Telefônica Brasil cede ao governo dados de deslocamento para controle do coronavírus em São Paulo

Dados da geolocalização de usuários de aparelhos telefônicos são liberados.
Dados da geolocalização de usuários de aparelhos telefônicos são liberados.
Dados da geolocalização de usuários de aparelhos telefônicos são liberados.
Dados da geolocalização de usuários de aparelhos telefônicos são liberados.

A Telefônica Brasil, maior operadora de telefonia móvel do país, firmou acordo de cooperação com o governo do Estado de São Paulo para análise de dados sobre deslocamento populacional na região mais afetada pelo coronavírus, disse à Reuters um executivo.

A companhia, que opera sob a marca Vivo no Brasil, vai disponibilizar dados agregados e anônimos que permitirão às autoridades do Estado identificar se as regras de isolamento social vêm sendo cumpridas e em quais regiões há sobrecarga em atendimento médico, além de antecipar tendências de contaminação.

“Nos últimos cinco anos temos investido forte em big data e inteligência artificial para melhorar experiência do cliente e, quando surgiu a pandemia, construímos aplicações para ajudar no combate”, contou o vice-presidente de dados e inteligência artificial da Vivo, Luiz Medici, em entrevista à Reuters por telefone na terça-feira.

“Temos um grande número de antenas espalhadas pela região que permitem agregar contagem de linhas telefônicas sem identificação dos usuários”, explicou o executivo, minimizando preocupações sobre questões de privacidade dos clientes.

A operadora encerrou 2019 com uma base de 74,6 milhões de clientes em telefonia móvel no país, o equivalente a uma participação de mercado de 32,9% em todo o Brasil, de acordo com o balanço mais recente.

“É uma base estatisticamente relevante e atualizada em tempo real” afirmou Patricia Ellen, secretária de desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia de São Paulo.

Segundo ela, o acordo de cooperação com a Vivo se respalda nos decretos de estado de calamidade em âmbito federal e estadual.

A parceria, que pode durar entre seis meses a um ano, é o primeiro resultado concreto de trabalhos desenvolvidos pelo núcleo de pesquisa, desenvolvimento e inovação dentro do comitê de crise formado pelo governador de São Paulo, João Doria.

“Temos conversado com outras operadoras também para desenvolver outras frentes de trabalho e diariamente analisamos plataformas de arquitetura aberta para ver se ferramentas podem ser combinadas para melhorar a assertividade dos dados e a resposta ao Covid-19”, contou a secretária sem detalhar os outros projetos.

Doria, que constantemente defende medidas de isolamento social para conter o vírus, critica abertamente o presidente Jair Bolsonaro por minimizar a epidemia, que segundo o Ministério da Saúde matou 201 pessoas no Brasil, das quais 136 no Estado de São Paulo. O país ainda tem 5.717 casos confirmados até 31 de março.

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), administrado pelo governo do Estado de São Paulo, deve liderar a análise dos dados anônimos e agregados fornecidos pela Vivo, que serão apresentados na forma de “mapas de calor”, segundo Medici.

Na semana passada, a concorrente TIM também anunciou parceria similar com a prefeitura do Rio de Janeiro para monitoramento de dados de geolocalização de seus clientes, a exemplo do que foi feito durante os Jogos Olímpicos de 2016.

*Com informações de Gabriela Mello, da Agência Reuters.

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