Desigualdade fecha as portas para avanço econômico e social no mundo, diz ONU

O Social Mundial Relatório 2020 da ONU examina o impacto de quatro megatendências na desigualdade: inovação tecnológica, mudança climática, urbanização e migração internacional. A mudança tecnológica pode ser um motor de crescimento econômico, oferecendo novas possibilidades em saúde, educação, comunicação e produtividade. Mas também pode exacerbar a desigualdade salarial e deslocar os trabalhadores. Os ventos acelerados da mudança climática estão sendo desencadeados em todo o mundo, mas os países e grupos mais pobres estão sofrendo mais, especialmente aqueles que tentam ganhar a vida nas áreas rurais. A urbanização oferece oportunidades incomparáveis, mas as cidades encontram pobreza abjeta e riqueza opulenta nas proximidades, tornando os níveis cada vez mais escancarados e crescentes de desigualdade mais flagrantes. A migração internacional permite que milhões de pessoas busquem novas oportunidades e pode ajudar a reduzir as disparidades globais. Se essas megatendências são aproveitadas para incentivar um mundo mais equitativo e sustentável, ou permitidas exacerbar disparidades e divisões, determinará em grande parte a forma do nosso futuro comum.

O Social Mundial Relatório 2020 da ONU examina o impacto de quatro megatendências na desigualdade: inovação tecnológica, mudança climática, urbanização e migração internacional.

A crescente desigualdade em países desenvolvidos e em desenvolvimento pode exacerbar as divisões e desacelerar o desenvolvimento econômico e social, de acordo com o Relatório Social Mundial 2020 das Nações Unidas, lançado globalmente nesta terça-feira (21/01/2020). Mais de dois terços da população mundial vivem em países onde a desigualdade aumentou e o impacto é sentido em níveis pessoais e nacionais. O documento aponta que no Brasil, onde a desigualdade havia sido reduzida nas últimas décadas, ela está aumentando novamente.

A crescente desigualdade em países desenvolvidos e em desenvolvimento pode exacerbar as divisões e desacelerar o desenvolvimento econômico e social, de acordo com o Relatório Social Mundial 2020 das Nações Unidas, lançado globalmente nesta terça-feira (21). Mais de dois terços da população mundial vivem em países onde a desigualdade aumentou e o impacto é sentido em níveis pessoais e nacionais. O documento aponta que no Brasil, onde a desigualdade havia sido reduzida nas últimas décadas, ela está aumentando novamente.

De acordo com o relatório, produzido pelo Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, sociedades muito desiguais são menos efetivas na redução da pobreza, crescem mais vagarosamente, dificultam que as pessoas quebrem o ciclo da pobreza e fecham as portas para o avanço econômico e social. Além disso, o aumento da desigualdade reprime o crescimento econômico e pode aumentar a instabilidade política.

No prefácio da publicação, o secretário-geral da ONU, António Guterres, escreveu: “o ‘Relatório Social Mundial 2020: desigualdade num mundo que muda rapidamente’ surge quando confrontamos realidades difíceis de um panorama global de profunda desigualdade. Tanto no Norte quando no Sul, protestos em massa reacendem, alimentados por uma combinação de males econômicos, crescimento das desigualdades e insegurança no trabalho. Disparidades de renda e falta de oportunidades estão criando um ciclo vicioso de desigualdade, frustração e descontentamento em várias gerações”.

O relatório dá evidências mostrando que inovação tecnológica, mudanças climáticas, urbanização e migração internacional estão afetando as tendências de desigualdade. O secretário-geral afirmou que o documento traz uma mensagem clara: “o rumo futuro destes desafios complexos não é irreversível. Mudanças tecnológicas, migração, urbanização e mesmo a crise climática podem ser aproveitadas para um mundo mais sustentável e justo, ou podem nos dividir ainda mais”, alertou.

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), unanimemente adotados pelos países em 2015, contêm um ODS específico para a redução da desigualdade. Os objetivos incorporam o princípio de “não deixar ninguém para trás”. O relatório detectou que crescimento econômico extraordinário ao longo das últimas décadas tem falhado em diminuir a “profunda divisão dentro e entre os países”.

O estudo aponta que estas disparidades dentro e entre os países irá inevitavelmente levar que as pessoas migrem. O documento registra que, se bem gerenciada, a migração pode não apenas beneficiar os migrantes, mas também ajudar a diminuir a pobreza e a desigualdade.

Brasil

Com o aumento da migração a partir de áreas rurais, mais da metade da população mundial hoje vive em áreas urbanas. Apesar de as cidades serem o cenário de inovação e prosperidade, muitos moradores urbanos sofrem com a extrema desigualdade.

Em um mundo com altos e crescentes níveis de urbanização, a desigualdade está aumentando novamente, mesmo em países que a tinham reduzido em décadas recentes, como Brasil, Argentina e México. O documento lembra que a desigualdade depende do que acontece nas cidades e as vantagens que as cidades oferecem podem não ser contínuas se as altas desigualdades urbanas não forem reduzidas.

Desigualdade desgasta confiança no governo – O relatório mostra que desigualdades concentram influência política entre os que estão em melhor situação, o que tende a preservar ou mesmo aumentar as diferenças de oportunidade. “Crescente influência política entre os mais afortunados corrói a confiança na habilidade dos governos em atender às necessidades da maioria (da população)”.

Mesmo em países que se recuperaram completamente das crises econômica e financeira de 2008, o descontentamento popular continua alto.

As crescentes desigualdades estão beneficiando os mais ricos. As alíquotas de imposto para as rendas mais altas têm diminuído em países desenvolvidos e em desenvolvimento, tornando os sistemas tributários menos progressivos. Em países desenvolvidos, as alíquotas para os mais ricos diminuíram de 66% em 1981 para 43% em 2018.

Nos países em desenvolvimento, as crianças das famílias mais pobres – e aqueles dos grupos étnicos mais vulneráveis – têm experimentado progresso mais lento na frequência escolar do ensino médio do que aquelas de famílias mais ricas, que estão mandando seus filhos para escolas de melhor qualidade. Disparidades e desvantagens na saúde e na educação estão sendo transmitidas de uma geração para outra.

Mudanças climáticas acentuam desigualdades – As emissões estão aumentando, as temperaturas globais estão subindo, mas os impactos das mudanças climáticas não estão sendo sentidos de forma uniforme no mundo, com países dos trópicos sendo os mais afetados negativamente.

De acordo com o relatório, as mudanças climáticas têm deixado os países mais pobres ainda mais pobres e, se não enfrentadas, podem levar milhões de pessoas para a pobreza nos próximos dez anos. As mudanças climáticas também estão deixando as coisas piores para a próxima geração, com impactos que devem reduzir oportunidades de trabalho, especialmente nos países mais afetados.

O relatório alerta que as mudanças climáticas podem aumentar a desigualdade, afetando também as políticas desenvolvidas para combater seus efeitos. Na medida em que países adotam ações para o clima, será importante proteger as famílias de baixa renda.

Tecnologia criando vencedores e perdedores – Os rápidos e revolucionários avanços tecnológicos das últimas décadas têm beneficiado trabalhadores qualificados ou aqueles que podem se qualificar.

Mas também têm cobrado um pedágio alto para trabalhadores com baixa ou média qualificação com intensa rotina laboral, cujos trabalhos estão sendo gradualmente eliminados ou extintos, na medida em que as tecnologias estão sendo absorvidas por um pequeno número de empresas dominantes.

Enquanto as novas tecnologias – como inovação digital ou inteligência artificial – abrem vastas e novas oportunidades de trabalho e engajamento, o relatório descobriu que o potencial para que elas promovam desenvolvimento sustentável só pode ser alcançado se todos tiverem acesso a elas, o que não está acontecendo, criando novas “divisões digitais”. Cerca de 87% das pessoas nos países desenvolvidos têm acesso a Internet, contra 19% nos países em desenvolvimento.

Os avanços tecnológicos podem exacerbar as desigualdades, ao favorecer aqueles com acesso precoce a estas tecnologias, e aumentar as lacunas em educação se desproporcionalmente ajudarem os filhos dos mais ricos.

Soluções

Usando exemplos positivos, o estudo apresenta concretas recomendações políticas que podem promover acesso a oportunidades, permitindo que políticas macroeconômicas foquem na redução da desigualdade, enfrentando também preconceito e discriminação.

Lançado enquanto as Nações Unidas se preparam para celebrar o 75º aniversário, o documento contém análises e recomendações políticas para conceber os diálogos globais para redução da desigualdade como uma condição fundamental para construir o futuro que queremos.

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Relatório 2020 da ONU sobre desigualdade social no mundo

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