Senador Flávio Bolsonaro financiou construções da milícia no Rio de Janeiro, revela The Intercept

Rachadinha de Flávio Bolsonaro financiou prédios da milícia no Rio, aponta MPRJ em reportagem do ‘The Intercept’.
Rachadinha de Flávio Bolsonaro financiou prédios da milícia no Rio, aponta MPRJ em reportagem do ‘The Intercept’.
Rachadinha de Flávio Bolsonaro financiou prédios da milícia no Rio, aponta MPRJ em reportagem do ‘The Intercept’.
Rachadinha de Flávio Bolsonaro financiou prédios da milícia no Rio, aponta MPRJ em reportagem do ‘The Intercept’.

Segundo informações de reportagem sobre investigação do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro (RJ), o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, financiou e lucrou com a construção de prédios realizada por uma milícia no Rio de Janeiro.

As informações foram reveladas neste sábado (25/04/2020) em uma reportagem assinada pelo jornalista Sérgio Ramalho no site The Intercept.

A reportagem obteve informações de documentos sigilosos do MPRJ, que investiga o senador da família Bolsonaro. A investigação aponta que Flávio usou dinheiro de um esquema prévio de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), conhecido como “rachadinha”, para financiar a construção dos prédios da milícia.

Segundo a reportagem, essa é uma das investigações que fizeram o presidente Bolsonaro pressionar o ex-ministro Sergio Moro pela troca no comando da Polícia Federal no Rio de Janeiro.

O inquérito do MP-RJ investiga Flávio Bolsonaro por organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. A investigação aponta que o senador receberia lucro dos investimentos através do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro deste ano, e também do ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz.

As informações obtidas pela reportagem do The Intercept apontam que 40% do dinheiro obtido no esquema das rachadinhas era repassado por Queiroz a Adriano da Nóbrega, que é tido como chefe do Escritório do Crime, uma milícia do Rio de Janeiro.

Dessa forma, o dinheiro era então investido na construção de prédios irregulares pela milícia. Segundo o MPRJ, então, parte do lucro obtido com a venda dos imóveis era direcionado a Flávio Bolsonaro.

O esquema

De acordo com os investigadores, que falaram com The Intercept em condição de anonimato, Flávio Bolsonaro estaria recebendo atualmente o lucro do investimento dos prédios por meio de repasses feitos pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega —executado em fevereiro na Bahia— e pelo ex-assessor Fabrício Queiroz.

O andamento dessas investigações que fecham o cerco contra o filho do presidente teria sido um dos motivos que fizeram com que Bolsonaro pressionasse no ano passado o agora ex-ministro Sergio Moro pela troca do comando da Polícia Federal no Rio, que também investiga o caso, e em Brasília. Moro deixou, na sexta-feira, o cargo no Ministério da Justiça e Segurança Pública, acusando o presidente de interferir politicamente na PF. Bolsonaro negou a acusação, mas disse que pretende colocar alguém no cargo “com quem possa interagir”.

De acordo com The Intercept, Flávio pagava os salários de seus funcionários com a verba do seu gabinete na Alerj, e Queiroz —apontado como articulador do esquema de “rachadinhas”— confiscava cerca de 40% dos vencimentos dos servidores e repassava parte do dinheiro ao ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, apontado como chefe do Escritório do Crime, uma milícia especializada em assassinatos por encomenda.

A organização criminosa, que, além de Rios das Pedras, atua também em Muzema, cobra “taxas de segurança”, ágio na venda de botijões de gás, garrafões de água, exploração de sinal clandestino de TV, grilagem de terras e na construção civil nas duas favelas, que ficam em Jacarepaguá (zona oeste do Rio) e onde vivem mais de 80 mil pessoas. A região teve um boom de construções irregulares nos últimos anos e, em abril de 2019, duas delas desabaram, deixando 24 mortos e 10 feridos.

As investigações apontam que o lucro com a construção e vendas desses prédios seria dividido com Flávio Bolsonaro, já que ele era o financiador do esquema, usando dinheiro público.

De acordo com o , os repasses da rachadinha para o capitão Adriano acontecia por meio das contas da sua mãe, Raimunda Vera Magalhães, e sua mulher, Danielle da Costa Nóbrega. Ambas tinham cargos comissionados no gabinete do deputado na Alerj entre 2016 e 2017 e foram nomeadas por Queiroz. A mãe e a mulher de Adriano movimentaram ao menos 1,1 milhão de reais durante esse período e teriam repassado dinheiro para algumas empresas, entre elas dois restaurantes, uma loja de material de construção e três pequenas construtoras, que teriam sido registrados em nomes de “laranjas” do Escritório do Crime.

*Com informações do The Intercept, Sputnik Brasil e El País.

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