Juan Guaidó força entrada no Parlamento da Venezuela

Líder oposicionista Juan Guaidó prestou juramento para mais um mandato como presidente da Assembleia Nacional venezuelana, antes de ser expulso por forças do regime chavista.

Líder oposicionista Juan Guaidó prestou juramento para mais um mandato como presidente da Assembleia Nacional venezuelana, antes de ser expulso por forças do regime chavista.

O chefe legislativo venezuelano Juan Guaidó conseguiu entrar nesta terça-feira (07/01/2020) na sede da Assembleia Nacional após um tenso impasse com forças de segurança. No plenário, Guaidó foi juramentado como presidente do Congresso por deputados oposicionistas, antes de ser expulso pela polícia do regime chavista, que disparou bombas de gás lacrimogênio.

Desde o último domingo, o Legislativo venezuelano passou a ser novo palco da crise política que atinge o país caribenho. Há dois dias, um grupo rival do presidente do Parlamento, Juan Guaidó, tomou a presidência do órgão com apoio do regime chavista. Guaidó, que buscava ser reeleito para mais um mandato como presidente da Assembleia, foi impedido por forças de segurança de entrar no prédio durante a votação. Outros deputados tampouco conseguiram entrar.

Nessa sessão, o deputado Luis Parra se autoproclamou presidente da Assembleia Nacional, com apoio do grupo minoritário de deputados chavistas. O órgão tem 167 deputados, dos quais 112 de oposição e 55 pertencentes ao chavismo. Segundo os oposicionistas, a sessão não contou sequer com a presença de metade dos deputados. No mesmo dia, a oposição ao regime chavista, que detém a maioria das cadeiras, realizou uma sessão paralela fora do prédio e reelegeu Guaidó.

Nesta terça-feira, Guaidó anunciou que presidiria a sessão parlamentar na Assembleia Nacional de qualquer maneira. Imagens da TV local mostraram o líder de oposição discutindo por meia hora com agentes que bloqueavam a entrada do prédio legislativo. Por fim, Guaidó e os deputados acabaram forçando a entrada. Imagens mostram o momento em que o grupo empurrou os guardas que seguravam as portas do prédio.

Pouco antes, Luis Parra liderou uma breve sessão parlamentar. Eleito para o Congresso em 2015, Parra foi expulso do partido oposicionista Primeiro Justiça no final de 2019, devido a denúncias de corrupção, e depois se aproximou do regime. Segundo a oposição, ele aceitou subornos para agir como marionete do regime.

Após entrarem no prédio, Guaidó e seus aliados se dirigiram para a tribuna e cantaram o hino venezuelano. Guaidó foi empossado como novo presidente, como Parra já fizera pouco antes. Depois foi a vez de Guaidó e seus aliados deixarem o local correndo, sob uma nuvem de bombas de lacrimogênio disparadas pela polícia.

Dezenas de países denunciaram a indicação de Parra como uma medida ilegítima. O governo dos Estados Unidos classificou a eleição de Parra como “farsa”, e disse que seguirá apoiando Guaidó como chefe do Parlamento e autêntico presidente interino da Venezuela, posição também adotada por Brasil e Colômbia.

A eleição deste domingo era considerada crucial para Guaidó. Em 23 de janeiro de 2019, ele foi proclamado presidente interino da Venezuela pela Assembleia Nacional, então dominada pela oposição. Essa reivindicação, reconhecida por 50 países que rechaçaram a última eleição de Nicolás Maduro, estava justamente apoiada no fato de Guaidó chefiar a Assembleia Nacional.

No último domingo, quando os chavistas impuseram Parra, Guaidó disse que o país assistira ao “assassinato da República”. “Hoje, no que é o desmantelamento do Estado de direito e o assassinato da República, vimos como eles tomaram violentamente o Palácio Federal Legislativo.” Vários deputados classificaram a manobra para colocar Parra no poder como um “golpe parlamentar”.

Com informações do Deutsche Welle.

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