OMS alerta para possíveis impactos de combate à pandemia sobre malária e imunização

Enfermeira mede temperatura de menina em Hospital de Beirut, no Líbano.
Enfermeira mede temperatura de menina em Hospital de Beirut, no Líbano.
Enfermeira mede temperatura de menina em Hospital de Beirut, no Líbano.
Enfermeira mede temperatura de menina em Hospital de Beirut, no Líbano.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, está profundamente preocupada com o impacto que a pandemia de covid-19 terá em serviços de saúde para crianças.

Falando a jornalistas em Genebra, o diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, disse que “as crianças podem ter baixo risco de doenças graves e morte por covid-19, mas correm alto risco de outras doenças prevenidas com vacinas.”

Vacinas

Esta semana é a Semana Mundial de Imunização, que acontece até 30 de abril. Tedros afirmou que “a imunização é uma das maiores histórias de sucesso na história da saúde global” e que mais de 20 doenças podem ser prevenidas com vacinas.

Todos os anos, mais de 116 milhões de crianças são vacinadas, ou 86% de todas as crianças nascidas globalmente. Mas ainda existem mais de 13 milhões de crianças em todo o mundo sem acesso a esses serviços.

Segundo o chefe da OMS, é certo que “esse número aumentará por causa da covid-19”, com interrupções em dezenas de países.

Malária

Também estão sendo afetados serviços para muitas outras doenças, que atingem sobretudo pessoas mais pobres e vulneráveis, como a malária.

Sábado, 25 de abril, marcou o Dia Mundial de Combate à Malária. Segundo uma nova análise do impacto da covid-19 em 41 países da África Subsaariana, o número de mortes por malária pode dobrar na região.

Tedros disse, no entanto, que “isso não precisa acontecer” e que a OMS está trabalhando com países e parceiros para garantir que os serviços contra a malária continuam.

Balanço

Até esta segunda-feira, tinham sido confirmados mais de 2,8 milhões de casos e mais de 196 mil mortes.

Para Tedros, “o recurso mais importante na luta continua a ser a solidariedade.” Ele lembrou o lançamento do acelerador de acesso a diagnósticos, tratamentos e vacinas para o vírus, que aconteceu na sexta-feira, dizendo que “foi uma demonstração poderosa de solidariedade.”

Tedros afirmou, no entanto, que “é preciso uma vacina para controlar esse vírus.”

Ele disse que o sucesso no desenvolvimento de medicamentos e vacinas contra o Ebola mostrou “o enorme poder da colaboração nacional e internacional.” A OMS desempenhou um papel fundamental nesse processo e está fazendo o mesmo com a covid-19. Para o chefe da agência, “o desenvolvimento de uma vacina foi acelerado por causa do trabalho anterior da OMS.”

Regiões

Tedros destacou ainda o fim de algumas medidas de isolamento na Europa, mas afirmou que “a pandemia está longe de terminar.”  A OMS continua preocupada com tendências de crescimento na África, Europa Oriental, América Latina e alguns países asiáticos.

A agência continua apoiando dezenas de países. Na semana passada, entregou suprimentos para mais de 40 Estados africanos. Mais entregas estão planejadas.

A OMS já enviou milhões de itens de equipamentos de proteção individual para 105 países e suprimentos de laboratório para mais de 127 Estados-membros. Muitos outros milhões de testes serão enviados nas próximas semanas.

Solidariedade

Tedros também agradeceu aos mais de 280 mil indivíduos, empresas e fundações que contribuíram para o Fundo de Resposta à Solidariedade, que já gerou mais de US$ 200 milhões.

Pela primeira vez, o briefing da agência teve tradução simultânea para português, que já estava disponível nas seis línguas oficiais da ONU. Nas próximas semanas, o serviço estará disponível em suaíle e hindi.

O diretor-geral disse que a OMS continua investindo em multilinguíssimo porque “beleza é diversidade” e a agência está “comprometida em prestar toda a informação possível, em todas as línguas possíveis, para chegar a todos os cantos do mundo.”.

*Com informações da ONU News.

Redação do Jornal Grande Bahia
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