Coronavírus está afundando economia global em recessão, diz OCDE

Roberto Azevêdo, diretor da Organização Mundial de Comércio.
Roberto Azevêdo, diretor da Organização Mundial de Comércio.
Roberto Azevêdo, diretor da Organização Mundial de Comércio.
Roberto Azevêdo, diretor da Organização Mundial de Comércio.

O surto de coronavírus está afundando a economia mundial em sua pior recessão desde a crise financeira global, alertou nesta segunda-feira (02/03/2020) a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), pedindo a governos e bancos centrais que lutem para evitar uma queda ainda mais profunda.

A economia global deve crescer apenas 2,4% este ano, o nível mais baixo desde 2009 e ante expectativa de 2,9% em novembro, disse a OCDE em uma atualização de suas perspectivas.

A organização projetou que a economia global pode se recuperar com um crescimento de 3,3% em 2021, assumindo que a epidemia atinja o pico na China no primeiro trimestre deste ano e outros surtos sejam contidos.

Entretanto, se o vírus se espalhar pela Ásia, Europa e América do Norte, o crescimento global pode cair para 1,5% este ano, alertou a OCDE.

“A principal mensagem para esse cenário de recuo é de que ele colocará muitos países em recessão, motivo pelo qual pedimos que medidas urgentes sejam adotadas nas áreas afetadas o mais rápido possível”, disse à Reuters a economista-chefe da OCDE, Laurence Boone.

Ela disse que os governos precisam dar suporte aos sistemas de saúde com pagamentos extras ou benefícios fiscais para trabalhadores que fazem horas extras e esquemas de trabalho para empresas que enfrentam recuo na demanda.

Projeções

No cenário básico da OCDE, em que a situação não se deteriora de forma dramática, a China sofrerá o maior impacto. A organização reduziu sua estimativa de crescimento em 2020 para a mínima de 30 anos de 4,9%, ante 5,7% em novembro.

A segunda maior economia do mundo vai se recuperar em 2021 para níveis pré-coronavírus com crescimento de 6,4%, estima a OCDE.

Na zona do euro, onde o número de casos está aumentando rápido, a expansão foi estimada em 0,8% ante 1,1% em novembro, com a Itália registrando estagnação este ano. O crescimento da zona do euro deve subir para 1,2% em 2021.

O vírus deve ter impacto limitado sobre o crescimento dos EUA, estimado em 1,9% de 2,0% em novembro, acelerando a 2,1% em 2021.

Para o Brasil, a OCDE manteve a expectativa de expansão de 1,7% em 2020, indo a 1,8% no ano seguinte.

Coronavírus terá impacto “substancial” no comércio, diz OMC

O diretor da Organização Mundial do Comércio disse nesta segunda-feira (02) projetar que a epidemia de coronavírus terá um impacto “substancial” na economia global, mas que os planos para uma reunião ministerial em junho estão indo adiante, afirmou uma autoridade comercial de Genebra.

“Os efeitos sobre a economia global provavelmente também serão substanciais e começarão a aparecer nos dados comerciais nas próximas semanas”, disse Roberto Azevêdo aos chefes das delegações em uma reunião a portas fechadas em Genebra nesta segunda-feira.

“Para o MC-12, estamos procedendo conforme o planejado. Se a situação exigir, tomaremos as medidas necessárias”, acrescentou, referindo-se à reunião ministerial de junho no Cazaquistão.

A expectativa é que a reunião, em que Estados membros farão negociações sobre agricultura, comércio eletrônico e subsídios à pesca, entre outros tópicos, reúna milhares de participantes.

Um resultado bem-sucedido é considerado crítico para a legitimidade e relevância do organismo global após o colapso do sistema de apelações de disputas da OMC devido ao bloqueio de compromissos pelos Estados Unidos.

No entanto, na mesma reunião desta segunda-feira, o presidente das negociações de subsídios à pesca, Santiago Wills, disse que o progresso recente foi “insuficiente” e pediu aos membros que sejam “flexíveis e pragmáticos”.

Outros Estados membros também manifestaram preocupação com o lento progresso das negociações, que visam acabar com os subsídios prejudiciais à indústria pesqueira que estão esgotando os estoques globais de peixes. Azevedo recentemente expressou esperança de que um acordo fosse possível.

“Cabe a todos nós reconhecer que as negociações estão com sérios problemas”, disse o embaixador dos EUA na OMC, Dennis Shea, aos delegados do comércio nesta segunda-feira, acrescentando que alguns membros estavam “defendendo ferozmente” direitos de conceder subsídios agora ou no futuro, sem nomear os países.

*Com informações de Leigh Thomas, da Agência Reuters.

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