Banco Bradesco indica maiores provisões para inadimplência; Ações caem

Detalhe da fachada de uma agência do Banco Bradesco.
Banco Bradesco prevê aumento da inadimplência.
Detalhe da fachada de uma agência do Banco Bradesco.
Banco Bradesco prevê aumento da inadimplência.

O Bradesco está provisionando 2,7 bilhões de reais para perdas esperadas com inadimplência ligada ao Covid-19 e pode reservar mais nos próximos meses, com o presidente-executivo avaliando a crise como mais severa que as anteriores.

“Nosso objetivo é preservar a solidez do banco para enfrentar os desafios futuros”, disse Octavio de Lazari a jornalistas em teleconferência nesta quinta-feira (30/04/2020). “Essa crise é mais severa do que as que o Brasil enfrentou em 2008 e 2016”, acrescentou, referindo-se à crise financeira global e a uma forte recessão doméstica.

O Bradesco apresentou lucro recorrente de 3,753 bilhões de reais, queda de quase 40% em relação ao ano anterior e abaixo da estimativa da Refinitiv, de 5,975 bilhões de reais.

O retorno sobre o patrimônio líquido caiu 9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, para 11,7%, como resultado das maiores provisões.

As ações preferenciais do segundo maior banco privado do Brasil caíram cerca de 6% por volta de 13 horas.

“Vemos o resultado como negativo devido à deterioração mais rápida do que a esperada nos indicadores de qualidade dos ativos”, disseram analistas do Credit Suisse em nota a clientes, acrescentando que as provisões devem manter tendência de alta.

As provisões para perdas com empréstimos do banco aumentaram 86% sobre um ano antes, a 6,7 bilhões de reais, na expectativa de maior inadimplência de consumidores e empresas que enfrentam os efeitos econômicos da pandemia. O banco tem reserva de 5,1 bilhões de reais para enfrentar um cenário econômico adverso.

Lazari disse que o Bradesco provavelmente concederá aos clientes outra extensão de 60 dias para o pagamento de dívidas. No início de março, o banco já abrira caminho para os clientes adiarem os pagamentos das parcelas por dois meses.

Junto com o aumento das provisões, o banco também tenta enfrentar a crise com corte de custos. O Bradesco pretende fechar mais 78 agências do que o previsto no início do ano, totalizando 378 unidades.

O credor suspendeu as projeções de resultados de 2020 por causa da incerteza relacionada ao coronavírus, e Lazari disse que não pode prever quando a economia poderá se recuperar.

O surto de Covid-19 teve um impacto menor no Brasil até meados de março, portanto seu impacto nas operações bancárias do primeiro trimestre foi limitado.

A carteira de empréstimos do Bradesco cresceu 5,1% em relação a dezembro, principalmente por meio de empréstimos corporativos, já que grandes empresas procuraram reforçar os balanços patrimoniais antes de uma esperada recessão profunda.

Lazari disse que desde meados de março o banco concedeu 57 bilhões de reais em novos empréstimos, mas que a demanda por crédito diminuiu.

As receitas com tarifas aumentaram 2,6% em relação ao ano anterior, nas taxas de conta corrente e corretagem.

*Com infrmações de Carolina Mandl, da Agência Reuters.

Redação do Jornal Grande Bahia
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