“Luto encenado por Soleimani encobre realidades do Irã”, diz analista; Tumulto em funeral deixa cerca de 50 mortos

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Milhares de iranianos choram a morte do general Soleimani, assassinado pelos EUA. Em entrevista, cientista político Ali Fathollah-Nejad afirma que parte das manifestações são encenadas pelo regime para mostrar suposta unidade nacional.
Milhares de iranianos choram a morte do general Soleimani, assassinado pelos EUA. Em entrevista, cientista político Ali Fathollah-Nejad afirma que parte das manifestações são encenadas pelo regime para mostrar suposta unidade nacional.
Milhares de iranianos choram a morte do general Soleimani, assassinado pelos EUA. Em entrevista, cientista político Ali Fathollah-Nejad afirma que parte das manifestações são encenadas pelo regime para mostrar suposta unidade nacional.
Milhares de iranianos choram a morte do general Soleimani, assassinado pelos EUA. Em entrevista, cientista político Ali Fathollah-Nejad afirma que parte das manifestações são encenadas pelo regime para mostrar suposta unidade nacional.

O cientista político iraniano Ali Fathollah-Nejad é desde 2017 pesquisador convidado do think tank Brookings Institution, em Doha, e especialista em Irã do Conselho Alemão de Relações Exteriores (DGAP). Em entrevista à Deutsche Welle, ele afirma que os funerais do general Soleimani são, em sua maioria, encenações estatais para demonstrar unidade não só internamente mas, acima de tudo, externamente.

“Dentro de um sistema altamente autoritário como o iraniano, não existem protestos e manifestações livres”, lembra. Segundo o politólogo, as imagens de multidões homenageando o militar morto não devem necessariamente ser interpretadas como um sinal de que a população do país apoie ferrenhamente o governo.

“O assassinato de Soleimani não muda nada na miséria socioeconômica e nas críticas do povo iraniano a um regime repressivo, ao qual obviamente Soleimani também pertencia.”, diz Ali Fathollah-Nejad.

Tumulto em funeral de general deixa ao menos 50 mortos no Irã

Outras dezenas de pessoas ficam feridas durante cortejo fúnebre em Kerman, cidade natal de Qassim Soleimani, morto em ataque dos EUA. Homenagens ao general reuniram multidões nos últimos dias.

Um tumulto durante o cortejo fúnebre do principal comandante militar iraniano, Qassim Soleimani, deixou ao menos 50 mortos e mais de 200 de feridos em sua cidade natal, Kerman, nesta terça-feira (07/01/2020), noticiou a emissora de televisão estatal iraniana.

Dezenas de milhares de pessoas participavam do cortejo quando ocorreu o pânico em massa. Os primeiros vídeos publicados na internet mostram pessoas sem vida nas ruas e outras gritando desesperadas, tentando ajudar as vítimas.

Em entrevista por telefone à emissora de televisão estatal iraniana, o chefe dos serviços médicos de emergência do Irã, Pirhossein Koulivand, confirmou a ocorrência do tumulto. “Infelizmente, alguns de nossos compatriotas ficaram feridos e outros morreram durante a cerimônia fúnebre”, declarou.

Os habitantes de Kerman se reuniram no centro da cidade, onde vai ser enterrado o general, morto em um ataque americano em Bagdá na última sexta-feira. Vestidos de preto, os participantes do cortejo fúnebre levavam imagens de Soleimani e exigiam vingança contra os Estados Unidos. A morte acirrou as tensões em todo o Oriente Médio.

Durante o ato, o comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Salami, ameaçou “incendiar” apoiadores dos Estados Unidos em resposta ao ataque que matou Soleimani. A multidão respondeu aos gritos de “morte a Israel”.

Salami afirmou ainda que Soleimani foi um apoio fundamental a grupos palestinos, aos rebeldes houthis no Iêmen e a milícias xiitas no Iraque e na Síria. Ele disse também que, “como mártir”, o general representava uma ameaça “muito maior aos inimigos do Irã”. “Vamos nos vingar”, ressaltou.

A última homenagem ao general, considerado um herói no país, reuniu multidões sem precedentes pelas cidades iraquianas e iranianas onde ocorreram cortejos fúnebres. Em Teerã, centenas de milhares participaram da procissão na segunda-feira. A polícia iraniana falou que milhões de pessoas participaram.

Soleimani, de 62 anos, era líder da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, unidade de elite responsável pelo serviço de inteligência e por conduzir operações militares secretas no exterior. Para justificar o bombardeiro que matou o general, os Estados Unidos o acusaram de matar soldados americanos e de estar planejando a ataques a tropas do país.

Seu enterro em Kerman nesta terça-feira encerrará as procissões que começaram no dia seguinte à sua morte, ainda em Bagdá. De lá, o corpo do general foi transportado para a província iraniana do Cuzistão, na fronteira com o Iraque.

O cortejo fúnebre passou por de Ahvaz, no sudoeste iraniano, pela cidade sagrada de Mashhad, no nordeste do país, e Teerã, antes de chegar à cidade natal do comandante. A cerimônia do enterro de Soleimani deverá ser realizada pelo líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Soleimani, figura-chave da crescente influência iraniana no Oriente Médio, morreu na última sexta-feira, juntamente com Abu Mehdi al-Muhandis, o número dois da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi], além de outras seis pessoas.

O assassinato aumentou as tensões entre os arqui-inimigos Teerã e Washington. O Irã prometeu vingança e anunciou que deixará de respeitar os limites impostos pelo acordo nuclear assinado em 2015, já enfraquecido desde que os EUA se retiraram unilateralmente do pacto, em maio de 2018.

Na sexta-feira, Khamenei prometeu “vingança severa” ao declarar três dias de luto. Trump respondeu no sábado, avisando que os militares dos EUA fizeram uma lista de 52 locais no Irã que podem ser atacados e que as forças americanas os atingiriam “muito rápido e com muita força” se a república islâmica atacasse pessoal ou bens americanos.

No domingo, os líderes de Reino Unido, França e Alemanha pediram contenção. “Apelamos a todos os envolvidos para que mostrem o máximo de contenção e responsabilidade”, disseram eles em comunicado conjunto.

Com informações do Deutsche Welle.

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