Sem demanda, siderurgia vai abafando fornos, ações despencam

Linha de produção siderúrgica Huachipato.
Siderúrgicas cortam produção de aço.
Linha de produção siderúrgica Huachipato.
Siderúrgicas cortam produção de aço.

Produtores de aço do Brasil estão aos poucos cortando porções significativas de suas produções de aço bruto, diante de um mercado que evaporou praticamente da noite para o dia após as medidas de restrição à circulação tomadas como forma de conter a epidemia de coronavírus no país.

Com o parque automotivo nacional em férias coletivas até pelo menos final deste mês, suspensão de lançamentos imobiliários, ausência de grandes projetos de infraestrutura e um mercado consumidor temendo pelo desemprego em massa, a demanda por aço no Brasil despencou fazendo grandes produtores como Usiminas, ArcelorMittal e Gerdau iniciarem processos de desligamento de alto-fornos.

Projetados para funcionar ininterruptamente, o chamado abafamento de alto-fornos é uma das medidas mais radicais a serem tomadas por empresas do setor siderúrgico para enfrentarem momentos de crise.

A Usiminas anunciou na véspera desligamento de dois alto-fornos, ampliando para quatro o número de equipamentos de produção de aço bruto parados da empresa e ficando apenas com um operacional. A rival ArcelorMittal iniciou nesta semana abafamento do alto-forno 3 de sua usina no Espírito Santo, que vai se juntar ao 2, parado desde o ano passado.

A Gerdau anunciou nesta sexta-feira que vai desligar este mês o alto-forno 2, de 1,5 milhão de toneladas de capacidade anual, da usina de Ouro Branco (MG), ficando apenas com o equipamento 1, de 3 milhões de toneladas. A empresa também disse que vai parar aciarias elétricas e laminações de aços longos em abril no país.

Procuradas, Ternium, que tem a Usiminas entre clientes, e a CSP não se pronunciaram.

A CSN segue operando no Rio de Janeiro graças a pedidos da construção civil, mas fonte próxima do assunto afirmou que a empresa está estudando o atual cenário de oferta, demanda e estoques na cadeia. “Tudo está sendo estudado: demanda, nível de estoque, exportações, capacidade produtiva, férias coletivas… Abafar um alto-forno é delicado, mas pode acabar ocorrendo com todo mundo”, afirmou.

As ações do setor siderúrgico terminaram em forte queda nesta sexta-feira. Usiminas despencou 11%, CSN caiu 9,5% e Gerdau teve perda de cerca de 7%.

Referindo-se ao desligamento dos fornos da Usiminas, analistas do Credit Suisse afirmaram nesta sexta-feira que a situação “não apenas indica que as condições de demanda serão significativamente mais fracas adiante, mas que os custos provavelmente vão subir”.

“Promover o abafamento de um alto-forno é custoso…e o religamento até o atingimento de nível ótimo de produção pode levar semanas, se não meses”, acrescentaram.

Os dois alto-fornos da Usiminas em Cubatão estão desligados desde 2016, e a empresa havia informado em fevereiro que não via condições de demanda suficiente para religá-los antes de 2024, por causa do já débil crescimento da economia brasileira antes da pandemia de Covid-19.

Com o desligamento de dois dos três altos-fornos em Ipatinga (MG), a capacidade nominal da Usiminas, fica limitada a cerca de 2,35 milhões de toneladas por ano. No total, a Usiminas poderia produzir até 9,5 milhões de toneladas com todos os fornos em funcionamento. Já a usina da ArcelorMittal em Tubarão, reduzirá sua capacidade de 7,5 milhões de toneladas anuais para cerca de 3,8 milhões de toneladas, com apenas o forno 1 em operação.

“Ainda não há previsão de quanto tempo o equipamento (alto-forno 3) ficará parado. Isso vai depender das condições do mercado”, afirmou a ArcelorMittal Brasil em comunicado. Além do alto forno, a empresa está reduzindo produção de aços longos neste mês. O grupo não informou volumes.

*Com informações de Alberto Alerigi Jr., da Agência Reuters.

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