Caso Moro x Bolsonaro: Presidente diz que não está preocupado com investigação sobre PF e vídeo deveria ter sido destruído

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Presidente Jair Bolsonaro enfrenta crise política desencadeada por denúncias do ex-ministro Sérgio Moro.
Presidente Jair Bolsonaro enfrenta crise política desencadeada por denúncias do ex-ministro Sérgio Moro.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (12/05/2020) que não tem preocupação com investigações e que não falou as palavras Polícia Federal e superintendência durante a reunião ministerial do mês passado citada em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) em que, segundo o ex-ministro Sergio Moro, o presidente teria cobrado a troca do comando da PF.

Em duas entrevistas a jornalistas —na rampa do Palácio do Planalto e em frente ao Palácio da Alvorada—, Bolsonaro disse que as informações repassadas à imprensa sobre a reunião ministerial —que teve um vídeo mostrado às partes do processo nesta terça-feira na Polícia Federal— estão erradas. Ele disse que durante a reunião só tratou do seu temor pela segurança da sua família.

Segundo Bolsonaro, o vídeo foi entregue à Justiça porque ele acredita na verdade. Ele afirmou que o material, por não ser oficial, deveria ter sido inclusive destruído.

“Tudo o que interessar ao processo, eu topo retirar o sigilo. Tudo sem exceção. Ao inquérito, né? Eu topo retirar, sem problema nenhum. Olha só, no vídeo todo, não sei se vocês vão reportar, o que interessa para o inquérito… eu digo mais, no vídeo todo não tem a palavra ‘Polícia Federal’, não tem a palavra ‘Superintendência’”, disse Bolsonaro em frente ao Alvorada.

Em reunião ministerial no dia 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro disse que, segundo uma fonte com conhecimento do vídeo do encontro, a perseguição a seus familiares justificaria a troca do então superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e indicou que, se ela não fosse efetivada, trocaria o diretor-geral da PF e o próprio ministro da Justiça e Segurança Pública, cargo então ocupado por Sergio Moro.

Segundo depoimento prestado por Moro no âmbito de investigação sobre as acusações que fez contra Bolsonaro, o presidente teria dito na reunião que iria interferir em todos os ministérios e, quanto à pasta da Justiça e Segurança Pública, se não pudesse trocar o superintendente da PF no Rio, trocaria o diretor-geral da corporação e o próprio ministro da Justiça.

No Planalto, o presidente disse nesta terça que o vídeo é “a última cartada midiática”.

“Eu não escondo nada de ninguém. Expectativa? Olha, o depoimento do Moro, com todo respeito, né? Quem leu, e leu com isenção, viu que não tem acusação nenhuma. O do Valeixo, a mesma coisa. Esse vídeo agora é a última cartada midiática usando da falácia, da mentira, para tentar achar que eu tentei interferir na PF (Polícia Federal)”, disse Bolsonaro.

Atividades essenciais

O presidente voltou a defender sua decisão de incluir academias e salões de beleza como atividades essenciais e a criticar os governadores que estão adotando medidas duras de isolamento social.

“Olha, o caminho para quem não quiser cumprir decreto (sobre atividades essenciais) tem dois: uma ação na Justiça ou projeto de decreto legislativo no Congresso. Ponto final. Fora isso, fora isso, é a mesma coisa que eu desobedecer uma ordem do Supremo. É a mesma coisa”, disse.

“A democracia se faz em cima dessa forma. Eu já entrei com projeto de decreto legislativo quando era deputado, no passado, contra decretos de presidentes”, acrescentou.

*Com informações de Lisandra Paraguassu, Ricardo Brito e Gabriel Ponte, da Agência Reuters.

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