País tem de combater vírus do autoritarismo, diz deputado Rodrigo Maia após extremista Jair Bolsonaro ir a ato a favor de Golpe Militar no Brasil

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados.
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na noite de domingo (19/04/2020) que além do coronavírus, o país precisa combater o vírus do autoritarismo e que não há tempo a perder com “retóricas golpistas”, após o presidente Jair Bolsonaro discursar no domingo em um ato em frente ao quartel-general do Exército que pediu intervenção militar no país.

“O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição”, escreveu Maia no Twitter.

“Não temos tempo a perder com retóricas golpistas. É urgente continuar ajudando os mais pobres, os que estão doentes esperando tratamento em UTIs e trabalhar para manter os empregos. Não há caminho fora da democracia.”

No domingo, Bolsonaro discursou em cima da caçamba de uma caminhonete para um grupo de pessoas que se aglomerou, desrespeitando as orientações de isolamento social para conter a propagação do coronavírus. Por vários momentos o presidente interrompeu a fala para tossir.

Os manifestantes carregavam faixas contra Maia, que se tornou alvo de Bolsonaro na semana passada, contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e a favor de uma intervenção militar no país e de um novo Ato Institucional número 5 (AI-5), editado durante a ditadura militar e que marcou o endurecimento do regime com o fechamento do Congresso e a cassação de mandatos, por exemplo.

Governadores de 20 Estados também divulgaram uma “carta aberta à sociedade em defesa da democracia” em que manifestam apoio a Maia e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Não julgamos haver conflitos inconciliáveis entre a salvaguarda da saúde da população e a proteção da economia nacional, ainda que os momentos para agir mais diretamente em defesa de uma e de outra possam ser distintos”, afirma a carta.

“Consideramos fundamental superar nossas eventuais diferenças através do esforço do diálogo democrático e desprovido de vaidades. A saúde e a vida do povo brasileiro devem estar muito acima de interesses políticos, em especial nesse momento de crise.”

A manifestação a favor de uma intervenção militar foi criticada pelos ministros do STF Luís Roberto Barroso, que classificou o protesto de “assustador”, e Gilmar Mendes, que disse: “invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática”.

Em nota, o procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, reiterou discurso que fez em solenidade do Ministério Público Federal na sexta-feira, no qual renovou “o compromisso do Ministério Público brasileiro de velar, em todas as unidades da Federação e por meio de todos os seus ramos, pela ordem jurídica que sustenta o regime democrático, nos termos da Constituição Federal”.

Extremista Jair Bolsonaro diz a manifestantes em ato pró-intervenção militar que acabou a velha política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (19/04/2020), a manifestantes que participaram de ato em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, e defenderam intervenção militar, que acabou a “época da patifaria” e do que costuma chamar de “velha política”.

Vestidas de verde e amarelo, portando bandeiras do Brasil e faixas — uma delas dizia “Fora Maia”, em referência ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), contra quem Bolsonaro abriu fogo direto na última semana —, as pessoas aplaudiram o presidente no Setor Militar Urbano da capital do país enquanto ele, da carroceria de uma caminhonete, chegou a interromper sua fala am alguns momentos para tossir.

“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás, nós temos um novo Brasil pela frente”, disse a manifestantes, que se aglomeraram em frente ao Quartel General do Exército e traziam faixas em defesa de uma intervenção militar.

“Todos, sem exceção no Brasil, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece”, continuou, aplaudido a cada frase pelos manifestantes, que vez ou outra gritavam frases contra o Congresso, o Supremo Tribunal Federa (STF), e também a favor do AI-5, o ato institucional editado durante a ditadura e que marcou o endurecimento do regime.

Nos ataques abertos contra Maia durante a semana, Bolsonaro chegou a afirmar que o presidente da Câmara não age como patriota e sugeriu que sua atuação tenha como objetivo tirá-lo da Presidência da República.

“Acabou a época da patifaria”, disse Bolsonaro neste domingo. “Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza que todos nós juramos um dia dar a vida pela pátria. Vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil.”

O presidente seguiu o discurso, muito aplaudido, e disse que fará “o possível” para mudar o destino do país, garantindo que a população pode contar com ele para fazer “tudo aquilo que for necessário” para manter a democracia e a “nossa liberdade”. Também afirmou estar ali por “acreditar” nos manifestantes.

“Chega da velha política”, disse Bolsonaro.

As aglomerações têm sido repudiadas pelo Ministério da Saúde em sua estratégia de combate ao coronavírus, uma vez que se defende o isolamento social, ao qual o presidente se opõe.

O presidente realizou dois exames para verificar se havia sido contaminado pelo novo coronavírus, após vários integrantes de sua comitiva presidencial durante viagem aos Estados Unidos testarem positivo para a doença.

Segundo o próprio presidente, os dois exames realizados tiveram resultado negativo para Covid-19. Ele se recusou a divulgar o laudo dos testes.

Partidários e simpatizantes do presidente também participaram de carreata na Esplanada dos Ministérios.

*Com informações de Eduardo Simões, da Agência Reuters.

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