‘Assustador ver manifestações pela volta do regime militar’, diz ministro do STF; Marco Aurélio Mello avalia que escalada autoritária está em curso com Jair Bolsonaro

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Ministro do STF Marco Aurélio,
Marco Aurélio: Quem viver verá
Ministro do STF Marco Aurélio,
Marco Aurélio: Quem viver verá

Ministro Luiz Roberto Barroso, do STF, criticou manifestações realizadas neste domingo (19/04/2020) em várias cidades do país pedindo fim do isolamento social e pautas como o retorno do regime militar.

“É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever. Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons (Martin Luther King)”, afirmou Barroso pelo Twitter, citando ao final uma frase do pastor e ativista norte-americano Martin Luther King.

Assim como outros colegas do STF, o ministro Marco Aurélio Mello criticou os atos pró-intervenção militar que contaram com a presença do presidente Jair Bolsonaro. O magistrado criticou o ex-capitão, que participou da manifestação.

“Tempos estranhos! Não há espaço para retrocesso. Os ares são democráticos e assim continuarão. Visão totalitária merece a excomunhão maior”, afirmou Mello em entrevista a Rafael Moraes Moura, do Estado de S. Paulo. “Saudosistas inoportunos. As instituições estão funcionando”,  disse Marco Aurélio Mello.

​Em Brasília, o protesto, que ocorreu em frente ao quartel-general do Exército, contou a presença do presidente Jair Bolsonaro.

Além de exigirem o fim das medidas de restrição ao comércio e à circulação de pessoas para conter a disseminação do coronavírus, os manifestantes também pediam intervenção militar, fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) e até mesmo um novo AI-5, ato que instaurou a fase mais dura da ditadura.

“Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso”, escreveu Barroso em outra publicação.

Barroso não foi o único juiz da mais alta corte brasileira a se pronunciar sobre o ato em Brasília. Gilmar Mendes disse que “invocar o AI-5” era “rasgar o compromisso com a Constituição”.

“A crise do #coronavirus só vai ser superada com responsabilidade política, união de todos e solidariedade. Invocar o AI-5 e a volta da Ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática #DitaduraNuncaMais”, afirmou o ministro pelo Twitter.

​O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também usou as redes sociais para criticar a manifestação. Ele disse que no Brasil, além da luta “contra o corona”, era preciso combater o “vírus do autoritarismo”.

“O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos. Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição”, disse Maia por meio do Twitter.

​Em outra publicação, Maia disse que “pregar uma ruptura democrática diante dessas mortes é uma crueldade imperdoável com as famílias das vítimas e um desprezo com doentes e desempregados.

Ex-presidentes da República se somaram ao coro dos que se indignaram com a manifestação e a presença de Bolsonaro no protesto na capital.

Pelo Twitter, Fernando Henrique Cardoso disse que a ida do presidente ao ato era “lamentável”.

“Lamentável que o Pr adira a manifestações antidemocráticas. É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia. Ideal que deve unir civis e militares; ricos e pobres. Juntos pela liberdade e pelo Brasil”, afirmou o ex-chefe de Estado.

​Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou sugerindo que é possível retirar um presidente do poder por meios legais.

“A mesma Constituição que permite que um presidente seja eleito democraticamente têm mecanismos para impedir que ele conduza o país ao esfacelamento da democracia e a um genocídio da população”, disse Lula pelo Twitter.

​No protesto em frente ao quartel do Exército, Bolsonaro subiu em cima de um carro e falou para os presentes.

“Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil. Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente”, disse o presidente aos manifestantes”, disse ele.

O presidente publicou um vídeo dele discursando nas suas redes sociais.

“Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder”, acrescentou Bolsonaro durante a manifestação.

​Em outras partes do Brasil, os atos aconteceram em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Maceió, Goiânia, Salvador, Manaus, Goiânia e Recife.

No sábado (18), houve carretas em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Niterói.

*Com informações da Sputnik Brasil.

Sobre Carlos Augusto 9652 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).