Caso Moro x Bolsonaro: PF ouve depoimentos em processo sobre interferência na instituição

Oitivas visam esclarecer denúncias do ex-ministro Sergio Moro.
Oitivas visam esclarecer denúncias do ex-ministro Sergio Moro.
Oitivas visam esclarecer denúncias do ex-ministro Sergio Moro.
Oitivas visam esclarecer denúncias do ex-ministro Sergio Moro.

A Polícia Federal (PF) continuou hoje (11/05/2020) com os depoimentos no inquérito que apura suposta tentativa de interferência na Polícia Federal (PF). Autorizadas pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), as oitivas visam a esclarecer as denúncias que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro fez ao deixar o governo.

Primeiro a ser ouvido, o ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo chegou à Superintendência da corporação em Curitiba por volta das 10h. Até as 13h, ele ainda não tinha deixado o local. Valeixo foi exonerado do comando da PF no último dia 24, horas antes de Moro renunciar ao cargo afirmando que a demissão do ex-diretor-geral tinha pesado para sua decisão de deixar o governo.

Na ocasião, o ex-ministro disse que Valeixo foi exonerado a pedido do presidente Jair Bolsonaro. “[Bolsonaro] me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter [na direção-geral da corporação] uma pessoa do contato pessoal dele, para quem ele pudesse ligar, colher informações, que pudesse colher relatórios de inteligência. Este, realmente, não é o papel da PF”, declarou Moro.

O presidente, no mesmo dia, negou qualquer intervenção na PF. “Não são verdadeiras as insinuações de que eu desejaria saber sobre as investigações em andamento. Nos quase 16 meses em que esteve à frente do Ministério da Justiça, o senhor Sergio Moro sabe que jamais lhe procurei para interferir nas investigações que estavam sendo realizadas”, afirmou Bolsonaro, dizendo que já tinha explicitado a Moro sua insatisfação com o desempenho de Valeixo.

“Falei para que ele [Moro] que quero um delegado […] com quem eu possa interagir. Por que não? Eu interajo com os órgãos de inteligência das Forças Armadas, eu interajo com a Abin [Agência Brasileira de inteligência], interajo com qualquer um do governo. Sempre procuro o ministro, mas numa necessidade, eu falo diretamente com o primeiro escalão daquele ministro”, afirmou o presidente.

No último dia 28, Bolsonaro chegou a nomear o então diretor da Abin, Alexandre Ramagem, para o lugar de Valeixo, mas a medida foi suspensa um dia depois pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que atendeu a um pedido feito pelo PDT por meio de um mandado de segurança. Em sua decisão, Moraes citou as suspeitas levantadas por Moro uma semana antes.

No último dia 4, o presidente Jair Bolsonaro nomeou o delegado Rolando Alexandre de Souza para assumir o cargo de diretor-geral da Polícia Federal no lugar de Valeixo. Souza era secretário de Planejamento e Gestão da Abin.

Outros depoimentos

Ainda hoje, os investigadores federais à frente do inquérito devem ouvir a Alexandre Ramagem – que após ser impedido de assumir a direção-geral da PF, reassumiu o comando da Abin.

Também está prevista para hoje a oitiva do ex-superintendente da PF no Rio de Janeiro, Ricardo Saadi, que tão logo Rolando Alexandre de Souza foi nomeado diretor-geral, deixou a superintendência para assumir a direção executiva da corporação, em Brasília.

Nesta terça-feira (12), devem ser ouvidos os ministros da Casa Civil, Walter Braga Netto; do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Estão agendados para a quarta-feira (13) os depoimentos dos delegados da PF, Carlos Henrique de Oliveira Souza; Alexandre da Silva Saraiva e Rodrigo de Melo Teixeira, além da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP).

Redação do Jornal Grande Bahia
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