Exportação de petróleo pelo Brasil bate recorde em dezembro e avança 9% em 2019; Venda de veículos novos sobe no ano

Linha de produção de automóveis da Volkswagen do Brasil.

Venda de veículos novos sobe em 2019 e deve acelerar em 2020, diz Fenabrave.

As exportações de petróleo pelo Brasil atingiram um recorde em dezembro de 2019 e deverão permanecer em crescimento nos próximos meses e anos, diante de um avanço expressivo da produção nos campos do pré-sal, o que poderá colocar o Brasil entre os cinco maiores produtores globais.

O país exportou 8,72 milhões de toneladas em dezembro, mais que o dobro do registrado em novembro (3,77 milhões de toneladas) e no mesmo período de 2018 (4,22 milhões), de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) publicados nesta quinta-feira.

O recorde mensal anterior da exportação de petróleo havia sido registrado em julho de 2018, quando o país exportou 8,098 milhões de toneladas.

No ano passado, a exportação de petróleo pelo Brasil atingiu 64,6 milhões de toneladas, ante 59,2 milhões em 2018, alta anual de 9%, segundo a Secex.

Analistas e governo preveem que as vendas externas permaneçam em crescimento.

“Conforme avança a produção do pré-sal… e como o nosso refino está estável, a tendência é que a gente vá sequencialmente agora, mês após mês, batendo recorde de exportação”, disse o chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva.

Segundo o especialista, a previsão é que haja ainda adição de produção de cerca de 200 mil barris de petróleo por dia (bpd) até o meio do ano. Para os próximos anos, pontuou Silva, outros grandes projetos deverão entrar em operação, inclusive liderados por empresas estrangeiras.

“Nos próximos três anos vamos nos acostumar a ver recordes de exportação de petróleo.”

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) frisou à Reuters que o aumento da produção é resultado das medidas adotadas para assegurar a retomada do setor.

Nos últimos anos, o Brasil realizou diversas reformas no segmento de petróleo e promoveu leilões de novas áreas exploratórias, após um período anterior sem licitações e concentração da exploração na estatal Petrobras.

Na avaliação de Oddone, a retomada vai se intensificar nos próximos anos, fazendo com que a produção continue aumentando e que o país se torne um exportador ainda mais relevante.

“Boa parte do aumento da oferta global de petróleo virá das maiores exportações brasileiras. No final da década, o Brasil deverá ser um dos cinco maiores produtores e um grande exportador”, afirmou Oddone.

A ANP ainda não publicou os dados de produção de dezembro. Mas em novembro o volume cresceu 20,4% ante o mesmo mês de 2018, ultrapassando o patamar de 3 milhões de bpd.

O subsecretário de Inteligência, e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou que no primeiro semestre do ano passado houve um crescimento lento da exportação de petróleo. Mas que na segunda metade do ano o cenário mudou tornando o petróleo um “produto de destaque” nas vendas externas do país nos últimos meses.

Anteriormente, a Petrobras informou que realizou grande volume de paradas para manutenção de plataformas no primeiro semestre de 2019, comportamento que poderá se repetir nos primeiros seis meses deste ano.

Venda de veículos novos sobe em 2019 e deve acelerar em 2020, diz Fenabrave

O Brasil emplacou 2,787 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus em 2019, um crescimento de 8,65% sobre o ano anterior, informou nesta quinta-feira a associação de distribuidores, Fenabrave. O volume marca o melhor ano de vendas para o setor desde 2014, quando somaram cerca de 3,5 milhões de unidades.

Para 2020, a entidade fez uma primeira previsão, de crescimento de 9,6% nas vendas de veículos novos no país, a 3,056 milhões de unidades.

“Esse desempenho positivo (de 2019) se deve a alguns fatores econômicos, como taxa de juros menores e à queda nos índices de inadimplência e de desemprego, o que refletiu, diretamente, no aumento da confiança do consumidor e, também, do empresário brasileiro”, disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, em comunicado à imprensa.

Mas boa parte das vendas de veículos novos no ano passado ocorreu motivada por compras feitas por locadoras de veículos, que passaram a oferecer serviços para motoristas de aplicativos de transporte urbano.

Segundo dados do Banco Central, o crédito para compra de veículos foi o que mais cresceu em 2019 entre todas as modalidades para pessoas jurídicas, de janeiro a novembro esse estoque teve alta de 71%. Em 12 meses, o crescimento foi de 80%, a 47,8 bilhões de reais.

O chefe adjunto do Departamento de Estatísticas do BC, Renato Baldini, afirmou no final do ano passado que “muita gente tem trabalhado nesse segmento sem comprar o carro, alugam o carro por períodos longos inclusive. Tem se formado um modelo de negócios que parece resultar nesse dado que a gente tem observado”.

A estimativa da Fenabrave para este ano inclui crescimento de 9% nas vendas de carros e comerciais leves novos, a 2,898 milhões de unidades; expansão de 24% nas vendas de caminhões, a 126,15 mil unidades e alta de 16% nos emplacamentos de ônibus, para 31,54 mil unidades.

“Esse cenário impulsionou a oferta de crédito, o que deve continuar em 2020, por isso, confiamos em um novo ciclo de crescimento, ainda que moderado”, acrescentou Assumpção Júnior.

O movimento de vendas de dezembro, que costuma ser um dos mais fortes para o setor no ano, também marcou o melhor desempenho para o mês desde 2014, com licenciamentos de 262,7 mil veículos, expansão de 8,4% sobre novembro e alta de 12% na comparação com um ano antes.

Segundo os dados da Fenabrave, entre as principais montadoras do país, a Fiat Chrysler (GM.N), que está negociando fusão com a Peugeot, apresentou maior alta de vendas de carros e comerciais leves em 2019, de 14,5%, a 495,6 mil unidades, liderando o ranking anual.

A montadora ítalo-americana foi seguida pela General Motors (GM.N), que emplacou 475,7 mil veículos no ano passado, um crescimento de 9,5% sobre 2018.

O grupo Volkswagen (VOWG_p.DE), incluindo a Audi, terminou 2020 na terceira posição do ranking, com vendas de 423,2 mil carros e comerciais leves, crescimento de 12,3%, e foi seguido pela aliança Renault-Nissan (RENA.PA)(7201.T), com vendas de 335,3 mil veículos, alta de 7,3%.

A Ford (F.N) teve queda de 3,5% na vendas de carros e comerciais leves no ano passado, licenciando 218,5 mil unidades, segundo os dados da Fenabrave.

*Com informações de Marta Nogueira, Roberto Samora, Gabriel Araujo, e Gabriel Ponte, da Agência Reuters.

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