheiro. As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan).

Com o resultado de abril, a balança comercial da Bahia acumula um superávit de US$ 928,9 milhões em 2020, contra um déficit de US$ 71,8 milhões registrado em igual período do ano passado. As exportações somam US$ 2,44 bilhões com incremento de 2,1% e as importações em US$ 1,67 bilhão com queda de 32,2%. A  corrente de comércio atingiu US$ 4,1 bilhões com retração de 15,3%. Do lado das importações – US$ 1,67 bilhão e queda de 32,2% – há um processo de desaceleração acentuada em curso, refletindo a atividade econômica doméstica semiparalisada.

O aumento das exportações no quadrimestre ocorreu mesmo com uma contração significativa de 21,3% nos preços dos bens vendidos, mas que foi compensado pelo aumento do volume exportado que subiu 29,7%. Mais que dobrou a quantidade embarcada de derivados de petróleo em 102,6%, em função do aumento das compras da Ásia, sobretudo de Cingapura, destino de 95% das vendas do segmento, assim como de papel e celulose (20,2%) com demanda externa aquecida por conta do aumento do consumo de papéis para fins sanitários/higiene em tempos de pandemia; soja e derivados (5,6%) via aumento de produção e da demanda chinesa além do algodão (70,7%) que deve bater recorde de produção e exportação este ano.

O bom desempenho desses segmentos evidencia a competitividade das exportações, favorecida por uma taxa de câmbio real mais desvalorizada, além de uma demanda mundial resiliente, sobretudo a asiática. As exportações baianas para a Ásia até abril cresceram 31,1% ante igual período do ano passado, atingindo US$ 1,26 bilhão ou o correspondente a 51,8% do total das vendas externas do estado. O volume embarcado para a China teve alta de 40,3%, enquanto para Cingapura o crescimento foi de 243,5%. Por outro lado, caíram 10% os embarques para os Estados Unidos e 33,1% para a Argentina, rebaixados este ano para terceiro e quarto destinos mais importantes para as exportações baianas.

Em movimento inverso, as importações aprofundaram a retração com queda, só em abril, de 39,2% – US$ 353,6 milhões, registrada em quase todas as categorias de uso. Houve recuo nas compras de combustíveis (-86,5%), bens de consumo (-67%) e bens intermediários (-30,1%). Somente a categoria de bens de capital cresceu 26,3%, influenciado por compras maiores de equipamentos de transporte de carga e células solares.

A retração das importações no ano reflete não somente a contínua desvalorização cambial como também a baixa demanda de intermediários pela indústria e os efeitos das medidas de isolamento social na demanda doméstica e no nível de atividade. Uma reversão no comportamento das compras externas, depende de uma recuperação da economia e do consumo doméstico, o que por enquanto não se vislumbra no horizonte, dada as incertezas da pandemia.

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