Líbano proíbe Carlos Ghosn de viajar após depoimento; Japão pede prisão

Carlos Ghosn fugiu da prisão no Japão e encontra-se foragido no Líbano.
Carlos Ghosn fugiu da prisão no Japão e encontra-se foragido no Líbano.
Carlos Ghosn fugiu da prisão no Japão e encontra-se foragido no Líbano.
Carlos Ghosn fugiu da prisão no Japão e encontra-se foragido no Líbano.

Um procurador libanês impôs uma proibição de viagem ao ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn nesta quinta-feira (09/01/2020), disse uma fonte judicial, após o empresário ser interrogado sobre um mandado da Interpol, emitido pelo Japão, que pede sua prisão por acusações de irregularidades financeiras.

Em dezembro, Ghosn fugiu do Japão em direção ao Líbano, onde passou a infância. O executivo estava em prisão domiciliar enquanto aguardava julgamento por quatro acusações que incluem ocultação de patrimônio e enriquecimento por meio de pagamentos feitos a concessionárias no Oriente Médio, as quais nega.

O advogado de Ghosn no Líbano não pôde ser contactado imediatamente para comentar o caso nesta quinta-feira.

Foragido, Carlos Ghosn diz ter sido tratado “brutalmente” pelo Japão

Carlos Ghosn, que falou em público pela primeira vez desde sua fuga dramática da Justiça do Japão, disse a repórteres em Beirute que foi tratado “brutalmente” por procuradores de Tóquio, que acusou de ajudarem a Nissan a expulsá-lo da presidência.

Adotando um tom desafiador, o ex-chefe da Nissan disse nesta quarta-feira em uma coletiva de imprensa lotada que não acredita que teria um julgamento justo se permanecesse no Japão.

O antigo titã da indústria automotiva fugiu no mês passado do Japão, onde aguardava para ser julgado por acusações de declaração de salários menores, violação de confiança e sonegação de fundos da empresa, todas as quais ele nega. Ghosn disse ter fugido para o Líbano para limpar o nome.

“Você morrerá no Japão ou terá que sair”, disse Ghosn ao descrever seus sentimentos”. “Eu me sentia como um refém de um país que servi durante 17 anos”, disse ele aos repórteres que lotaram o sindicato de imprensa à beira-mar de Beirute.

Outros esperaram do lado de fora sob uma chuva intensa, inclusive membros da mídia japonesa que foram excluídos do briefing.

“As acusações contra mim são infundadas”, acrescentou Ghosn, repetindo sua alegação de que a Nissan e autoridades japonesas se mancomunaram para derrubá-lo após um revés na Nissan e como vingança pela interferência do governo da França na aliança da montadora com a Renault.

“Por que eles prorrogaram o cronograma da investigação, por que me prenderam? Por que estavam tão determinados a me impedir de falar e estabelecer os fatos?”, questionou Ghosn ao mencionar as autoridades japonesas.

“Por que passaram 14 meses tentando esgotar as minhas forças, proibindo-me de ter qualquer contato com a minha esposa?”

Na terça-feira, procuradores de Tóquio emitiram um mandado de prisão para a esposa de Carlos Ghosn, Carole, por suposto perjúrio.

O Ministério da Justiça japonês disse que tentará encontrar uma maneira de levar Ghosn de volta, embora o Líbano não tenha acordo de extradição com o Japão.

Autoridades turcas e japonesas estão investigando como Ghosn foi levado clandestinamente a Beirute. A Interpol emitiu um “boletim vermelho” pedindo sua prisão.

A coletiva de imprensa de Ghosn foi a reviravolta mais recente de uma saga de 14 meses que abalou a indústria automotiva global, ameaçou a aliança Renault-Nissan arquitetada pelo próprio Ghosn e aumentou a vigilância sobre o sistema judicial do Japão.

A Nissan disse que uma investigação interna revelou que Ghosn usou dinheiro da empresa para fins pessoais e subavaliou sua renda, uma violação da lei japonesa.

Japão pede prisão de Carole Ghosn à Interpol; Ela é acusada de ter destruído provas para proteger o marido

Investigadores japoneses solicitaram a cooperação da Interpol para prender a mulher do ex-presidente do Conselho Administrativo da Nissan Motor, Carlos Ghosn, acusado de delitos financeiros no Japão, informa a NHK. No fim de dezembro, Ghosn deixou a liberdade sob fiança e fugiu ilegalmente do Japão, indo para o Líbano.

Na terça-feira (7), a Promotoria japonesa obteve uma ordem de prisão para a mulher de Ghosn, Carole, suspeita de falso testemunho. Acredita-se que ela tenha destruído provas relacionadas ao caso do marido.

Segundo fontes não identificadas, a Promotoria em Tóquio pediu à Interpol que emita uma ordem de prisão internacional para a esposa de Ghosn. Atualmente, ela também se encontra no Líbano, e o objetivo dos promotores é restringir suas atividades.

Na quarta-feira (8), a Promotoria também teria emitido uma liminar para a apreensão de um computador utilizado pelo ex-presidente do Conselho Administrativo da Nissan, que os advogados de Ghosn haviam se recusado a fornecer aos promotores.

As atenções estão voltadas para a reação dos tribunais. Advogados de defesa têm permissão legal de recusar esse pedido, para proteger a privacidade de seus clientes.

*Com informações de Tom Perry, Samia Nakhoul, Eric Knecht e Tim Kelly, da Agência Reuters.

Redação do Jornal Grande Bahia
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