Brasil é o quarto maior produtor de aplicativos do mundo e comportamento da população ajuda no mercado de startups

O evento Brasiltech discutiu as perspectivas para a economia digital no Brasil.

O evento Brasiltech discutiu as perspectivas para a economia digital no Brasil.

Seja pelo tamanho do mercado ou pelas características de sua população, o Brasil é um solo fértil à criação de startups. Atualmente, existem 13 mil empresas desse tipo no país, 30% delas localizadas em São Paulo. A economia digital já representa mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e as oportunidades no setor são tão grandes quanto os desafios futuros.

“Estamos falando de investimentos anuais de U$ 2,7 bilhões no ano passado, que dobraram em relação a 2018. É um ecossistema quantitativamente muito representativo”, explica Fred Donier, fundador e dirigente da empresa de consultoria Crescendo. “Esse número representa 55% dos financiamentos na América Latina. O México vem em segundo lugar, com 20% dos financiamentos. Na América do Sul, São Paulo é de longe o primeiro ecossistema de startups”, completa.

Dessas empresas digitais, 46% atuam nos setores de logística e distribuição, 25% em finanças e 7% em transportes. Geralmente, elas surgem para preencher uma lacuna no mercado nacional.

“O que a gente chama a dor do consumidor ou da empresa, normalmente são coisas mal resolvidas pela burocracia histórica e as startups vêm com essas novas tecnologias, novos modelos de negócio, criando grandes oportunidades. Em logística tipicamente, mobilidade urbana, finanças (as famosas fintechs), mas também na saúde”, explica Donier.

Uma população curiosa e aberta

Segundo especialistas, a força motora para a transformação digital no Brasil está na cultura de progresso encontrada no país, além de uma população aberta a iniciativas digitais. Por outro lado, há falta de estratégia, dificuldade na adoção de métodos, infraestrutura deficitária e má gestão de dados.

Contudo, o comportamento da população brasileira favorece o crescimento de negócios digitais. Atualmente, 97% dos brasileiros têm acesso à Internet via smartphones, o que significa um mercado potencial de 205,8 milhões de pessoas.

Dessas, 66% têm atuação em redes sociais. Só o Facebook reúne 130 milhões de brasileiros, o que faz do país o terceiro no mundo em número de usuários.

O WhattsApp é o aplicativo mais usado, com 120 milhões de usuários. O Brasil é o segundo país no mundo em assinantes do Youtube (com 69 milhões de pessoas) e do Instagram (com 50 milhões de usuários).

“Essa capacidade de criatividade, abertura ao digital, curiosidade natural e o fato de o brasileiro navegar 9 horas por dia pela Internet é um apelo fantástico”, diz Fred Donier. “Todos os grandes players internacionais gostam de se conectar com os desenvolvedores brasileiros, os GAFAS têm uma presença massiva no Brasil, como Facebook e Google, e gostam muito de trabalhar com desenvolvedores brasileiros em função dessa capacidade de colocar o conhecimento de forma criativa e flexível nos aplicativos”, acrescenta.

O Brasil não é só um país de consumidores de aplicativos, mas já se tornou o quarto maior produtor mundial de apps.

Outra razão para esse sucesso é o crescimento do chamado “investimento anjo”, ou seja, financiamento com capital próprio em empresas nascentes com alto potencial. O total investido cresceu 14% ao ano desde 2010, chegando a R$ 964 milhões, em 2017.

Falta mão de obra qualificada

O francês Cyrille Reboul passou a adolescência no Brasil e voltou ao país em 2012 para fundar sua própria empresa. A Webedia é uma startup de produção de conteúdo que, entre outros negócios, gerencia os apps como “Adoro Cinema” e “Tudo gostoso”, de receitas de culinária, além de agenciar influenciadores digitais.

“A minha indústria é de conteúdo e é óbvio que quando você olha o Brasil, tem 150 milhões de internautas que falam uma só língua. Eles consomem conteúdo quase exclusivamente em português. Quando você é um produtor de conteúdo como eu, um ator de mídia online, isso te preserva porque você não está competindo com os grandes players americanos, mas a concorrência é apenas dos players locais”, explica.

Porém, nem tudo foi fácil no início. Entre os gargalos apontados pelo empreendedor está a falta de mão de obra qualificada no Brasil.

“A química que eu tinha na minha empresa eram 7 franceses e 513 brasileiros, mas essa química funcionou muito bem com brasileiros com um perfil um pouco mais técnico, porque ainda tem algumas lacunas de competência. Tem 13 mil startups brigando pelos mesmos profissionais. Eu consegui trazer da França pessoas que tinham o conhecimento que eu precisava naquele momento e que treinaram brasileiros”, diz.

Público e privado atuam juntos

Para o advogado Charles-Henry Chenut, o ambiente para o desenvolvimento de startups no Brasil melhorou muito na última década, especialmente em termos jurídicos.

“Tem um movimento sobre a legislação para facilitar a criação e para reconhecer o estatuto de startup, sua gestão, administração e financiamento. Além das novas leis, tem ainda programas governamentais para apoiar essas empresas. Tem uma vontade do governo de apoiar esse mercado novo que tem um crescimento imenso, principalmente a partir de 2019. O Brasil vai ser um dos países mais importantes para startups”, acredita Chenut.

Por fim, o último desafio das startups brasileiras é conquistar o mercado internacional. A Embaixada do Brasil na França desenvolve um programa para promover produtos e serviços digitais brasileiros.

“Em 2019, foram investidos R$ 2,6 milhões em 48 ações, realizadas em 28 países” afirma Juliana Guiguet, delegada comercial na Embaixada do Brasil na França. “Para 2020, serão 79 ações, em 32 países e um potencial de internacionalização de 200 startups brasileiras”, conclui.

*Com informações de Maria Paula Carvalho, da RFI.

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