ALBA promove debate sobre preservação da Pedra de Xangô; Local de rituais afrodescendentes fica situado em Salvador

Assembleia promove debate sobre preservação da Pedra de Xangô.
Assembleia promove debate sobre preservação da Pedra de Xangô.
Assembleia promove debate sobre preservação da Pedra de Xangô.
Assembleia promove debate sobre preservação da Pedra de Xangô.

O Plenário Orlando Spínola da Assembleia Legislativa da Bahia foi ocupado pelo povo de santo, na quarta-feira (05/02/2020), para a sessão especial em homenagem à XI Caminhada da Pedra de Xangô, uma manifestação religiosa, idealizada por lideranças do Candomblé, que acontece no próximo domingo (09), no bairro de Cajazeiras, em Salvador.

Ao som dos atabaques e cânticos de saudação ao orixá, os proponentes da sessão, os deputados Jacó Lula da Silva (PT) e Fátima Nunes (PT), manifestaram total apoio dos seus mandatos à luta contra os ataques motivados pela intolerância. “Celebrar a Pedra de Xangô, um altar sagrado para os povos de matriz africana, é permanecer na resistência, e também um desejo de que o tempo possa construir nas pessoas o sentimento de respeito e liberdade”, salientou a petista, presidente da Comissão Especial da Promoção da Igualdade da ALBA.

Jacó explicou que a iniciativa teve por objetivo trazer mais visibilidade para a Pedra de Xangô, um patrimônio do Candomblé que precisa ser preservado em uma cidade que tem 85% da população negra. O parlamentar, que diz ser oriundo do sertão, entende que o povo de santo necessita estar atento para a importância dos espaços do poder e questiona: “Por que não ter representantes do Candomblé aqui na Casa Legislativa?” Em seguida, sem receio de concorrência, completa: “Eu adoraria muito ter outros colegas que defendessem esta pauta, que fortalecessem esse debate na Assembleia”.

A deputada Olívia Santana (PC do B) acredita que “os grilhões do racismo e da intolerância devem ser rompidos e que momentos como estes de hoje vão se repetir cada vez mais na ALBA, que terá de abrir suas portas para este segmento, porque a resistência será sempre necessária”. Diversos outros oradores também se pronunciaram sobre questões que afetam diretamente a religião difundida aqui no Brasil pelas pessoas escravizadas trazidas do continente africano.

Representando a secretária Fabya Reis, da Secretaria Estadual da Promoção da Igualdade (Sepromi), Cláudio Rodrigues mostrou-se disposto a colaborar com os organizadores da Caminhada de Xangô e enalteceu o Estatuto da Igualdade Racial da Bahia, “uma síntese viva da luta do povo negro”. Yulo Oiticica, superintendente de Políticas Territoriais e Reforma Agrária da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), é favorável ao tombamento do monumento, localizado em uma área que – segundo o ex-deputado estadual- “vive sob constante pressão dos empreendimentos imobiliários”.

Ebó coletivo

Pais, mães, filhos e filhas de santo vestiram-se de branco (na sua maioria), colocaram suas contas, ojás (torços das mulheres), eketés (chapéus dos homens) e ouviram com atenção as opiniões dos dirigentes que vivenciam o cotidiano dos terreiros. Eduardo Machado, da Frente Makota Valdina, garantiu que “o povo negro está cansado de falar, tem que agora protagonizar as lutas”. Ele anunciou que na quarta-feira da semana que vem (12) será realizado um “Ebó Coletivo”, em frente ao Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães, “para protestar contra a evangelização nas escolas públicas, o descumprimento da lei sobre o ensino da cultura africana e a militarização dos colégios”.

Com voz firme, a pequena Mãe Jacira se agigantou na tribuna, pediu para que a gente do Candomblé se levante contra alguns desmandos e foi aplaudida de pé. Falando em nome da Rede de Terreiros do Subúrbio de Salvador, a ialorixá convocou os adeptos da religião a uma reflexão na próxima eleição municipal, “buscando escolher vereadores e prefeitos comprometidos com a nossa causa”. Revelando expressar um sentimento de muitas pessoas, Mãe Jacira criticou. “Esta Casa precisa respeitar o povo de santo. Aqui tem crucifixo da Igreja Católica e bíblia dos Evangélicos. Tem que ter também o adja e o machado de Xangô, instrumentos sagrados do Candomblé”, afirmou.

A solicitação da ialorixá teve imediata resposta dos deputados Fátima Nunes e Jacó Lula da Silva que pretendem apresentar, à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, um projeto de resolução para incluir, no espaço do plenário, símbolos sagrados do povo de santo. No final da reunião, mais de vinte personalidades, autoridades, religiosos e lideranças receberam uma placa pela luta em defesa da Pedra de Xangô “a pedra linda, que é do Senhor, meu protetor, o Pai da Justiça, Kao Kabiesilê”.

Participaram ainda da composição da Mesa dos Trabalhos a Mãe Iara de Oxum, da Associação de Terreiros de Cajazeiras Pássaro das Águas; Roque Peixoto, da Coordenação Nacional de Entidades Negras; o professor Mazé, da Rede Estadual de Ensino; a Ebomi Nice, ialorixá do Terreiro da Casa Branca; a Mãe Maísa, organizadora da Caminhada do Povo de Santo do Subúrbio e o superintendente de Assuntos Legislativos da ALBA, o ex-deputado estadual Bira Corôa.

Redação do Jornal Grande Bahia
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