Após indicação ao Oscar, cineasta Petra Costa é considerada “anti-Brasil” pelo governo totalitarista de Jair Bolsonaro; Fascismo e demência mental marcam posição dos extremistas de direita

Shane Boris, Joanna Natasegara, Petra Costa e Tiago Pavan, indicados ao Oscar de melhor documentário, durante recepção na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Beverly Hills, Califórnia, EUA 04/02/2020 REUTERS/Mario Anzuoni O americano Shane Boris, a produtora britância Joanna Natasegara, a diretora Petra Costa o produtor Tiago Pavan, indicados ao Oscar de documentário.
Shane Boris, Joanna Natasegara, Petra Costa e Tiago Pavan, indicados ao Oscar de melhor documentário, durante recepção na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Beverly Hills, Califórnia, EUA 04/02/2020 REUTERS/Mario Anzuoni O americano Shane Boris, a produtora britância Joanna Natasegara, a diretora Petra Costa o produtor Tiago Pavan, indicados ao Oscar de documentário.
Shane Boris, Joanna Natasegara, Petra Costa e Tiago Pavan, indicados ao Oscar de melhor documentário, durante recepção na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Beverly Hills, Califórnia, EUA 04/02/2020 REUTERS/Mario Anzuoni O americano Shane Boris, a produtora britância Joanna Natasegara, a diretora Petra Costa o produtor Tiago Pavan, indicados ao Oscar de documentário.
Shane Boris, Joanna Natasegara, Petra Costa e Tiago Pavan, indicados ao Oscar de melhor documentário, durante recepção na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Beverly Hills, Califórnia, EUA 04/02/2020 REUTERS/Mario Anzuoni O americano Shane Boris, a produtora britância Joanna Natasegara, a diretora Petra Costa o produtor Tiago Pavan, indicados ao Oscar de documentário.

Uma indicação ao Oscar costuma ser motivo de orgulho para o governo de um país, mas esse não é o caso do documentário da Netflix “Democracia em Vertigem”, cuja diretora Petra Costa tem recebido duras críticas do presidente Jair Bolsonaro.

O documentário da cineasta de 36 anos aborda as disputas políticas que polarizaram o país nos últimos anos, traçando uma linha entre a esperança com a chegada ao poder de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, os grandes protestos de rua de 2013, o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e a eleição de Bolsonaro como presidente.

Em entrevista ao jornalista norte-americano Hari Sreenivasan na PBS na semana passada, Petra disse que Bolsonaro representa um risco para a democracia do país, além de acusá-lo de atacar os direitos das minorias e de transformar a Amazônia em uma savana, o que desencadeou críticas do governo.

Petra também apontou os assassinatos de pessoas pelas mãos da polícia, o que, segundo ela, aumentou em 20% no Rio de Janeiro desde a eleição do presidente.

“Nos Estados Unidos, a cineasta Petra Costa assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do país no exterior. Mas estamos aqui para mostrar a realidade. Não acredite em ficção, acredite nos fatos”, disse na segunda-feira a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República no Twitter.

Petra Costa não respondeu imediatamente a um pedido de comentários da Reuters, mas em entrevista à agência em junho passado – dias antes da estreia do documentário da Netflix – disse que “o filme é um retrato da crise política brasileira em primeira pessoa e de certa forma uma fábula de nossos tempos”.

Filha de militantes de esquerda que se opuseram à ditadura e à tradição familiar da direita, Petra explora as fissuras e contradições dos processos históricos de maneira pessoal, tendo como ponto de partida o julgamento político de Dilma em 2016.

A ex-presidente foi uma das figuras que saiu em defesa da cineasta na terça-feira, dizendo em sua conta no Twitter que o Brasil é governado por “um machista, racista, homofóbico, inimigo da cultura, apoiador de ditaduras, da tortura e da violência policial, e amigo de milicianos”.

Petra entrevista Lula e Dilma no documentário, que também aborda a corrupção revelada pela investigação da Lava Jato, que abalou toda a classe política e também membros da família dela, fundadores de uma das grandes empresas envolvidas no escândalo.

“Democracia em Vertigem” recebeu excelentes críticas da imprensa internacional e concorre no domingo a um Oscar na categoria de Melhor Documentário.

Observa-se que o governo totalitarista de Jair Bolsonaro é marcado por posicionamento fascista e demência mental.

*Com informações de Lucila Sigal, da Agência Reuters.

Sobre Carlos Augusto 9514 Artigos
Carlos Augusto é Mestre em Ciências Sociais, na área de concentração da cultura, desigualdades e desenvolvimento, através do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB); Bacharel em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo pela Faculdade de Ensino Superior da Cidade de Feira de Santana (FAESF/UNEF) e Ex-aluno Especial do Programa de Doutorado em Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atua como jornalista e cientista social, é filiado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ, Reg. Nº 14.405), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ, Reg. Nº 4.518) e a Associação Bahiana de Imprensa (ABI Bahia), dirige e edita o Jornal Grande Bahia (JGB).