Fazendários da Bahia rechaçam declaração do ministro Paulo Guedes sobre servidores

Marlúcia Paixão, diretora do Sindsefaz.
Marlúcia Paixão: É um injusto ataque contra um segmento formado por homens e mulheres que estão enfrentando o coronavírus para salvar vidas, nas ruas (policiais), nos hospitais (servidores da saúde).
Marlúcia Paixão, diretora do Sindsefaz.
Marlúcia Paixão: É um injusto ataque contra um segmento formado por homens e mulheres que estão enfrentando o coronavírus para salvar vidas, nas ruas (policiais), nos hospitais (servidores da saúde).

O Sindicato dos Fazendários da Bahia (Sindsefaz) repudia veementemente as palavras do ministro Paulo Guedes, que continua insinuando que os servidores públicos são privilegiados e “parasitas”. Em coletiva ao lado do presidente da República, nesta segunda (27/04/2020), o titular da pasta da Economia declarou: “O servidor público não vai ficar em casa trancado com geladeira cheia e assistindo a crise enquanto milhões de brasileiros estão perdendo emprego”. E sugeriu que o funcionalismo fique sem reajuste de salário em 2020 e 2021.

Para a entidade, a fala do ministro visa colocar o funcionário público, mais uma vez, como vilão da crise. “É um injusto ataque contra um segmento formado por homens e mulheres que estão enfrentando o coronavírus para salvar vidas, nas ruas (policiais), nos hospitais (servidores da saúde), nos postos fiscais, volantes e repartições (fazendários), entre outros”, diz a diretora do Sindsefaz. Marlúcia Paixão, que também é vice-presidente da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) informa que o próprio governo federal elencou diversos serviços públicos como essenciais durante o período de pandemia.

Marlúcia lembra que os servidores públicos baianos estão há 6 anos sem reajuste e acumulam perdas de 32% dos seus vencimentos. Para ela, o ministro Paulo Guedes desvia o foco para não debater a cobranças por medidas que atinjam os verdadeiros privilegiados do país. “Há 206 bilionários brasileiros, que são donos de metade da riqueza nacional, que pagam menos impostos que um trabalhador que ganha R$ 4 mil ou R$ 5 mil por mês”, diz ela. A sindicalista denuncia que enquanto o trabalhador tem desconto de imposto de renda de 7,5% 15%, 22,5% e 27,5% no seu salário, os grandes empresários no Brasil estão isentos de taxação dos valores que recebem a título de lucros e dividendos.

Para o Sindsefaz, em vez de eleger o servidor como alvo, o governo Bolsonaro deveria mudar sua política econômica para salvar o país do caso social, pois mesmo antes da pandemia de covid-19 caminhávamos para uma paralisia, com desemprego alto, queda nas vendas de varejo e dólar disparado, já acima de R$ 5,00. “Enquanto os principais países do mundo aumentam o gasto social e fortalecem o Estado para proteger vidas, manter empregos e sair da crise com capacidade para retomar o crescimento econômico, o Brasil mantêm-se preso a uma política fiscalista que só favorece bancos e especuladores”, afirma Marlucia Paixão.

A fazendária diz que o governo da Alemanha aplicará 35% do PIB de recursos do tesouro para salvar sua economia e garantir o trabalho durante a pandemia de coronavírus, o Reino Unido aplicará 17% e os EUA 12%. “Na contramão do mundo, o Brasil investirá apenas 7% do seu PIB, pois na política econômica regressiva e de morte do Palácio do Planalto, vidas e empregos são o que menos importa”, finaliza.

Redação do Jornal Grande Bahia
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