Ministro da Saúde garante que não vai haver medida intempestiva sobre isolamento; IBGE ajudará em testagem, diz

Nelson Teich, ministro da Saúde do Governo Bolsonaro.
Nelson Teich, ministro da Saúde do Governo Bolsonaro.
Nelson Teich, ministro da Saúde do Governo Bolsonaro.
Nelson Teich, ministro da Saúde do Governo Bolsonaro.

O ministro da Saúde, Nelson Teich, assegurou nesta segunda-feira (27/04/2020) que o governo não adotará nenhuma “medida intempestiva” com relação ao afrouxamento das ordens de isolamento social estabelecidas para conter o avanço do coronavírus, mas ressaltou que o país tem situações diversas relacionadas à doença em suas diferentes localidades.

Teich prometeu para esta semana a definição de diretrizes para orientar Estados e municípios a decidirem sobre as medidas de isolamento, o que tem provocado preocupação entre especialistas em saúde pública devido ao avanço da doença em alguns Estados.

Segundo o ministro, as recomendações do ministério sobre o afrouxamento do isolamento serão baseadas em informações que garantam a segurança das pessoas e as condições de funcionamento dos sistemas locais de saúde.

“Ninguém vai incentivar medidas que restrinjam a contenção sem a informação adequada”, afirmou o ministro em entrevista coletiva, no Palácio do Planalto, sobre a situação da doença no país.

“A gente vai buscar informação necessária para tomar as decisões”, acrescentou, em sua primeira entrevista técnica sobre a Covid-19 desde que tomou posse, dia 17 de abril.

Teich, que assumiu o cargo depois que o então ministro Luiz Henrique Mandetta entrou publicamente em atrito com o presidente Jair Bolsonaro sobre as medidas de isolamento social, ainda não informou quais serão os parâmetros adotados pela pasta ao apresentar as diretrizes.

Bolsonaro é crítico declarado das medidas de contenção social, afirmando que os impactos econômicos provocados são piores do que os problemas provocados pela própria doença.

O Ministério da Saúde informou que cerca de 40% dos municípios brasileiros não têm sequer um caso confirmado de coronavírus ou de qualquer síndrome respiratória, o que permite o afrouxamento de medidas de contenção social.

“Esses municípios podem atuar de maneira diferenciada quando comparada com municípios que têm muitos casos. É isso que estamos auxiliando nas métricas para a retomadas de todas as atividades”, disse o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Wanderson Oliveira.

Atenção especial

Por outro lado, a pasta ressaltou três cidades específicas que precisam de uma atenção especial devido ao avanço da Covid-19 e a escassez de infraestrutura hospitalar: Manaus, Belém e Rio de Janeiro.

Nos casos de Amazonas e Rio de Janeiro, os governos estaduais já anunciaram que suas redes de saúde atingiram o limite devido ao avanço da Covid-19. O Rio é o segundo Estado mais afetado pela doença no Brasil, com 7.944 casos e 677 mortes, e o Amazonas tem 3.928 casos e 320 mortes.

São Paulo é o Estado mais afetado pela doença no país, que passou nesta segunda-feira das 4.500 mortes e de 66,5 mil casos.

O ministro também anunciou nesta segunda-feira que solicitou o apoio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para definir a melhor parcela da população a ser testada para Covid-19 de forma a entender o panorama da doença.

Apesar de ter previsão de realizar 46 milhões de testes, até o momento o governo vem enfrentando dificuldade para ampliar a capacidade de testagem, o que tem resultado em uma subnotificação da doença. Até o dia 22 de abril, cerca de 340 mil testes tinham sido enviados aos Estados, dos quais 181 mil tinham sido aplicados, segundo dados do ministério.

“Em relação a quem testar, como testar e quando testar, a gente está trazendo o IBGE pra nos ajudar a definir qual é a melhor amostra da população para ser testada, para que ela possa dar informação que a gente precisa para o entendimento da doença”, disse.

Teich não informou qual será o papel específico do IBGE.

*Com informações de Ricardo Brito e Pedro Fonseca, da Agência Reuters.

Carlos Augusto
Sobre Carlos Augusto 9371 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).