Sérgio Moro ameaça deixar cargo de ministro da Justiça se extremista Jair Bolsonaro trocar diretor-geral da PF, diz fonte

Sérgio Moro, ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, pode deixar cargo.
Sérgio Moro, ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, pode deixar cargo.
Sérgio Moro, ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, pode deixar cargo.
Sérgio Moro, ministro da Justiça do Governo Bolsonaro, pode deixar cargo.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, ameaça deixar o cargo se o presidente Jair Bolsonaro decidir trocar o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta quinta-feira (23/04/2020).

Bolsonaro e Moro tiveram uma reunião mais cedo no Palácio do Planalto em que o assunto foi tratado, disse a fonte.

O titular da Justiça —conhecido nacionalmente por seu trabalho como juiz da operação Lava Jato— não pediu demissão do cargo, segundo a assessoria de imprensa do ministério.

Valeixo foi uma escolha pessoal de Moro para comandar a PF desde o início do governo, em janeiro do ano passado.

Não é a primeira vez, no entanto, que Bolsonaro demonstra interesse de trocar a chefia da PF.

Em agosto do ano passado, o presidente disse que pretendia trocar Valeixo e destacou na ocasião que ele é o responsável pela indicação do chefe da polícia e não Moro, a quem a instituição é funcionalmente ligada. Mas a mudança não prosperou após Moro também ter ameaçado sair.

O presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal, Edvandir Paiva, admitiu nesta quinta que o diretor-geral da PF não está confortável no cargo desde o ano passado. Disse que ele é um policial sério, mas toda hora há essa conversa de troca na PF mesmo sem ele ter feito “nada de errado”.

“Aí ele vai se cansando, me parece natural que após um ano e meio nesse processo, ele queira sair”, disse Paiva à Reuters. “Quem vai ficar nesse processo?”, questionou.

Cotados

Três nomes são cotados para o posto. O secretário de Segurança Pública, do Distrito Federal, Anderson Torres; o diretor da Agência Brasileira de Inteligência, Alexandre Ramagen; e o diretor do Departamento Penitenciário (Depen), Fabiano Bordignon.

Insatisfação com investigações da PF

Desde setembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro está insatisfeito com Maurício Valeixo. Naquela época, Bolsonaro foi informado de uma trama armada entre os policiais para investigar o seu amigo e deputado federal Hélio Lopes, conhecido como Hélio Negão. A revelação colocou a cabeça do diretor-geral da PF a prêmio.

No mesmo mês, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), líder do governo no Senado, e cumpriu mandados de busca e apreensão em gabinetes do Congresso. Isso irritou alguns parlamentares, que reclamaram com Bolsonaro e Moro.

Outro ponto que desgastou Valeixo foi a investigação do esfaqueador do presidente, Adélio Bispo de Oliveira. Bolsonaro chegou a pressionar publicamente a PF para desvendar a identidade do suposto mandante do ataque sofrido em Juiz de Fora, Minas Gerais, durante as eleições de 2018. Após uma apuração minuciosa, a Polícia Federal concluiu que o criminoso agiu sozinho e sofria transtornos mentais. O presidente nunca engoliu essa explicação, mesmo após uma exposição detalhada do caso no Palácio do Planalto.

Além disso, aliados do presidente passaram a detonar Valeixo e Moro nos bastidores e a trabalhar para emplacar um substituto para comandar a PF. No fim do ano passado, o ex-deputado federal, Alberto Fraga, tentou convencer Bolsonaro a nomear o delegado e secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres. Em outra frente de pressão, os filhos do presidente sugeriram o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que trabalhou como segurança de Bolsonaro durante as últimas eleições. Naquela ocasião, o presidente chegou a dar um prazo para resolver esse impasse: início deste ano.

Em janeiro, Valeixo teve uma conversa com Moro para preparar a sua saída. Desgastado, o diretor-geral sugeriu iniciar uma transição do seu cargo enquanto se preparava para assumir outra função: adido da corporação em Portugal. O ministro da Justiça disse que pensaria no caso, mas não aceitou, porque a troca na cúpula da PF poderia abrir espaço para a nomeação de adversários do ex-juiz da Lava-Jato.

Nos últimos dias, o diretor-geral da PF começou a receber sinais de que a hora de encerrar a sua missão poderia ter chegado. Alguns delegados começaram a especular sobre uma possível saída de Valeixo. Alguns nomes chegaram a ser cotados informalmente. Nesta quinta-feira, 23, os boatos se confirmaram: Bolsonaro comunicou a Moro que iria trocar o chefe da Polícia Federal. A decisão fez com que o ministro da Justiça se movimentasse em Brasília para tentar impedir a queda do seu homem de confiança, gerando mais um conflito no governo.

*Com informações de Ricardo Brito, da Agência Reuters.

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