Brasil tem recorde de 474 mortes por coronavírus em 24 horas e supera total da China

Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida em Manaus, repleto de sepulturas de vítimas da Covid-19.
Nesta terça-feira (28/04/2020) foram registradas 5.017 mortes relacionadas à doença provocada pelo novo coronavírus, ante 4.543 até o dia anterior.
Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida em Manaus, repleto de sepulturas de vítimas da Covid-19.
Nesta terça-feira (28/04/2020) foram registradas 5.017 mortes relacionadas à doença provocada pelo novo coronavírus, ante 4.543 até o dia anterior.

O Brasil bateu novo recorde de mortes em um dia em razão da pandemia do novo coronavírus, com 474. Segundo atualização do Ministério da Saúde divulgada nesta terça-feira (28/04/2020), o total subiu para 5.017, aumento de 10,4%. O acréscimo mais alto até então havia sido na quinta-feira (23/04/2020), quando foram contabilizados 407.

O Brasil chegou a 71.886 pessoas infectadas. Nas últimas 24 horas foram adicionadas às estatísticas mais 5.385 casos, aumento de 8,1% em relação a ontem, quando foram registrados 66.501 mil pessoas nessa condição. Foi o segundo maior número em um dia, perdendo apenas para o sábado (25), quando foram acrescidos 5.514 novos casos ao balanço.

De acordo com o Ministério da Saúde, deste total, 34.325 estão em acompanhamento (48%) e 32.544 já foram recuperados, deixando de apresentar os sintomas da doença. Ainda são investigados 1.156 mortes.

São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de falecimentos (2.049). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (738), Pernambuco (508), Ceará (403) e Amazonas (351).

Além disso, foram registradas mortes no Maranhão (145), Pará (129), Bahia (86), Paraná (77), Minas Gerais (71), Espírito Santo (64), Paraíba (53), Rio Grande do Norte (48), Rio Grande do Sul (45), Santa Catarina (44), Alagoas (36), Distrito Federal (28), Amapá (28), Goiás (27), Piauí (21), Acre (16), Sergipe (11), Mato Grosso (11), Rondônia (11), Mato Grosso do Sul (nove), Roraima (seis) e Tocantins (dois).

Hoje a equipe do Ministério da Saúde não concedeu a habitual entrevista coletiva na qual apresenta as análises dos dados e comenta as medidas adotadas para conter a propagação do novo coronavírus no país.

Governo Bolsonaro e a responsabilidade 

Até a semana passada, o Brasil havia registrado mais de 3 mil novos casos diários apenas em duas ocasiões. Nos últimos dias, porém, o patamar foi facilmente superado, com o menor dos avanços no período sendo de 3.379 casos, no dia 26.

A contagem de óbitos segue curso semelhante. Desde a última quarta-feira, quando bateu o recorde anterior de mortes em 24 horas, com 407, o país registrou mais de 300 mortes diárias todos os dias com exceção de domingo, quando foram relatados 189 óbitos.

Esses saltos tanto no registro de mortes quanto de infectados ocorrem no momento em que governadores e prefeitos têm dado sinais de adotar medidas de relaxamento de distanciamento social.

O presidente Jair Bolsonaro tem sido um dos principais defensores de retomar o quanto antes a atividade econômica, a despeito do avanço do novo coronavírus. Alega de modo geral que o desemprego pode ter maior impacto do que o combate ao Covid-19.

Nesta terça, o governo não realizou a entrevista coletiva diária para comentar as ações referentes ao combate à pandemia. O ministro da Saúde, Nelson Teich, também só realizou uma entrevista coletiva técnica com a equipe desde que tomou posse, em 17 de abril.

O ministro da Saúde deve participar na quarta-feira de sessão remota do Senado, por videoconferência, para falar das ações da pasta no combate à crise do coronavírus, incluindo as providências tomadas em relação a Estados e municípios. O convite a Teich foi aprovado pelos senadores na noite da segunda-feira.

São Paulo continua sendo o Estado mais afetado pela doença no Brasil, com 24.041 casos —avanço de 2.345 em relação à véspera— e 2.049 mortes, sendo 224 óbitos nas últimas 24 horas, segundo o ministério.

Rio de Janeiro vem em seguida com 8.504 casos e 738 mortes no período. O Ceará está logo em seguida com número de casos, com 6.918, e é o quarto em mortes, 403. Pernambuco tem um registro menor de casos, 5.724, mas teve mais óbitos, 508.

*Com informações de Ricardo Brito, da Agência Reuters.

Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida em Manaus, repleto de sepulturas de vítimas da Covid-19.
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