Brasil vai receber matéria-prima para hidroxicloroquina, diz presidente Jair Bolsonaro; Extremista usa panaceia para justificar falta de política pública para enfrentamento da pandemia de Covid-19

Presidente Jair Bolsonaro citou cardiologista que receitou e usou medicamento;

Presidente Jair Bolsonaro citou cardiologista que receitou e usou medicamento.

O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV na noite desta quarta-feira (08/04/2020) no qual afirmou que o Brasil irá receber da Índia, até sábado (11), matéria-prima para produzir a hidroxicloroquina, remédio utilizado para tratamento experimental da covid-19 e também usado no tratamento de doenças como malária, lúpus e artrite.

O presidente afirmou que, nos últimos 40 dias, após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado, passou a divulgar a possibilidade de tratamento da covid-19 desde a fase inicial da doença.

Bolsonaro citou a conversa com o médico cardiologista Roberto Kalil que afirmou que usou o medicamento e também o prescreveu para dezenas de pacientes. “Todos estão salvos. Disse-me mais: que, mesmo não tendo finalizado o protocolo de testes, ministrou o medicamento agora, para não se arrepender no futuro. Essa decisão poderá entrar para a história como tendo salvo milhares de vidas no Brasil. Nossos parabéns ao doutor Kalil”, comentou.

Empregos

Bolsonaro reafirmou que o objetivo principal do governo “sempre foi salvar vidas” e, após se solidarizar com as famílias de pessoas que morreram por causa do novo coronavírus, disse que há dois problemas a serem resolvidos e que devem ser tratados simultaneamente: o novo coronavírus e o desemprego.

Entre as medidas de estímulo à economia adotadas pelo governo, o presidente citou o pagamento que começa a ser feito amanhã (9) de R$ 600, por três meses, de auxílio emergencial para trabalhadores informais, desempregados e microempreendedores.Ele destacou também a isenção do pagamento da conta de energia elétrica a 9 milhões de famílias beneficiárias da tarifa social, também por três meses meses, e a liberação de R$ 60 bilhões de capital de giro para pequenas empresas e construção civil por meio da Caixa Econômica Social.
O presidente citou ainda o saque, previsto para começar em junho, de até R$ 1.045 para quem tem conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Os beneficiários do Bolsa Família, que são quase 60 milhões de pessoas, também receberão um abono complementar do auxílio emergencial”, acrescentou.

Isolamento social

Sobre as medidas de isolamento social estabelecidas por governadores e prefeitos, o presidente falou que em nenhum momento o governo federal foi consultado sobre a amplitude ou duração das ações. “Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos. Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos”, completou. O presidente disse ter certeza de “que a grande maioria dos brasileiros quer voltar a trabalhar”. “Esta sempre foi minha orientação a todos os ministros, observadas as normas do Ministério da Saúde”, destacou.

Citando o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, Bolsonaro disse que as soluções para a pandemia variam de país para país e ressaltou que os mais pobres precisam trabalhar para garantir a alimentação. “Os mais humildes não podem deixar de se locomover para buscar o seu pão de cada dia. As consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença. O desemprego também leva à pobreza, à fome, à miséria, enfim, à própria morte.”

Bolsonaro disse que decide as questões de país de ”forma ampla” usando a equipe de ministros. “Todos devem estar sintonizados comigo”, afirmou o presidente.

Panaceia

Observa-se que o extremista de direita Jair Bolsonaro utiliza o medicamento hidroxicloroquina como uma panaceia, ou seja, remédio para todos os males decorrente da pandemia de Covid-19.

Em cerca de 33% dos casos de infecção por Covid-19, a medicação por hidroxicloroquina teve efeito toxicológico, agravando a enfermidade do paciente. Esse dado foi proclamado em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (08) pelo médico Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde do Desgoverno Bolsonaro.

Necropolítica

Em síntese, conforme análise sobre a população em um cenário crítico de infecção pelo Covid-19, com base no modelo estatístico do Imperial College de Londres, conjugado com o Relatório OMS-China, os dados sobre o Brasil revelam uma população total 212.559.409 habitantes, destes, 187.799.806 membros serão infectados; enquanto 6.206.514 de pacientes necessitarão de internamento; 1.527.536, precisará de internamento em uti semi-itensiva e 1.152.283 de infectados podem ir a óbito, ou seja, esse é o cálculo de morte que o totalitário Jair Bolsonaro assume como aceitável.

Em outra entrevista coletiva, o ministro Luiz Henrique Mandetta declarou que o ministério da Saúde estima em 100 mil o número de mortos, cerca de 11 vezes menos a projeção estatística do Imperial College.

Política pública

Enquanto o inepto governante vende ilusões ao povo, soluções efetivas são adiadas e, ou, possuem pouca abrangência no tratamento do problema de saúde pública.

Diversas ações que poderiam estar em curso são postergadas, porque o necropoder do extremista Jair Bolsonaro, aceitou o cálculo da morte, adotado a necropolítica, como solução social.

São exemplos de uma política pública que poderiam estar em curso no país, e que necessitam de uma ação do Governo Central:

  1. a) Ampliação e especialização da capacidade instalada do sistema de saúde;
  2. b) Coordenação dos protocolos de atendimento, distribuindo de forma estratégica por cidades-polo, com implantação de rede hospitalar de tratamento dos infectados, segregando por diferentes níveis de infecção;
  3. c) Concepção e construção de novas bases industriais para produção de insumos que permita a autossuficiência no enfrentamento da infecção, com produção, estoque e distribuição de equipamentos e testes laboratoriais, medicamentos e equipamentos para suporte da vida em unidade semi-intensiva, produção de equipamentos de proteção individual (EPI) para diferentes níveis de risco biológico, assim como, desenvolva pesquisa e desenvolvimento de fármacos que possam ser utilizados para reversão dos quadros de infeção viral, além de construir novas fábricas de vacinas, que atendam regiões do país, em um modelo centralizado por posição geográfica, combinado com convergência de centros de pesquisa.

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Editorial: Como os dados estatísticos revelam a ineficiência do sistema público de saúde e a elevada taxa de mortalidade do Brasil, no caso de infectados pelo Covid-19

*Com informações da Agência Brasil.

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