Dólar fecha acima de R$ 5,90 pela 1ª vez na história com exterior e questões locais; Ibovespa fecha em leve queda com Petrobras e NY, mas exportadoras amenizam resultado negativo

Infográfico apresenta cotação do dólar desta quarta-feira (13/05/2020).
Infográfico apresenta cotação do dólar desta quarta-feira (13/05/2020).
Infográfico apresenta cotação do dólar desta quarta-feira (13/05/2020).
Infográfico apresenta cotação do dólar desta quarta-feira (13/05/2020).

O dólar voltou a subir nesta quarta-feira e fechou acima de 5,90 reais pela primeira vez na história, a apenas 1,67% do nível psicológico de 6 reais, em meio a um dia negativo nos mercados externos e com as operações locais de novo afetadas adicionalmente pelo clima de desânimo com a economia e de ruído político.

O dólar à vista fechou em alta de 0,61%, a 5,9012 reais na venda, máxima recorde nominal para um encerramento de sessão.

No pico do dia, a taxa foi a 5,9445 reais, um recorde intradiário.

Como na véspera, o dólar chegou a cair mais cedo, indo a 5,8189 reais, queda de 0,80%. Mas ao fim da primeira hora de negócios a moeda começou a ganhar força, até passar a subir e se manter em alta ao longo do dia, apesar de intervenção do Banco Central via contratos de swap cambial.

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,33%, a 5,9115 reais, às 17h02, após alcançar 5,9505 reais.

Ibovespa fecha em leve queda com Petrobras e NY, mas exportadoras amenizam perda

O Ibovespa fechou em leve queda nesta quarta-feira, após sessão sem tendência definida, com ações da Petrobras entre as maiores pressões de baixa, enquanto a nova máxima do dólar a 5,90 reais amparou papéis de exportadoras.

O viés negativo em Wall Street pesou nas operações brasileiras, na esteira de perspectivas sombrias do Federal Reserve para a economia norte-americana, assim como a manutenção de ruídos no cenário político doméstico.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,13%, a 77.772,20 pontos, após oscilar da mínima de 77.151,98 pontos à máxima de 78.911,28 pontos.

O volume financeiro na bolsa nesta quarta-feira alcançou 25,1 bilhões de reais, em sessão também marcada pelo vencimento de contratos de opções sobre o Ibovespa.

“O cenário permanece incerto: recomendamos uma abordagem cautelosa”, afirmou a equipe de estratégia do Itaú BBA comandada por Marcos Assumpção”, conforme relatório a clientes.

Para os estrategistas, o Brasil está atravessando crises de saúde, fiscal e política simultâneas, que estão destruindo os pilares que outrora eles defenderam como base do mercado altista – crescimento acelerado, juros baixos e reformas.

“Na nossa visão, o maior risco é a deterioração fiscal, que pode afetar negativamente taxas de juros de longo prazo, elevando o custo do capital e pode levar a uma reversão nos fluxos da renda fixa para as ações.”

O Ministério da Economia cortou nesta quarta-feira sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 e agora estima contração de 4,7%, na maior queda da série histórica que tem início em 1900.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de 1,7%, após o chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, alertar sobre uma maior fraqueza econômica devido à pandemia de coronavírus, mas sem mencionar novo apoio do banco central.

Destaques

– PETROBRAS PN e PETROBRAS ON caíram 3,03% 3,92%, respectivamente, em movimento alinhado à queda dos preços do petróleo no mercado externo. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) cortou novamente sua projeção para a demanda global por petróleo neste ano. A companhia anunciou que elevará o preço médio da gasolina nas refinarias em 10% a partir de quinta-feira, na segunda alta do combustível fóssil realizada neste mês.

– BRADESCO PN cedeu 0,88%, com o setor ainda afetado pelas perspectivas sombrias para a economia em razão da pandemia, bem como aumento de risco regulatório com potenciais medidas para aliviar os efeitos da crise. BANCO DO BRASIL ON perdeu 2,89%. ITAÚ UNIBANCO PN ensaiou uma melhora, mas fechou em queda de 0,05%. BTG PACTUAL UNIT, na contramão, subiu 3,45%.

– VALE ON subiu 2,28%, após os futuros do minério de ferro na China saltaram ao maior nível em mais de nove meses e meio, o que blindava o papel da decisão do fundo soberano da Noruega de excluir de sua carteira investimentos a mineradora. [. O Credit Suisse, por sua vez, reduziu o preço-alvo do ADR de 15 para 14 dólares, mas reiterou ‘outperform’, citando possível retomada de dividendos em 2020 entre as 10 razões que justificam a ação ser sua ‘top pick’.

– BRF ON valorizou-se 12,17%, com ações de proteínas novamente entre os destaques positivos, em meio ao movimento no câmbio e perspectivas favoráveis para a demanda principalmente chinesa. JBS ON subiu 6,36%, MARFRIG ON terminou em alta de 1,68%.

– EMBRAER ON recuou 8,70%, tendo ainda de pano de fundo rebalanceamento dos MSCI Global Standard Indexes, com exclusão dos papéis da fabricante de aviões do portfólio que passa a vigorar no fechamento do próximo dia 29(bit.ly/3679Xnb). Os papéis também seguem minados pelas incertezas após o fracasso no acordo com a Boeing.

– XP, negociada em Nova York, saltou 12,2%, após mais do que dobrar o lucro líquido no primeiro trimestre, para 415 milhões de reais, com a margem líquida ajustada subindo para 23,9% no período ante 18% nos três primeiros meses do ano passado. A receita líquida subiu 86%, para 1,74 bilhão de reais, conforme dados conhecidos na véspera, após o fechamento dos mercados.

*Com informações de José de Castro e Paula Arend Laier, da Agência Reuters.

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