Paulo Guedes é guarda-chuva de camelô não resiste à tempestade, diz Cláudio Couto cientista político; Política neoliberal do Governo Bolsonaro afetou negativamente economia do país

Paulo Guedes, ministro da Economia do Governo Bolsonaro.
Paulo Guedes, ministro da Economia do Governo Bolsonaro.

Cláudio Couto, professor da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), avalia que a “tempestade” no cenário econômico mundial que parece ter caído nesta segunda-feira (09/03/2020) vai ser um teste que pode arrasar com o ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes. Os mercados mundiais foram tomados por pânico, por conta do alastramento da ameaça de epidemia do coronavírus e pela queda brutal no preço internacional do petróleo.

Ainda durante a madrugada do domingo, quando as bolsas asiáticas começaram a operar, o preço do óleo cru caiu até 31% – maior tombo desde a Guerra do Golfo (1990-91). Na sequência, a Bolsa de Nova York ativou o chamado circuit break, paralisando as atividades depois que o índice Dow Jones caiu mais de 10%. O pregão da Bolsa de São Paulo também interrompeu as negociações por 30 minutos durante a manhã.

“Antes mesmo da eleição, dizia-se que Guedes parecia aqueles guarda-chuvas de camelô, que dificilmente resistem à primeira tempestade. Pelo jeito, a tempestade está chegando”, disse o professor em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual.

A situação é agravada, segundo Couto, porque o governo Bolsonaro é “produtor de crises”, que se somam à própria “personalidade instável” do ministro.

“Há poucos dias, vimos que o presidente estava insatisfeito com a baixa taxa de crescimento do PIB, que ficou em 1,1%. Agora tudo tende a piorar. A questão é saber se, apesar de parecer ser um guarda-chuva de camelô, Guedes vai resistir – sobretudo sabendo como ele é usado pelo seu dono, que não toma muito cuidado com as suas atitudes e com aquilo que vale para a economia”, disse o cientista político.

Submissão

Couto também comentou sobre o acordo militar assinado entre o Brasil e os Estados Unidos, além do alinhamento “partidário-ideológico” de Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tiveram um encontro na Flórida, no domingo (8). Ele prevê resistência no Congresso Nacional, que precisa ratificar o acordo. Novamente, a situação é agravada pela retórica de confronto adotada por Bolsonaro contra os demais poderes da República. Antes de viajar, ele conclamou seus apoiadores à saírem às ruas no próximo dia 15.

“Nesse cenário de confronto entre os poderes e de desconfiança sobre as relações do governo Bolsonaro com o governo americano, tudo tende a ser ainda mais difícil. É preciso aguardar para ver os detalhes do acordo e como vai tramitar, se é que vai tramitar, no Congresso Nacional”, disse o analista.

Sinuca

Sobre a convocação dos protestos, Couto afirmou que Bolsonaro acabou se colocando num dilema. Se insistir no apoio aos protestos, tende a desgastar ainda mais as relações com o Congresso e com o Supremo Tribunal Federal (STF), justamente em momento de crise internacional. Se recuar, se enfraquece junto aos seus próprios apoiadores. O cientista político também identificou traços populistas e autoritários nessa atuação.

“A ideia é mobilizar as ruas contra as instituições. É o típico modelo populista de atuação, de mobilizar a população se colocando como o único representante legítimo dos cidadãos, tentando, assim, eliminar todos os limites ao exercício do poder”, afirmou.

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