Guarda Revolucionária do Irã sabia sobre míssil; Manifestantes pedem renúncia do aiatolá Ali Khamenei por queda de avião; Embaixador britânico foi preso por ‘incitar’ protestos

General do alto comando do Irã e o líder supremo aiatolá Ali Khamenei
General do alto comando do Irã e o líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Militar diz que não permitirá mais falhas nas forças armadas do país.
General do alto comando do Irã e o líder supremo aiatolá Ali Khamenei
General do alto comando do Irã e o líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Militar diz que não permitirá mais falhas nas forças armadas do país.

Um alto comandante da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado que soube que um míssil tinha derrubado um avião ucraniano no mesmo dia do acidente e que assumia total responsabilidade pela queda, dizendo que sua força agiu por engano diante de um alerta para “guerra total”.

O Irã negou por dias que um míssil tivesse atingido o Boeing 737-800 na quarta-feira pouco depois de decolar de Teerã a caminho de Kiev, mas reconheceu a responsabilidade neste sábado. Todas as 176 pessoas a bordo da aeronave morreram.

“Eu gostaria de poder morrer e não testemunhar um acidente assim”, disse o chefe da divisão aeroespacial da Guarda, Amirali Hajizadeh, à televisão estatal.

O avião caiu pouco depois que o Irã lançou ataques com mísseis contra alvos dos Estados Unidos no Iraque em retaliação pelo assassinato de Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda, pelos EUA no Iraque. O Irã esperava represálias dos EUA.

“Naquela noite, estávamos preparados para uma guerra total”, disse Hajizadeh, acrescentando que as unidades de defesa aérea estavam em alerta máximo e que uma camada extra de defesas havia sido instalada em Teerã.

O comandante afirmou que a Guarda solicitou que voos comerciais fossem interrompidos, mas disse que os pedidos não foram atendidos. Ele acrescentou ter sido informado sobre o ataque com mísseis ao avião de passageiros ucraniano na quarta-feira.

Manifestantes pedem renúncia do aiatolá Ali Khamenei por queda de avião

Manifestantes iranianos pediram a renúncia do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, neste sábado, depois que o governo do Irã afirmou que suas Forças Armadas derrubaram por engano um avião ucraniano, matando todas as 176 pessoas a bordo.

“Comandante-em-chefe (Khamenei) renuncie, renuncie”, gritavam centenas de pessoas, de acordo com vídeos publicados no Twitter, em frente à universidade Amir Kabir, em Teerã.

A Reuters não pôde verificar a autenticidade das imagens.

A agência de notícias iraniana Fars, em um raro relato sobre protestos contra o governo, disse que manifestantes cantaram frases contra as autoridades do país em Teerã neste sábado.

A reportagem da Fars disse que os manifestantes que foram às ruas também arrancaram imagens de Qassem Soleimani, o comandante da importante Força Quds, da Guarda Revolucionária, que foi morto em um ataque de drone dos Estados Unidos.

A agência, amplamente vista como próxima à Guarda, publicou fotografias das manifestações e um cartaz destruído de Soleimani. Segundo a Fars, cerca de 700 a 1.000 pessoas participaram do protesto.

Irã prende embaixador britânico por ‘incitar’ protestos em Teerã

Autoridades iranianas prenderam por algumas horas o embaixador britânico em Teerã, Rob Macaire, neste sábado (11), segundo o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab.

Segundo publicado pela agência iraniana Tasnim, o diplomata foi detido em frente à universidade Amir Kabir por incitar protestos contra o governo.

Milhares de pessoas foram às ruas da capital iraniana para se manifestar contra a queda de um Boeing 737 em Teerã, que segundo o governo iraniano foi abatido involuntariamente pelo sistema de defesa antiaéreo do país.

“A prisão de nosso embaixador em Teerã sem base ou explicação é uma flagrante violação da lei internacional”, afirmou Raab em um comunicado, segundo publicado pela agência AFP.

O ministro afirmou ainda que o Irã estava em um “momento de encruzilhada”, e deveria escolher entre “marchar rumo a um status de pária” ou “tomar medidas para diminuir as tensões e se engajar em um caminho diplomático à frente”.

EUA pedem para Irã de desculpar
Os Estados Unidos, por sua vez, pediram para que o Irã se desculpasse pela detenção do embaixador.

A prisão “violou a Convenção de Viena, a qual o regime tem um longo histórico de violação. Pedimos ao regime para que se desculpe formalmente ao Reino Unido por violar seus direitos e para que respeite os direitos de todos os diplomatas”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortagous, por meio do Twitter.

Todas as 176 pessoas que estavam a bordo da aeronave, que pertencia a uma companhia ucraniana, morreram, entre elas quatro britânicos. A maioria dos passageiros era iraniana, mas também havia 63 canadenses e outras nacionalidades a bordo, enquanto a tripulação era ucraniana.

Johnson diz que trabalhará ao lado de Canadá e Ucrânia
“Vamos fazer tudo o que podemos para apoiar as famílias das quatro vítimas britânicas, e assegurar que tenham as respostas e o desfecho que merecem”, disse neste sábado o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson.

O chefe de governo afirmou ainda que o Reino Unido trabalhará ao lado do Canadá, Ucrânia e outros parceiros internacionais para garantir “uma investigação transparente” sobre o caso.

Presidente da Ucrânia pede que culpados por queda de avião no Irã sejam responsabilizados

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, disse neste sábado que o reconhecimento do Irã de que abateu um avião de passageiros ucraniano foi um passo na direção certa, mas cobrou que os responsáveis sejam responsabilizados.

“Em insisto na conclusão imediata da identificação dos corpos e em seu retorno à Ucrânia”, escreveu Zelenskiy no Twitter, depois de falar com o presidente iraniano, Hassan Rouhani, por telefone.

“Os culpados devem ser responsabilizados”, acrescentou.

O Irã afirmou neste sábado que suas Forças Armadas derrubaram um avião ucraniano, matando todas as 176 pessoas a bordo, em um “erro desastroso”, dizendo que as defesas aéreas do país foram disparadas por engano durante um período de alerta após um ataque iraniano contra alvos norte-americanos no Iraque.

*Com informações de Parisa Hafezi, Babak Dehghanpisheh, Matthias Williams e Natalia Zinets, da Agência Reuters.

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