Caso Moro x Bolsonaro: Toda vez que investidor privado entrou teve muita sacanagem, diz Roberto Campos Neto em reunião ministerial

Reunião ocorrida no Palácio do Planalto, no dia 22 de abril de 2020, entre o presidente Jair Bolsonaro, Sérgio Moro e outros ministros.

Reunião ocorrida no Palácio do Planalto, no dia 22 de abril de 2020, entre o presidente Jair Bolsonaro, Sérgio Moro e outros ministros.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou em reunião ministerial de 22 de abril de 2020 que “toda vez que investidor privado entrou teve muita sacanagem”, razão pela qual seria necessário o país trabalhar no tema da governança em projetos do Plano Pró-Brasil, para a retomada econômica.

“Nós fizemos uma conversa dos bancos centrais com investidores, inclusive de infraestrutura, e o problema principal que aparece em toda conversa no Brasil, do

investidor privado, é que no passado toda vez que investidor privado entrou teve muita sacanagem”, disse Campos Neto.

“A coisa mais importante desses projetos, na minha opinião, é garantir que a governança é boa. Pro investidor privado ter certeza que ele vai estar junto com o governo, ou ele vai estar em grande parte tomando risco, às vezes o governo vai tomar um pouquinho, mas que é uma coisa que ele não precisa se preocupar na frente, com a governança”, afirmou.

A reunião ministerial foi citada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro em seus apontamentos sobre suposto desejo de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal. A transcrição do encontro foi liberada nesta sexta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello.

Na reunião, em que vários ministros fizeram intervenções, tratando de diferentes temas, Campos Neto também ressaltou que a maneira de melhorar a governança no Brasil é “colocar agentes internacionais que fazem governança mundial”.

Citando reuniões com banqueiros centrais de outros países, Campos Neto frisou que há percepção generalizada de que o mundo privado está com receio de tomar risco, por medo. Por isso, não haverá saída rápida para a crise sem que o governo assuma risco.

“E o fator medo é interessante porque, quanto mais informação você tem, mais medo você tem porque a mídia joga medo. Então, você tem hoje uma classe mais alta que tem mais medo que a classe mais baixa, exatamente porque eles têm mais acesso à informação e a informação é enviesada”, disse.

Em outro momento da reunião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, lembrou a fala de Campos Neto e disse que, após receber o embaixador dos Estados Unidos, ele ressaltou que teria centena de bilhões de dólares para investir, mas que queria um bom ambiente de negócios.

*Com informações de Marcela Ayres, da Agência Reuters.

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