Covid-19: Estruturas ofertadas e a demanda, diferenças na mortalidade | Por Ângelo Augusto Araújo

Fachada do Hospital Nightingale, em Londres, Inglaterra. Unidade de saúde especializada no tratamento de pacientes com a Covid-19.

Fachada do Hospital Nightingale, em Londres, Inglaterra. Unidade de saúde especializada no tratamento de pacientes com a Covid-19.

Em alguns países do mundo, os dados epidemiológicos começam a sinalizarem controles pandêmicos, as medidas de relaxamentos (MCCAFFREY, 2020) com os lockdown e isolamento social configuram-se cautelosamente, a vigilância intensifica, exames laboratoriais são realizados massivamente e os mecanismos de controle social dos governos agem fortemente no intuito de cumprirem as recomendações da vigilância epidemiológica (EURONEWS, 2020).

Na ausência de vacinas e medicamentos que evitem os riscos de novas infecções, alguns países do mundo parecem ter encontrado um direcionamento para o controle pandêmico e as soluções que ajudarão a retomada da economia. As diretrizes que põem esses países no curso da reabertura gradual da economia são: as significativas melhoras dos resultados relacionados com a diminuição da incidência de novos contágios e do número de mortes; e, principalmente, os entrelaçamentos da epidemiologia com os dados das estruturas ofertadas e demandadas.

Para atingir as metas de controle pandêmico, foram de fundamentais importâncias as relações de diálogos entre a população e a gestão pública, objetivando o entendimento do que se pretendia alcançar, a diminuição da demanda para não colapsar a estrutura ofertada. Para isso, vale destacar:  As sedimentações dos valores morais e éticos dos gestores relacionados aos compromissos perante a sociedade, na sua grande maioria cumprindo as políticas de mitigação; e o amparo dos gestores públicos, dando suporte socioeconômico e fortalecendo os objetivos a serem atingidos.

Com tudo isso, os resultados para as taxas de mortalidade obtidas, considerando as nações que se assemelham socioeconomicamente, divergiram significativamente entre alguns países. Uma das explicações para os resultados divergentes está relacionada com o tempo hábil da execução do isolamento social e ou lockdown (AINSLIE et al., 2020). Essa explicação está fundamentada na redução da demanda e a sua relação com a estrutura ofertada.

Esse artigo tem como objetivo debater os aspectos que influenciaram nas diferentes taxas de mortalidades da Alemanha e do Reino Unido (RU), relacionando com as estruturas ofertadas do sistema de saúde, a disponibilidade de leitos hospitalares de enfermaria e UTI, assim como, as correlações com as demandas nos picos pandêmico e as projeções para as futuras necessidades. Tudo isso, poderão ser somadas as explicações para a diferença no número de óbitos entre os dois países.

Alemanha e Reino Unido, realidades díspares

As realidades das taxas de mortalidade da Alemanha e RU são muito diferentes. A Alemanha ocupa a 8ª posição no ranking mundial do número absoluto de mortes pelo novo coronavírus. Tem um percentual de mortalidade ((Número total de mortes/número de infectados) x 100) de 4,4%, e uma taxa de mortalidade de 90 pessoas por milhão. De outro modo, o Reino unido está na 2ª posição do ranking mundial relacionado ao número absoluto de mortos pela Covid-19, tem um percentual de mortalidade de 14,38%, e uma taxa de mortalidade de 472 pessoas por milhão.

Dados do Worldometers coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Dados do Worldometers coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Quando se analisam as projeções para a quantidade de mortes por dia, tendo com referência do início da projeção o dia 01/05/20, temos os seguintes resultados:

Dados do Worldometers sobre a Alemanha, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Dados do Worldometers sobre a Alemanha, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

A Alemanha demonstra uma curva com tendência observacional descendente, com um intervalo de confiança muito amplo, que vai se afunilando até encontrar-se muito próximo a curva principal no dia 1º de junho.

Dados do Worldometers sobre o Reino Unido, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Dados do Worldometers sobre o Reino Unido, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

O RU demonstra, também, uma curva de tendência observacional descendente, não tão evidente quanto ao da Alemanha, com um intervalo de confiança muito amplo que aumenta até o dia 11/05/20, e que depois começa a afunilar até está próximo a curva principal no final da primeira quinzena de junho.

Nesses dois gráficos é importante observar a projeção relacionada a quantidade de mortes, que é muito inferior para Alemanha quando comparado ao Reino Unido.

Nos gráficos que apontam os recursos hospitalares, temos as seguintes situações:

Dados do Worldometers sobre recursos hospitalares da Alemanha, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Dados do Worldometers sobre recursos hospitalares da Alemanha, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Na Alemanha existem 133.049 leitos hospitalares de enfermaria e 5.202 leitos de UTI. No pico pandêmico dia 16/04/05, necessitaram de 6.344 leitos de enfermaria, 2.018 leitos de UTI e 1.843 ventiladores [1], ou seja, as demandas não atingiram em momento algum as capacidades estruturadas (ofertadas). As projeções para as futuras necessidades, demandas, estão longe de serem atingidas.

Dados do Worldometers sobre recursos hospitalares do Reino Unido, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

Dados do Worldometers sobre recursos hospitalares do Reino Unido, coletados às 12 horas de 11 de maio de 2020.

A situação do Reino Unido é muito diferente da Alemanha. No RU a quantidade de leitos hospitalares de enfermaria é de 27.514, e de leitos de UTI é 3.547. No pico pandêmico datado em 11/04/20, a demanda por leitos de enfermarias e UTI foram ultrapassadas, 28.089 para leitos em enfermarias e 8.445 para leitos de UTI. A necessidade por ventiladores nessa data foi de 7.681. Todas as projeções para as futuras necessidades demonstravam que as estruturas ofertadas não cobririam a demanda.

Alemanha e UK, gestão díspares, pensamentos fundamentados

Com base nos dados epidemiológicos e analisando os resultados, a primeira ministra da Alemanha, Angela Merkel, declara-se ainda insegura para retomada das atividades econômicas, e diz-se muito receosa do medo de uma segunda onda de pico pandêmico (PLEITGEN, 2020; SCHUMACHER, 2020). Propõem condições duras (EURONEWS, 2020) para o retorno de alguns setores, fala sobre a extrema cautela e vigilância com respeito aos dados epidemiológicos  que podem, a qualquer momento, anunciar outra necessidade de lockdown (CHAZAN, 2020).

No RU, as críticas sobre os planos para sair do lockdown se acumulam (SPEARE-COLE; BREWIS, 2020; POLITICO, 2020). O primeiro ministro, Boris Johnson, divulgou um planejamento extenso  (TAPSFIELD, 2020), mas que ainda é considerado muito confuso. Contudo, receoso dos riscos de uma segunda onda de pico pandêmico, mantêm as recomendações das pessoas continuarem em casa (THE GUARDIAN, 2020).

Os dois cenários dos países analisados são muitos distintos: a Alemanha apoiada em uma estrutura folgada de oferta de serviços, que já estava montada desde antes da epidemia, mesmo assim, antecipou-se com as medidas de lockdown, enxergando os riscos pandêmicos de sobrecarga do sistema de saúde. Com isso, durante o pico pandêmico, as demandas foram atendidas, refletidas pela menor quantidade de mortes. Mesmo com um contingenciamento bem estruturado, como mostra as projeções gráficas, a primeira ministra, reforça a importância do retorno cauteloso de alguns setores da economia.

No RU, os aspectos são bem diferentes da Alemanha, refletido pela a insegurança e os planos de retomada da economia “confusos”. Contudo, o primeiro ministro conhecedor dos dados epidemiológicos que demonstraram que as ofertas dos serviços não atenderam as demandas, representado pela quantidade de mortos, pressionado pelos riscos de retração econômica e populares que desejam retornar as vidas ao normal, não encontrou maneiras claras de retorno as atividades, pois, as projeções de novos riscos pandêmicos demonstram que existirão muitas mortes, as estruturas ofertadas não atenderão as demandas.

Conclusão

O artigo tem como objetivo analisar as estruturas ofertadas (leitos hospitalares) e demandadas da Alemanha e RU, com o intuito de nortear uma das explicações que poderá justificar a discrepância no número de mortes entre os dois países.

As nações analisadas, apesar de terem estruturas econômicas e sociais sólidas que não revelam grandes divergências, demonstraram que existem uma relação muito distintas entre as estruturas ofertadas e a demanda para o atendimento aos doentes pelo novo coronavírus. O artigo deixou evidente que essa relação teve um peso muito importante, que pode ser a justificativa para a diferença na quantidade de óbitos. O estudo sugeriu, também, que as atitudes iniciais e o momento hábil para executar o lockdown, foram de fundamentais importâncias para conter a sobrecarga do sistema.

Nessa crise pandêmica, um dos grandes desafios para os gestores, de modo geral, é o estabelecimento da boa relação das estruturas ofertadas e demandadas, somadas as grandes dificuldades da obtenção dos recursos materiais e humanos. Ficou evidente, no artigo, que um dos fatores que influenciaram na menor quantidade de mortes da Alemanha quando comparada ao RU, foi a oferta em excesso, logicamente, controlando a demanda. Contudo, não sendo possível a reprodução do modelo ofertado em excesso, a única saída, até surgirem tratamentos profiláticos, será diminuir a demanda. Para diminuir a demanda é de fundamental importância:

– Diálogo entre a sociedade e os gestores

– Plano de amparo socioeconômico

– Compreensão da responsabilidade social e das políticas de mitigação.

Tema para debate

Covid-19: modelo de gestão: Diretrizes para superação dos Limites da Urgência no Brasil

No artigo intitulado ‘Covid-19:Limites da Urgência, modelo de gestão no Brasil’ (ARAÚJO, 2020a), o autor descreve que os modelos adotados de gestão pública no Brasil, são, geralmente, baseados nas desconsiderações dos dados epidemiológicos e das utilidades das projeções e planejamento científicos, assim como fundamentados nos “gerenciamentos de custos”, interesses particulares, burocracias, “sensibilidade da percepção pessoal” e nos Limites da Urgência[1]. Tudo isso, levando as decisões tornarem-se confusas, atropeladas, sem um direcionamento objetivo e sem ponderações de consequências, o extremo amadorismo.

As percepções comunitárias podem ser transcritas nos relaxamentos das medidas de mitigações, para alguns, assim como, ansiedades e temores da infecção, para outros, que estão atreladas a: 1) insegurança das atitudes e decretos que, frequentemente, são promulgados e desfeitos; 2) nos boletins das ocorrências que têm o caráter meramente informativo de uma realidade momentânea e parcial; e 3) a falta de evidências que mostrem as projeções para o curso da infecção, as execuções de obras e futuros planejamentos, frequentemente atualizados, de acordo com os conhecimentos epidemiológicos; 4) e a desconsideração por alguns gestores da velocidade e magnitude pandêmica.

Em posse das informações contextualizadas pelo artigo, propõe-se como um norte, para debates com a gestão pública, o entendimento da complexidade dos pensamentos: abertura para uma visão que permitam os entrelaçamentos da estatística com a epidemiologia, com a ética e a construção de valores, assim como, o entendimento que os gestores públicos são funcionários públicos e que deverão agir para defender os interesses da população, que, nesse momento, é a saúde, preservação da vida.

Esses debates terão como objetivos a mudanças de concepções dos modelos de gerenciamento público brasileiro, baseado nas experiências dos dois países estudados. Tendo em vista que, no Brasil as curvas de incidência de novos casos não demonstram, ainda, formação de platô[2], não atingimos o pico pandêmico, a nossa estrutura ofertada em diversas localidades está muito abaixo da demanda[3]. Caso ocorra o relaxamento do isolamento social, ou lockdown, sem o aumento das estruturas ofertadas, seguindo as projeções da curva de crescimento de novos contágios, o sistema de saúde entrará em colapso, com isso, teremos muito mais mortes do que já temos atualmente.

O Brasil é o 6º colocado[4] no ranking do número de mortes, tem problemas estruturais e conjunturais sérios, conta com uma desigualdade social gritante, além dos distúrbios de ordem éticas e morais e desvio dos objetivos de função de alguns gestores. Todos esses problemas somados serão apresentados no final da pandemia como a conta do número de mortos.

*Ângelo Augusto Araújo ([email protected]), médico, pesquisador, doutor em saúde pública e doutorando em Bioética pela Universidade do Porto.

Referências

AINSLIE, K. E. C. et al. Report 11 : Evidence of initial success for China exiting COVID-19 social distancing policy after achieving containment. n. March, p. 1–8, 2020.

ARAÚJO, Â. A. Covid-19: Limites da urgência, modelo de gestão no Brasil. Disponível em: <https://www.jornalgrandebahia.com.br/2020/05/covid-19-limites-da-urgencia-modelo-de-gestao-no-brasil-por-angelo-augusto-araujo/>. Acesso em: 11 maio. 2020a.

ARAÚJO, Â. A. Brasil x Covid-19, a gestão pública na contramão da epidemiologia | Jornal Grande Bahia (JGB), portal de notícias com informações de Feira de Santana e Salvador. Disponível em: <https://www.jornalgrandebahia.com.br/2020/04/brasil-x-covid-19-a-gestao-publica-na-contramao-da-epidemiologia-por-angelo-augusto-araujo/>. Acesso em: 1 maio. 2020b.

ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA (AMIB). COMUNICADO DA AMIB SOBRE O AVANÇO DO COVID-19 E A NECESSIDADE DE LEITOS EM UTIS NO FUTURO. [s.l: s.n.]. Disponível em: <http://www.somiti.org.br/arquivos/site/comunicacao/noticias/2020/covid-19/comunicado-da-amib-sobre-o-avanco-do-covid-19-e-a-necessidade-de-leitos-em-utis-no-futuro.pdf>. Acesso em: 10 maio. 2020.

CHAZAN, G. Merkel warns against lifting Germany’s lockdown too quickly | Financial Times. Disponível em: <https://www.ft.com/content/17533584-7493-4378-b214-f99c2d5caa6e>. Acesso em: 11 maio. 2020.

EURONEWS. More than 130 detained after protests against coronavirus restrictions in Germany | Euronews. Disponível em: <https://www.euronews.com/2020/05/10/more-than-130-detained-after-protests-against-coronavirus-restrictions-in-germany>. Acesso em: 11 maio. 2020.

MCCAFFREY, D. Analysis: What is Europe’s coronavirus exit strategy? | Euronews. Disponível em: <https://www.euronews.com/2020/04/06/analysis-what-is-europe-s-coronavirus-exit-strategy>. Acesso em: 12 abr. 2020.

PLEITGEN, F. Merkel warns Germany is on the “thinnest ice” as Europe realizes social distancing is here to stay – CNN. Disponível em: <https://edition.cnn.com/2020/04/23/europe/merkel-coronavirus-social-distancing-europe-intl/index.html>. Acesso em: 28 abr. 2020.

POLITICO. Confusion as UK publishes lockdown exit plan – POLITICO. Disponível em: <https://www.politico.eu/article/confusion-as-uk-boris-johnson-britain-publishes-coronavirus-covid19-lockdown-exit-plan/>. Acesso em: 11 maio. 2020.

RHODES, A.; MORENO, R. P. Prestação de terapia intensiva: um problema global. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 24, n. 4, p. 322–325, dez. 2012. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-507X2012000400005&lng=pt&nrm=iso&tlng=en>. Acesso em: 10 maio. 2020.

SCHUMACHER, E. Merkel cautiously optimistic as she announces lockdown rollback | News | DW | 06.05.2020. Disponível em: <https://www.dw.com/en/merkel-cautiously-optimistic-as-she-announces-lockdown-rollback/a-53346427>. Acesso em: 11 maio. 2020.

SPEARE-COLE, R.; BREWIS, H. UK coronavirus LIVE: Boris Johnson releases 50-page lockdown exit plan as PM prepares to address press and public at tonight’s Downing Street briefing | London Evening Standard. Disponível em: <https://www.standard.co.uk/news/uk/uk-coronavirus-live-updates-boris-johnson-lockdown-exit-plan-a4436701.html>. Acesso em: 11 maio. 2020.

TAPSFIELD, J. Coronavirus UK: Boris Johnson reveals full lockdown exit plan | Daily Mail Online. Disponível em: <https://www.dailymail.co.uk/news/article-8307629/Boris-finally-reveals-lockdown-exit-plan.html>. Acesso em: 11 maio. 2020.

THE GUARDIAN. UK coronavirus live: Boris Johnson rejects claims people don’t understand new “stay alert” slogan | Politics | The Guardian. Disponível em: <https://www.theguardian.com/world/live/2020/may/11/uk-coronavirus-live-boris-johnson-to-give-more-detail-on-lockdown-changes>. Acesso em: 11 maio. 2020.

[1] Limites da Urgência – resolver os problemas quando se encontram em urgência.

[2] Artigo que demonstra a não formação de platô (ARAÚJO, 2020b)

[3] Avaliação das necessidade de terapia intensiva (RHODES; MORENO, 2012; ASSOCIAÇÃO DE MEDICINA INTENSIVA BRASILEIRA (AMIB), 2020)

[4] https://www.worldometers.info/coronavirus/ Dado coletado dia 11/05/20 às 12:05h

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About the Author

Ângelo Augusto Araújo
Dr. Ângelo Augusto Araujo, médico, MBA, PhD, ex-professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), especialista em oftalmologia clínica e cirúrgica, retina e vítreo, Tese de Doutorado feita e não defendida na Lousiana State University, EUA, nos seguintes temas: angiography, fluorescent dyes, microspheres, lipossomes e epidemiologia. Doutor em Saúde Pública - Economia da saúde (UCES). Doutorando em Bioética pela Universidade do Porto. MBA - Master Business Administration - Fundação Getúlio Vargas. Graduado em Ciências Econômicas e, também, Filosofia. Research fellow do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Sergipe. Membro da Academia Americana de Oftalmologia, Sociedade Europeia de Retina e Vítreo e do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Diretor-médico da Clínica de Retina e Vítreo de Sergipe (CLIREVIS), Aracaju.E-mail de contato: [email protected]