Feira de Santana em histórias: A Micareta de 1947 | Por Adilson Simas

Micareta de Feira de Santana em 1947.
Micareta de Feira de Santana em 1947.
Micareta de Feira de Santana em 1947.
Micareta de Feira de Santana em 1947.

Na micareta de 1947, era prefeito tampão o farmacêutico João Barbosa de Carvalho, que substituiu Carlos Valadares, que se afastou para ser candidato a deputado estadual. Homem bondoso, dono da antiga Farmácia Agrário, João Barbosa era tido como médico pela classe pobre da cidade. Morreu no exercício do cargo e foi substituído por mais um prefeito tampão, o advogado Edelvito Campello, mas esse é outro assunto, pois hoje o tema é micareta.

Naquela micareta Feira de Santana ainda era uma cidade pequena, basicamente com quatro grandes ruas no centro, alguns becos que ficariam famosos e cerca de meia dúzia de subúrbios com poucas casas. Entre eles Tanque da Nação e Olhos D’Água, próximos do centro e os distantes Tomba e Sobradinho.

Tanto assim que segundo os números oficiais do IBGE, nos anos 40 todo o município de Feira de Santana tinha apenas 83.268 habitantes, sendo 63.608 na zona rural e somente 19 mil e 660 pessoas residindo na sede do município.

Sobre a micareta, os jornais da época destacam que além dos três clubes tradicionais, 25 de março, Vitória e a Euterpe Feirense, que ainda funcionava no prédio da antiga Prefeitura, em frente a Igreja Senhor dos Passos, também houve festa no caçula Feira Tênis Clube, que tinha três anos de fundado.

O FTC realizou quatro bailes cobrando do não associado 50 cruzeiros por noite e 150 cruzeiros pelas quatro noites. Vale ressaltar que para melhorar a sede em razão da festa momesca, o diretor Newton Falcão conseguiu da Fábrica de Tintas Renner a doação de 72 galões de tintas Reko, para que fosse feita a pintura do clube.

Também foi grande a animação nas ruas. O jornal “Folha do Norte” que circulou depois da micareta, disse em matéria de primeira página:

“Corresponderam plenamente a expectativa, os ranchos, ternos e cordões, entre eles os Guardas de Momo, de João Alfaiate e Os Sentinelas da Lua de Isaac Nunes e Arlindo Pintor.

Informa também que as batucadas Amantes das Flores, Cadetes do Ritmo e Canto do Canecão com turmas selecionadas e boas na fuzarca revolucionaram a cidade.

Ainda segundo o jornal, três caminhões se sobressaíram no desfile grandioso da Avenida da Alegria, citando Mula Manca, que levava uma grande mula de papelão, bem como Garotas do Frevo e o caminhão Nós Queremos.

Na Rua Direita, quartel general da folia, além da coroação da rainha Delorisa Bastos e as princesas,  do desfile infantil da turma das caboclas, do terno de Cachoeira e dos cordões vindos da Bahia, que era como se chamava Salvador na época, a nota sensacional, foi dada quando Jeremias se apresentou ao público montado numa mula manca.

O jornal destaca que a exemplo de festas anteriores, naquela micareta os cordões, ternos e ranchos continuavam cantando letras de compositores feirenses, entre eles Aloisio Resende, o Zinho Faula que faleceu seis anos antes e Adalardo Barreto, o conhecido Ladinho.

Nos salões dos clubes continuava o predomino de sucessos do carnaval carioca. E por conta da Segunda Guerra Mundial, cantava-se muito mais as músicas de antigos carnavais.

Na 25 de Março, permanecia em sucesso o samba carnavalesco de Noel Rosa, que composto em 1934, continuava na boca dos foliões que pulavam cantando: “O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu, e também vão sumindo, as estrelas lá no céu. Tenho passado tão mal! A minha cama é uma folha de papel…”.

No Tênis, outro sucesso de Noel Rosa, e que terminou sendo a única música a identificar a sisuda Aracy de Almeida como interprete, cantando “Quem é você que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz…”.

No sobrado da Euterpe, todas cantavam a letra de André Filho, interpretada por Aurora Miranda, exaltando o Rio de Janeiro: “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil, cidade maravilhosa, coração do meu Brasil…”.

Por fim, vale lembrar os que fizeram aquela micareta, todos citados no livro de Helder Alencar: Oscar Erudilho, João Domingues Gonçalves, Manuel Marques, Agostinho Motta, Florisvaldo Albuquerque, Mário Lustosa, Hermenegildo Santana, Narciso da Natividade, Edgar Lima, Constantino Reis, Clarival Souza, Hugo Silva, Milton Costa e Paulo Cordeiro.

*Adilson Simas, jornalista, atua em Feira de Santana.

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