Roda de conversa marca dia nacional de combate à intolerância religiosa na Bahia

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Religiões de matriz africana são vítimas de preconceito.
Religiões de matriz africana são vítimas de preconceito.

Uma lei de 2007 criou no Brasil o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro. A data foi escolhida porque neste mesmo dia, há 20 anos, a ialorixá baiana mãe Gilda sofreu um infarto e morreu após receber ofensas de um jornal evangélico. Nesta terça-feira, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) fez uma homenagem à Mãe Gilda no local onde fica o busto da ialorixá, no Parque Metropolitano do Abaeté, em Salvador, e promoveu uma roda de conversas sobre intolerância religiosa no Terreiro Obatalandê, em Lauro de Freitas, com presença de religiosos, autoridades e sociedade civil.

“Nós temos o Centro de Referência Nelson Mandela para acolher as denúncias de racismo e intolerância religiosa. A gente tem identificado, dos números que chegam, dos registros de intolerância, um aumento crescente de violação ao direito constitucional das religiões de matriz africana. O trabalho que a gente tem feito é de visibilizar esse problema, pedir cada vez mais respeito através de ações e de campanhas pedagógicas, dialogando com a sociedade, fazendo ações e iniciativas como essa”, afirmou a titular da Sepromi, Fábya Reis.

Em 2019, o Centro de Referência Nelson Mandela registrou 49 casos de intolerância religiosa, a maior parte deles contra religiões de matriz africana. Nos primeiros dias de 2020 já houve um registro. No Terreiro Obatalandê, as agressões e a luta contra discriminação continuam. “A intolerância mata, fere e nos magoa. A gente precisa entender que estamos no século 21 onde a lei garante o estado laico para todos. A motivação desse dia é dizer ‘não’ a qualquer tipo de opressão”, declarou o babalorixá que comanda a casa, Pai Anderson de Oxalá.

Para a vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, Lindinalva de Paula, a intolerância vai mais além. “O que acontece no Brasil e na Bahia é um racismo religioso, um ódio que impede que a maneira diferente de cultuar sua fé aconteça de forma tranquila. Para nós, da sociedade civil, este dia é extremamente importante, nos dá visibilidade”, reforçou.

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