Polícia Civil mineira descarta hipótese de sabotagem na fábrica da Backer

Polícia mineira descarta hpótese de sabotagem na fábrica da Backer.
Polícia mineira descarta hipótese de sabotagem na fábrica da Backer.
Polícia mineira descarta hpótese de sabotagem na fábrica da Backer.
Polícia mineira descarta hipótese de sabotagem na fábrica da Backer.

Responsável pelo inquérito que a Polícia Civil instaurou para apurar as circunstâncias e os responsáveis pela intoxicação de 42 pessoas que ingeriram cervejas da Backer, o delegado Flávio Grossi, revelou que a hipótese da cervejaria mineira ter sido alvo de sabotagem foi rejeitada.

“A linha de [que houve] sabotagem foi descartada. Não evoluímos com esta linha. A negligência sim é uma das nossas linhas de investigação”, disse o delegado, quarta-feira (08/04/2020), dia em que as investigações policiais sobre o caso completam três meses.

Segundo Grossi, a possibilidade da Backer ter deliberadamente usado o dietilenoglicol no processo de produção de suas cervejas ainda não está descartado, embora haja indícios de que a empresa pode ter empregado a substância acreditando tratar-se de monoetilenoglicol. As duas substâncias são tóxicas e costumam ser usadas em sistemas de refrigeração devido a suas propriedades anticongelantes.

O delegado disse acreditar que a força-tarefa montada para esclarecer o caso está prestes a concluir o inquérito, mas evitou antecipar conclusões. “Estamos em um estado avançado sobre o caminho do dietilenoglicol e sobre como aconteceu [a contaminação]. O que eu posso falar é que existia dietilenoglicol dentro da cervejaria, o que está quimicamente comprovado”, acrescentou Grossi, alegando ainda não ser o momento de falar sobre como a substância tóxica contaminou dezenas de lotes de diferentes rótulos de cerveja produzidos pela Backer e que chegaram às mãos dos consumidores.

Mortes

Ao menos nove pessoas morreram por complicações que as autoridades públicas de Minas Gerais associam à síndrome nefroneural atribuída à intoxicação por dietilenoglicol. Destas, cinco foram submetidas a necropsias: em quatro casos, a perícia acusou a presença de dietilenoglicol; o resultado do quinto exame ainda não foi concluído.

De acordo com o delegado, os laudos das outras quatro vítimas não submetidas a necropsias “diretas” serão atestados de forma “indireta”, ou seja, por meio da análise de vários documentos médicos, incluindo a evolução do quadro clínico desde o surgimento dos sintomas que os levaram a procurar ajuda até o óbito.

Já as 33 vítimas sobreviventes que figuram no inquérito também vinham sendo submetidas a uma série de exames que, com a pandemia do novo coronavírus, foram interrompidos por questões sanitárias. “Passamos a realizá-los indiretamente, por apresentação de prontuários”, comentou Grossi, explicando que, também nestes casos, médicos-legistas vão analisar os documentos e produzir laudos “indiretos”.

Inquérito

Desde o início da investigação, a Polícia Civil já colheu os depoimentos de 66 pessoas, entre vítimas, testemunhas e ligadas à Backer. De acordo com o delegado, os responsáveis pela cervejaria vem colaborando com o trabalho policial, apesar de alguns desentendimentos iniciais.

“Houve, em alguns momentos, desentendimentos da nossa atuação por parte da empresa, mas todos foram sanados a tempo e a investigação pôde continuar a todo vapor. Entreveros são naturais. O importante é que isto não impediu que as perícias continuassem”, pontuou o delegado.

*Com informações da Agência Brasil.

Redação do Jornal Grande Bahia
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