Salvador: Edvana Carvalho estreia primeiro solo sobre o poder negro feminino na maturidade

Edvana é autora dos textos do espetáculo, que fica em cartaz às sextas, sábados e domingos, até dia 22 de dezembro.

Edvana é autora dos textos do espetáculo, que fica em cartaz às sextas, sábados e domingos, até dia 22 de dezembro.

Com estreia marcada para o próximo dia 6 de dezembro de 2019, às 20 horas, no Teatro Vila Velha, o solo “Aos 50 – Quem me aguenta?” Marca uma nova fase da atriz baiana Edvana Carvalho (“Bando de Teatro Olodum”, “Malhação” e “Irmãos Freitas”).

Mais do que nunca, para a intérprete, este é o momento de falar sobre a mulher negra e sua maturidade, os aspectos sentimentais e sociais de seu empoderamento, abordando temas como sexo, envelhecimento, filhos, relacionamentos e sororidade ao ultrapassar as barreiras trazidas pelos 50 anos.

Edvana é autora dos textos do espetáculo, que fica em cartaz às sextas, sábados e domingos, até dia 22 de dezembro, no espaço intimista e descontraído do Cabaré dos Novos, inspirado no formato do Ted Talk, em que conversas curtas são apresentadas de forma bem-humorada sobre as diversas situações vividas no âmbito pessoal da intérprete.

 “Aos 50 – Quem me aguenta?” traz uma abordagem crítica e consciente, de uma mulher frente às demandas de uma sociedade que ainda se guia pela valorização da juventude. Assim, temas como machismo, misoginia, racismo e preconceitos diversos, servem como fonte para quebrar paradigmas e mostrar as novas possibilidades do feminino no contexto contemporâneo.

 “Essa peça vem para comemorar os meus 35 anos de teatro e a minha entrada na meia-idade. Estou vivendo outra fase na minha vida, que também é de total empoderamento. Já me tornei avó, gosto de dizer que me tornei vovógata!” – explica a intérprete e completa: “pela primeira vez vou ao palco sozinha, um desafio que eu mesma me impus pessoalmente e como artista, para falar sobre a mulher que eu vi crescer em mim nesses 51 anos de idade

Segundo Edvana, a peça toca em muitos tópicos, dentre eles relacionamentos, filhos, a síndrome do ninho vazio, questões sociais, cotidianas e, claro, situações engraçadas. Outra perspectiva, que permeia toda sua carreira, é a de ser um instrumento de representatividade. “Acredito que devemos estimular sempre a ideia de que meninos e meninas negros, oriundos da periferia, como eu, podem ser atores e atrizes. Podemos estar em todos os lugares que quisermos e, a cor da minha pele, origem e etnia, não podem ser entraves para isso” – reforça.

Para o diretor Marcelo Praddo, falar sobre a maturidade, a passagem do tempo e seu significado é sempre engrandecedor. “Além do tema principal, que é o relato de uma mulher sobre sua experiência ao chegar aos 50 anos, outro componente importante é que estamos falando de uma atriz negra” – comenta. Ele acredita, assim como Edvana, que esta abordagem faz toda a diferença. “Isto acrescenta pontos importantes e delicados à discussão, como preconceito, discriminação e a dificuldade de sobreviver de arte num país como o nosso.” – Frisa o encenador.

Equipe “Aos 50 – Quem me aguenta?”

Natural de Salvador, Edvana iniciou sua carreira ainda na escola, passando pelo Grupo de Teatro do SESC/SENAC, chegando à primeira formação do Bando de Teatro Olodum. Integrou o elenco de algumas produções da Globo, como as novelas “Malhação” e “Pega Pega” de Cláudia Souto. No cinema destaque para as participações em “Ó Pai,Ó” e “Os Homens São de Marte… E É para Lá que Eu Vou”. Atualmente, está no ar, no canal TNT, com a personagem “Dona Zuleica”, mãe do pugilista Acelino Popó Freitas, na série “Irmãos Freitas”, de Sérgio Machado, Walter Salles e Aly Muritiba. Edvana é licenciada em Teatro pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) e pós-graduada em Psicopedagogia. Em paralelo as artes cênicas, ministra aulas/palestras em escolas públicas pelo Brasil e filma a película “As Verdades”, do cineasta José Eduardo Belmonte.

Na direção, um dos mais atuantes profissionais das artes cênicas baianas, Marcelo Praddo, que é Bacharel em Interpretação Teatral pela UFBA e possui uma longa carreira dedicada ao teatro. Em mais de 30 anos de carreira, trabalhou com os mais significativos diretores teatrais de Salvador. Foi indicado ao Prêmio Braskem de Teatro por quatro vezes e recebeu a estatueta pelos espetáculos “Boca de Ouro” (direção de Fernando Guerreiro), “Os Pássaros de Copacabana” e “Um Vânia, de Tchekhov” (ambos dirigidos por Gil Vicente Tavares). Ele também assinou a encenação do espetáculo infantil “O Circo de Só Ler”, musical vencedor do Prêmio Braskem na categoria Melhor Espetáculo Infantojuvenil de 2014.

Sobre o trabalho atual com Edvana, o diretor destaca: “somos colegas de profissão, mas é a primeira vez que nos encontramos de fato. Tem sido muito prazeroso conhecer a intimidade da mulher e da artista, e ver como ela conduz o seu trabalho de atriz. Por ser um texto autoral, ela expõe muito suas constatações e percepções do mundo e quis deixá-la à vontade.”

Praddo convidou profissionais com quem trabalha em outros espetáculos para compor a encenação, como Bárbara Barbará (diretora de movimento), Euro Pires (cenógrafo e figurinista), Luciano Bahia (trilha sonora) e Fernanda Mascarenhas (iluminação). “São profissionais conhecidos, talentosos e competentíssimos em suas áreas, que entendem a minha forma de conduzir a direção de um espetáculo” – finaliza.

A produção da peça “Aos 50 – Quem me aguenta?” é da Coletiva Comunicação Integrada, que desde 1997 realiza vários eventos culturais em Salvador.

 Agenda

O quê: “Aos 50 – Quem me aguenta?” – com Edvana Carvalho

Quando: 06/12 a 22/12 sexta e sábado, às 20h; domingo, às 19h

Onde: Teatro Vila Velha (Cabaré dos Novos)

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