Perito do Rio de Janeiro diz que não é possível detectar sinais de tortura no corpo do criminoso amigo da família Bolsonaro; Miliciano Adriano Nóbrega morreu em confronto com PM’s em Esplanada

Miliciano foragido da Justiça Adriano Nóbrega morreu em confronto com PM’s em Esplanada.Miliciano foragido da Justiça Adriano Nóbrega morreu em confronto com PM’s em Esplanada.
Miliciano foragido da Justiça Adriano Nóbrega morreu em confronto com PM’s em Esplanada.

Miliciano foragido da Justiça Adriano Nóbrega morreu em confronto com PM’s em Esplanada.

A segunda necropsia do corpo do ex-policial militar Adriano da Nóbrega, morto durante uma operação policial na Bahia, durou cerca de quatro horas e terminou por volta das 20:45 horas desta quinta-feira (20/02/2020) no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro. Segundo o perito Talvane de Moraes, de 79 anos, convidado para acompanhar o procedimento por um dos médicos legistas contratados pela família – Francisco Moraes Silva, de 81 anos -, visualmente não é possível detectar sinais de que Nóbrega tenha sido torturado.

Mas ele ressaltou que serão necessários exames complementares para chegar a alguma conclusão definitiva. “Eu seria leviano se garantisse qualquer coisa a partir do exame de hoje, que é apenas o início de um procedimento”, afirmou.

A perícia começou às 16:30 horas e teve a participação de três peritos representantes da família de Nóbrega, além de um promotor de Justiça do Ministério Público da Bahia (MPBA). Esse promotor foi embora sem falar com a imprensa. A perícia foi realizada a pedido do MPBA.

A relação entre criminosos e os bolsonaros 

Evidencias apontam para íntima relação entre o marginal morto pela Polícia Militar da Bahia (PMDB), o presidente Jair Bolsonaro e o filho, senador Flávio Bolsonaro, mandatários extremistas de direita cujas conexões revelam possível vínculo com o submundo do crime do Rio de Janeiro.

Perito contratado pela família de miliciano Adriano Nóbrega vê sinais de tiro à queima-roupa

O perito aposentado Francisco Moraes Silva, de 81 anos, contratado pela família do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega para acompanhar a nova necropsia feita na tarde desta quinta, 20, no Instituto Médico-Legal do Rio, disse que o disparo que acertou o ex-capitão do BOPE no tórax tem características típicas de um tiro à queima-roupa.

“É a típica marca em que a extremidade distal da arma encosta no tegumento (pele)”, afirmou. Ex-diretor do IML do Paraná, o especialista está acompanhado de outros três peritos e um fotógrafo. Ele esclareceu que ainda não examinou o corpo e que sua análise foi feita com base em fotografias. “Esse crime, da forma como foi, é o mais importante dos últimos 20 anos”, alegou.

O novo exame cadavérico está sendo feito por peritos do IML do Rio. O resultado só sairá dentro de quinze dias. Depois disso, a equipe de Moraes filho tem outros quinze dias para elaborar um parecer sobre o laudo. Segundo ele, o corpo está “putrefato”, ou seja, apodrecido, mas não o suficiente para atrapalhar o exame.

Sobre a necropsia feita no IML de Alagoinhas, na Bahia, Moraes Silva disse que os peritos poderiam ter dado mais informações sobre o orifício de entrada no tórax. “O novo laudo será feito por peritos do Rio que têm muita experiência com tiros de fuzil e carabina “, afirmou.

A Justiça da Bahia autorizou na noite da terça-feira,18, a realização do novo exame. O pedido havia sido feito pelo Ministério Público da Bahia e também pela família de Nóbrega. Na decisão, o juiz Augusto Yuzo Jouti determina que o exame seja feito por peritos do IML do Rio, onde o corpo está desde o último domingo. De acordo com a decisão, no entanto, a família e o MP da Bahia podem indicar peritos independentes para acompanhar o exame.

Moraes Silva já foi denunciado por supostamente fraudar um laudo de necropsia nas investigações da morte de uma mulher no Paraná. Outro perito que o acompanhou no IML nesta tarde, Ari Fontana, já foi preso. Foi acusado de extorsão para liberar veículos furtados, quando era diretor-geral do Instituto de Criminalística do Paraná, em 2006. Não foi possível questioná-los sobre as acusações.

Tortura em Adriano

O objetivo do novo exame é determinar a distância aproximada entre os policiais e Adriano no momento dos tiros, o trajeto percorrido pelas balas no interior do corpo do ex-PM e o calibre das armas usadas. Será possível averiguar também se houve tortura, como foi alegado pelo senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ).

Segundo os promotores, tais questões não foram devidamente esclarecidas na primeira necropsia, feita no IML de Alagoinhas, cidade vizinha à Esplanada. Com esses esclarecimentos, acreditam, será possível determinar se houve, de fato, uma troca de tiros ou uma execução.

Estão pendentes, ainda, os resultados de exames importantes feitos na Bahia. São eles o residuográfico (que determina se Nóbrega, de fato, fez algum disparo de arma de fogo), o das marcas de bala no escudo usado pela PM na invasão do sítio (o que poderia indicar uma reação) e o da perícia da casa onde ele foi alvejado

*Fábio Grellet e Roberta Jansen, do Broadcast de Política do Estadão.

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